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digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
sábado, março 31, 2007
Cómodo e sombra
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sexta-feira, março 30, 2007
Dar por perdido
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Na floresta não sei onde estou nem se o avesso é o certo nem se a direito sigo para a frente. Tal como nas dunas ou nas vagas sem mais referências. Tudo o que não pode ser mais nada pode ser mais tudo.
A ausência de linha do horizonte é uma graça com muita piada para quem muito se preocupa com a pontualidade, mas aprecia o lado caricato da vida. Não há pior falta de referência, além de não ver o Sol. Numa noite incerta, numa qualquer floresta, sem pista de pedras para guiar a saída. No ermo onde tudo pode ser qualquer coisa é-se qualquer um. Num instante, imperador ou faminto.
quinta-feira, março 29, 2007
A pedra
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O outro lado
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Encontrei um depósito de trovões. Estavam serenos, recostados em melancolia tépida, esperando pela próxima tempestade. Como são serenos os trovões quando não se lançam sobre a terra!... Nuvens de água muito quente serviram-me de almofada para os dias azuis de toda a felicidade quieta.
O outro mundo não é o outro lado da esfera celeste nem o outro lado da Terra. Não posso jurar que tenha estado na parte de baixo do mundo, mas só na parte imaterial. Sei que não se cai, porque o magneto agarra os pés, mas desconfio da outra parte da Terra. Haverá monstros ainda no mar e répteis na crosta. Demasiadas aventuras para um temeroso imortal.
quarta-feira, março 28, 2007
As duas metades
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Em metade do cérebro tenho o amor, a raiva, a ternura, a ejaculação, os apetites todos e de toda a ordem e os afectos. Lá estão também o tino e a certeza, porque se essas coisas existem, logo sou algo mais do que só biológico e pensante. Na outra metade está a minha razão de ser: está Deus e a consciência. Só por causa dessa metade não faço a fotossíntese e sou bípede.
No entanto, não distingo a diferença entre a razão de ser e a razão de sentir. tenho amor aos animais e tento amar toda a vida... em vão. As minhas duas metades forma uma só, e confundo-me nela. Às vezes não sei mesmo se não sou apenas essas duas metades. Não sou. Tampouco sou o corpo todo. Sou espírito. Nem apenas uma essência corpórea, apenas espírito. Todavia, confundo-me nas artimanhas das minhas duas metades e até escrevos os enganos que elas me ditam, pois nenhuma delas é aquilo que escrevi.
terça-feira, março 27, 2007
O pomar
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segunda-feira, março 26, 2007
A correr a vida
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Por enquanto faltam menos de cem passos. As luas hão-de levantar-se e pôr-se muitas vezes, há cigarros para fumar e tristezas para saborear à janela. Um trago de água para matar a sede mil vezes lembrada e os suspiros adiados. A velocidade da vida é mais rápida que a dos dias; não tarda é Outono.
domingo, março 25, 2007
Uma outra hora qualquer
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O desejado impacto da queda durante a vertigem. A pesada quietude dos minutos da gente parada numa melancolia contemplativa dum rio sufocantemente fio. A tarde de domingo é uma corda enlaçada a apertar-se que não mais estrafoga, um sem fim de agonia e ausência no olhar. Quem me dera fosse já uma outra hora qualquer.
sexta-feira, março 23, 2007
Oito
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Sentas-te frente a mim na sala despovoada e ficamos largas horas a jogar paciências sem batotas. Às vezes xadrês. Às vezes damas. Às vezes gamão. Quase sempre cartas. Ao cair da tarde tomas um gin fizz e eu um gin tónico, os criados já sabem a hora. Depois sobes para o teu quarto e eu para o meu para descermos uma hora depois já vestidos para o jantar. Às sete em ponto comemos no silêncio absurdo das casas grandes.
Às sete em ponto comemos no silêncio absurdo das casas grandes. Tomamos um tinto antigo, por vezes um branco da Borgonha sob o olhar severo dos olhares dos antepassados já finados e pelos nossos reflexos nas pratas. Bate o pêndulo do relógio e batem ainda os nossos corações. Como és bela e reluzes nesta sala de fantasmas.
