digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sábado, agosto 16, 2014

Criança com um ursinho

Prometo-me muitas vezes ainda que não cumpra. Pende-me a cabeça como a dum enforcado e fecho os olhos e espero que me julguem morto, que continue só.
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Insisto na vida patética sem uso nem finalidade, com a parede como horizonte e nela a linha distante do Equador, em papel autocolante mal posto.
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Não me afogo nessa água nem me craxo contra a parede nem me volto, porque à volta só paredes, que me dão poucos metros para lá chegar.
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Recluso e respirando, em vez de livre e livre de tudo.
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Prometem e não dão. Nem eu, prometo-me e não vou.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Retrato

O meu pai é um pintor muito dotado tecnicamente. Bom rosteador, mas não bom retratista, e nunca me retratou. Caricaturou-me numa aguarela e tão bem, tão bom. Sem ter quem me pinte nunca esperei encontrar espelho numa obra doutra coisa. Achei-a e tem toda a minha essência, vida e modo de estar – não estou a brincar. Vejo as minhas rugas, o brilho dos meus olhos, o ânimo, o carácter e a incapacidade de realizar o desejo.