digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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segunda-feira, setembro 07, 2015
sábado, agosto 16, 2014
Criança com um ursinho
Prometo-me muitas vezes ainda que não cumpra. Pende-me a
cabeça como a dum enforcado e fecho os olhos e espero que me julguem morto, que
continue só.
.
Insisto na vida patética sem uso nem finalidade, com a
parede como horizonte e nela a linha distante do Equador, em papel autocolante
mal posto.
.
Não me afogo nessa água nem me craxo contra a parede nem me
volto, porque à volta só paredes, que me dão poucos metros para lá chegar.
.
Recluso e respirando, em vez de livre e livre de tudo.
.
Prometem e não dão. Nem eu, prometo-me e não vou.
segunda-feira, agosto 04, 2014
Retrato
O meu pai é um pintor muito dotado tecnicamente. Bom
rosteador, mas não bom retratista, e nunca me retratou. Caricaturou-me numa
aguarela e tão bem, tão bom. Sem ter quem me pinte nunca esperei encontrar
espelho numa obra doutra coisa. Achei-a e tem toda a minha essência, vida e
modo de estar – não estou a brincar. Vejo as minhas rugas, o brilho dos meus
olhos, o ânimo, o carácter e a incapacidade de realizar o desejo.
quinta-feira, abril 17, 2014
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