Fora destas salas amplas feitas fechadas pelo peso do escuro e do tempo definhas na luz e julgam-te grotesca. Para mim continuas linda como na juventude. Por que só há-de ser bela a Primavera? Como és bela, mulher!
quinta-feira, março 22, 2007
O eco
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quarta-feira, março 21, 2007
O tempo que falta
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Um vendaval soprou nos mercados e as empresas começaram a fundir-se e a comprarem-se. O vento levantou o mar e dele levantou-se uma vaga que molhou tudo. As estações do ano começaram a unir-se para racionalizarem recursos.
Não importa se faz sentido ou se é lógico. Pouco importa onde cabe a poesia. Não interessa se cabem menos árvores num planeta nem se há poetas a sonhar com oito estações no ano. O que se sabe é que hoje o Verão sucede ao Inverno e que num dia está calor e noutro frio.
Já se deu cabo do planeta e ainda há espaço para dormir à sombra de pedras. Ainda há tempo para dormir a sesta! A vida continua. Continua sempre, porque somos de viver. Ainda que haja menos árvores e os pássros cantem baixinho. Para que quero a Primavera? Para nada. Para tudo.
terça-feira, março 20, 2007
Amanhã é Primavera
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Um Natal qualquer
segunda-feira, março 19, 2007
Fatalidade
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As tuas pestanas pausadas são as cortinas pesadas dum teatro e ao vê-las assisto ansioso ao passar do tempo. Espero pelo passar dos segundos até que se levantem e revelem os olhos para que me deleite derretido.
Quem me dera ser o teu desejo e razão de fingimento. Pudera haver razão para te embriagares em mim e desfaleceres-te desmaiada para que te segurasse. Infelizmente a vida não me satisfaz os devaneios.
domingo, março 18, 2007
Primavera
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A certeza da Primavera é a sua incerteza: talvez chova, a dúvida do aroma, o vento de força variável.
Depois há o seu oposto, do outro lado do Universo está o Outono. O dia cinzento, o chão castanho, as árvores a despirem-se e a chuva com vontade inversa. O Outono é a certeza de dias mais frios e sombrios.
A Primavera é uma promessa! No Verão logo se vê se haverá a felicidade...
quinta-feira, março 15, 2007
Desmentido
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Nota: Poucos aforismos são tão estúpidos quanto o que diz que «podes fugir, mas não te podes esconder».
quarta-feira, março 14, 2007
Vidas
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Na verdade não se tem muita bagagem. Nas horas difíceis só se tem a vida, as memórias e as esperanças para carregar. Na verdade, poucas coisas importam além dos afectos... os bons e os maus.
Temos tudo em nós, até prados e florestas. No desalento bastamo-nos se pudermos e soubermos. Na alergria tudo é fácil e abundante.
A mesa posta, o vinho a correr a rodos, tudo farto e a fome danada que se vai embora porque se sonha até se adormecer. Por que não? Até ao dia do suspiro fulminante ou suavizante. Ponto de intermitência. Espaço de interrupção, mas talvez de persistente canseira. Espaço de interrupção, mas talvez de devida saúde e alfabetização, de desejado desanso.
Haverá um dia de ternos sorrisos e de imensa sabedoria. Haverá um dia de saúde. Haverá vidas do espírito e não do corpo. Desmedida felicidade de conhecimento e amor.
terça-feira, março 13, 2007
Arte dois
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Primeiro procura-se a argila, depois escolhe-se. Na oficina areja-se, batendo-se e massajando-se. Na roda coloca-se na forma, onde será moldada a matéria-prima, enformada e deixada como será quando estiver pronta. Posto isto, o quase-objecto será cozido, antes de pintado e vidrado. Será isto arte ou ofício?
Em que é a cerâmica diferente? Não há ofício sem trabalho. Nem há arte sem ofício. Nem arte sem conceito.
Gosto do brilho dos teus olhos. Gosto deles ao deslumbrarem-se. Gosto do deslumbramento da arte. Gosto do fiozinho de divindade que tem a arte. Gosto da divindade que têm os teus olhos. Gosto de ver neles a surpresa.
Em que é a cerâmica diferente da superfície pintada ou da pedra esculpida ou do papel impressionado? Matéria é matéria e será sempre matéria. O trabalho é trabalho e será sempre trabalho: cada oficina será sempre uma oficina e cada homem um artesão, um ourives, um artífice. A chama divina é o conceito. É nele que está a arte. É ela que faz brilhar os olhos.
Arte
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- É um bovídeo!
Grunft retorquiu:
- Não! É arte!
A discussão prolongou-se por horas, a noite chegou sem uma conclusão. Grunft continuou a pintar na gruta de Lascaux e Gronft a bradar que eram apenas cavalos, bovinos e outros animais. A discussão manteve-se por dias, semanas, meses, anos, gerações e... dura até ao presente.
Nota: O «Urinol-fonte» fica que nem ginjas a ilustrar este diálogo com cerca de 15 mil anos.
Cabeças livres
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Os amores de fogo e cinza
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Nota: Retrato do idílio amoroso de Vénus e Vulcano.
domingo, março 11, 2007
A calma depois da vida
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De Augustina lembro as tardes... de Teresa recordo os entardeceres... de Maria evoco as ceias... de Angelina ainda celebro o leito... Ai, Angelina! Depois vieram mil mulheres. Em seguida tudo acalmou, um casamento, dois casamentos, três casamentos, muitas infidilidades, certamente mútuas e até consentidas... quantas loucuras. Agora é o tempo de recordar quando brincava de baloiço e seduzia para um dia namorar. É o Outono a acabar.
sexta-feira, março 09, 2007
A carta do dia seguinte
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Querido(a) leitor(a) escrevo hoje a carta do dia seguinte, porque me pediram para escrevê-la. Pediram-me para escrever sobre a mulher. Pediram-me para escrever sobre a mulher no seu dia. Por que não o fiz no seu próprio dia? Estou assim a responder a uma encomenda? Dirá de sua justiça no final, como é hábito seu. Digo desde já que sou tão irracional e obtuso quanto não sou indomável, que sei dar a mão à palmatória quando o julgo ser necessário tanto quanto sigo os meus princípios.
Não escrevi nem uma linha sobre as mulheres no seu dia, porque não há nada a escrever sobre as mulheres. Escrevo-as quase todos os dias: as reais e as ficcionais, as que amo, as que amei, as que desejo amar, as que amarei e as que julgo odiar.
Não há nada a escrever sobre a mulher no seu dia, porque se o fizesse estaria a considerá-la um só ser. A mulher não é uma flor. A mulher não é um objecto. A mulher ter um dia é assumi-la como um ser inferior ou ter a data como marco comercial como o Dia de São Valentim ou o Dia do Pai ou Dia da Mãe ou o Dia das Bruxas.
A mulher não é um bichinho muito parecido com o homem com o qual se tem sexo e se deixa viver lá em casa. Por que raio há-de ter um dia no calendário? Serve para simbolicamente se criar uma feliz e justa igualdade no recenseamento militar, coisa criticada com aleivosia militante de feminista sindical. Para que raio serve o Dia da Mulher? Serve para uns sindicatos de preguiçosos sairem à rua com as mesmas palavras-de-ordem de todos os outros dias de anhanço laboral a protestar contra todas as políticas de todos os Governos. O Dia da Mulher serve para umas tantas mulheres reivindicarem vitória gloriosa do «sim» no referendo do aborto, esquecendo-se que muitas outras mulheres votaram no «não» e que certamente metade dos 56 por cento de abstencionistas é formado por mulheres.
A mulher não é objecto! A mulher não é adorno! A mulher não é para cuidar do lar sozinha! A mulher pode cuidar sozinha dos filhos! É ridículo andar a oferecer rosas no Dia da Mulher! A menos que se queira oferecer uma rosa apenas por querer oferecer uma rosa... É idiota andar a oferecer gerberas no Dia da Mulher! A menos que se queira oferecer uma gerbera apenas por ser um simples 8 de Março...
Ora, para escrever flores bordadas a palavras não contem comigo a 8 de Março, porque tenho demasiado respeito pelas mulheres. Para fazer claque de feminismo sindical fora de prazo também não. Sou homem e tenho na mulher alguém da mesma espécie com os mesmos direitos e os mesmos deveres que eu... certamente muitos muitos desejos iguais aos meus. É por isso que me marimbo para o Dia da Mulher!
Nota: Esta carta é dedicada à Gisela Amieira que deixou um comentário a queixar-se de que não havia um texto sobre as mulheres no dia 8 de Março. Com todo o respeito que a minha amiga me merece, aqui fica a resposta. O texto é dedicado ainda a quem sentiu igual falta.
quinta-feira, março 08, 2007
Um Inverno por vir
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Ainda estou sentado no jardim a escutar os pássaros e a ver o gato a caçá-los. Há verdes por toda a parte, felizmente diferentes.
Ainda há algumas pessoas nas ruas de chão de cimento. Os autocarros passam a horas certas e as paragens têm os vidros civilizadamente decoradas para que as aves neles não embatam.
Ainda há pouco subi a estrada que vem do centro de Wuppertal. Ainda trago nos ouvidos o ronco ordeiro do schwebebahn. Ainda não caí do Inverno sobre a floresta da periferia de Solingen. Ainda sobrevoo o burgo antigo e a velha ponte em ferro.
Ainda cai uma chuva que não me molha. Tenho vontade de sentir a textura da terra nas mãos e de cumprimentar em alemão o velho lavrador que há pouco me dirigiu a palavra. Tenho vontade de fumar às escondidas e de escrever cartas de amor. Ainda não caí do Inverno.
Referências:
a estória,
a paixão e o amor,
Fotografia de Robert e Shana ParkeHarrison
Nuclear incerteza
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quarta-feira, março 07, 2007
As mãos do meu amor
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O amor maior
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Um amor novo é pequeno e frágil, sempre cantado. Dele se guardam saudades e remorsos. A ele se comparam as flores e seus perfumes.
O meu amor preferido não foi grande nem frágil. O meu amor saudoso esteve muito longe de ser um amor-perfeito. Foi pequeno, o meu grande amor. Mas foi concentrado. Partiu-se num instante e foi tão sólido enquanto se não quebrou!...
O meu grande amor foi pequeno. O meu delicado amor foi bruto. O meu amor preferido é odioso, porque findou tão abruptamente. O meu amor preferido é já antigo, porque terminou. O meu amor passageiro foi um amor novo. Em tudo novo. Por isso, foi um grande amor.
O hipotético buraco
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Se tivesse um buraco na vida, onde o teria? Para onde iria dar? Uma janela aberta para o bem, para um jardim de bem-estar ou uma porta para a estrumeira fétida onde despejo as minhas imundices? Se não tenho um buraco na vida ou se o tenho e não dou por ele talvez não consiga imaginá-lo verdadeiramente.
E se o buraco na vida estivesse agarrado ao meu corpo? Onde o teria? Numa perna? Porquê numa perna? Porquê só numa? O mesmo se dirá para um pé ou braço ou mão. A ter um buraco na vida e a tê-lo agarrado ao corpo tem de estar no tronco ou na cabeça, porque é onde faz sentido. Porque é onde há vísceras. Nos músculos da acção não há razão para se ter um buraco na vida. Quanto muito pode ter-se ausências, mas não buracos.
A ter um buraco na vida agarrado ao corpo seria visível? Só importa se o fosse, porque não sê-lo é ausente de importância. Um buraco invisível seria uma ferida a requerer um acto médico e não uma vergonha esquisita que se ocultasse ou sussurrasse. Um buraco oculto não é digno de nota.
Um buraco na cabeça e pareceria um ciclope... daria por isso, estou certo. Um buraco na vida agarrado ao corpo tem, assim, de estar no tronco e ligar um lado ao outro da pele. Se o tenho? Não o vou confessar. Não sei. Se soubesse seria feliz. Se soubesse, ainda assim, seria ignorante quanto à sua função. Se soubesse teria pudor de o reconhecer...
E se a minha vida tivesse um buraco? De onde a onde? Poderia alguém apertar as mãos dentro de mim?
segunda-feira, março 05, 2007
Ao todo sou uns quatro
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Dialogo-me. Escuto-me. Não me quero ouvir. Não me suporto. Tenho ânsia de chegar a casa para estar só. Só comigo. Sozinho sou apenas eu. Não me tolero. Preciso de gente à volta para que me possa diluir. Preciso da solidão para que me escute. Tenho um zumbido a atravessar-me a cabeça, serei eu?
Hoje levantei-me e disse-me que não iria trabalhar, que ficaria na cama. Depois vesti-me e fui de passeio até ao escritório. Pedi uma torrada com manteiga e deixei-a pousada sem lhe tocar. Quando acordei vesti-me e fui trabalhar. Fiz tudo como é hábito e comi a torrada, só que sem manteiga.
Sonho todas as noites, mas nem sempre acerto nos dias. Há amanheceres diferentes e ocasiões que nem acordo. Não sei se há culpa em mim ou se sou todo eu feito de culpa. Ao certo não sei quantas pessoas habitam em mim.
O desejável naufrágio
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Verdade a ferir
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domingo, março 04, 2007
Bons modos
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Sabe, senhor deputado, o senhor está demasiado vermelho. Não é a cor política... Não lhe critico a preferência partidária, mas a tenho objecções à da pele. O senhor não está saudável... está rubro. Não me diga que é da praia, porque não é tempo dela... nem me argumente que é da neve, porque este Inverno foi temperado e já vai primaveril e, além do mais, essa cor é a de quem abusa do álcool.
Senhor deputado... julgo que faz muito bem em apreciar um bom charuto!... Diria até que faz lindamente em usufruir dos havanos, dos de Vuelta Abajo... mas, por favor, mandam as regras da boa educação, pelo menos na Europa, que se retire a cinta ao dito. E já agora que não se babe a pobre capa de tabaco!
Senhor deputado, com o ordenado que ganha e com os anos que leva de hemiciclo devia já ter aprendido algumas maneiras... essa não é a melhor forma de beber o uísque... Além do mais, se o senhor tiver espelhos em casa e tiver alguma cultura reparará nas papadas sob os olhos. Meu Deus! O Senhor é uma garrafa de vinho numa montra soalheira! Tenha cuidado! E tenha maneiras! Pagamos-lhe (também) para isso!
Nota: O deputado em causa existe. O deputado em causa é do PSD. Definitivamente, o deputado em causa não é BCBG.
quinta-feira, março 01, 2007
Canção de caserna
Canção de rapazes e de mulher fatal. A juventude explica muita coisa. A juventude deixa sempre saudades. Deixa? As dores do corpo e as da alma. A juventude explica muita coisa. E também as loucuras? A loucura da juventude... A juventude não explica a loucura que não é sua. Uma canção de rapazes e de mulher fatal.
Referências:
a estória,
Música por Hanna Schygulla,
Vídeo da Música «Lili Marleen»
A maçã verde
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O aroma verde da maçã verde ficou a pairar sobre o mar, enquanto eu ficava preso num naufrágio. Os meus amores entardeceram bordando-se. Cada um sua rosa, cada um seu nome, todos de linho branco. Nos dias soalheiros, perto de Sintra, levava-lhes maçãs.
Os meus amores dão-me suspiros e fazem-me cruzinhas bordadas, porque tenho sepultura no mar. Aquele instante está no mesmo local, o sítio do meu fantasma. Lugar de imperturbável aroma a maçã verde. Momento fresco onde se brinda com Lisbon Hock.
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