digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Vidas diferentes

Vives numa rua que já não conheço. Numa rua que gostaria de conhecer? Não sei. Uma cidade dividida em meios, um para cada um. Fica com a tua avenida. Fico na minha rua. Tens família, vivo só.
É meio dia, quase Natal. Apenas a poucos passos do Natal. Vives numa avenida, vivo só. Desejar bem. Um muro. Uma divisão. Não desejar nada. Desces a avenida, sigo pela rua.
Encontraremo-nos noutro mundo.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Ir indo

Vou. Vou daqui para a frente. Vou de trás para a frente. A vida é um segmento de recta. A existência é uma semi-recta. Vou. Vou até onde me deixarem ir. Mas vou. Irei sempre e sempre até ao fim, que fica onde me deixam ir. Ir ao lado nenhum que é o fim. Na eternidade não há fim, mas vou. Vou até ao fim, que fica onde me obrigam a ir. Vou.

Saudade e receio

Mesmo quando apetece ir, o momento da partida é quando quase se deseja ficar.

Cuco

Tenho agora a casa mais arrumada, posso levantar-me. Quando a tiver novamente em desalinho, volto a deitar-me.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Brincar com a luz

Onde está o Sol. Onde estão os olhos. As mãos e os dedos em frente da cara. O eclipse dos meninos. O sorriso vem ao de cima das mãos, por dentro da carne.
Dentro de poucas horas estarei além. Além do mais, agora não saio. Fico. Quieto, quase imóvel. Fico.
Pouso as pálpebras. Apenas oiço. Para dentro. Para fora. Como se os olhos abertos deixassem entrar o ruído e as orelhas não pudessem escutar tão delicadamente.
Repouso as costas e deixo-me ir. Fico. Não vou. Irei. Deixo-me ir enquanto não vou. Irei quando retornar do deixar-me ir.Onde está o Sol. Onde está o menino? Sorrisos e palminhas. Deixo-me ir. Quem me dera voltar. Voltar para a barriga da mãe.

Sob a luz cónica

A luz cónica sobre o instrumentista e o reflexo na madeira do instrumento de arco. Não era um violino, talvez um contrabaixo ou um violoncelo.
Nunca percebi como o arrastar do arco sobre as cordas pode ser belo. Não percebo nem tento. Não vale a pena, pois é belo e isso basta.
A luz cónica é quente e, à primeira vista, tocador e instrumento não têm sombra. O escuro está em redor, onde a luz não bate.
Embora o tocador esteja só, ele não está sozinho. Consigo tem o som, a música e este narrador inexistente. Serei eu o instrumentista? Será apenas uma imagem imaginada, idealizada?
Não conheço a música. Nem a oiço. Apenas o tocador a ouvirá na sua acompanhada solidão. Por mim é a canção da Rita. A nostalgia da luz e o escuro do passado.
Não sei onde ela está, mas conheço-a em toda a parte. Em toda a parte a vejo. Em sonhos partilhamos momentos. Ultimamente tristes.
A tristeza abandonou-me, um alívio. Um alívio. A memória feliz e o presente amargo. Porém, a tristeza largou-me.
A tristeza largou-me como ela me deixou um dia. Não a desejo, mas sinto-lhe a falta. Só em sonhos. Ultimamente tristes. Eu e ela. Doridos pelo tempo, desencanto e separação.
Houve um tempo de grandes ilusões. Todo o desejável foi desejado. Até ao dia da partida. Um dia ela, depois eu. Suspiro. Suspirará?
A luz cónica não chega a aquecer. O escuro frio cerca de perto. Há os negligenciáveis arrepios, mas não está calor sob a luz.
Não sou o tocador, mas sei que luz está e qual a sua temperatura. Sou narrador e, contudo, não estou na sala. Nem sei, imagino.
Imagino qualquer coisa para além do que vejo. A realidade minimalista da sala irradia pensamentos. Imagino-me e imagino-a. Que temos a ver com isto?
Que temos a ver um com o outro passado este tempo? Já não é dor. O afecto ou a amizade ou o antigo amor deu, deram, lugar ao ressentimento.
É uma música triste. Não há dúvida que é triste. O vibrar das cordas pelo arco e a luz cónica não são nostalgia nem melancolia. São outra coisa qualquer. Coisa bela.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

domingo, dezembro 09, 2007

As palavras do amigo





















O mistério das frases claras. A força serena das palavras. Significados ocultos e um vórtice. O mergulho pelo escuro até ao passado. Memórias de andorinhas e outros bichos.
O amigo fuma cigarros e tem óculos. Por trás dos dedos e dos vidros há uma cabeça repleta de cifras e segredos. As folhas do caderno são receptáculo da arte toda e da arte possível do amigo. A arte possível do amigo é suficientemente grande para se ver da Lua.As frases claras e as palavras fortes têm labirintos e intranquilidades. Por isso gosto de ambas e também do amigo.



Nota: Este texto é dedicado a Alexandre Sarrazola

sábado, dezembro 08, 2007

Inteligência

Estúpidos não são só aqueles que são quadrados, mas aqueles que sendo cubos não compreendem que são quadrados... seis vezes quadrados. E os losangos que não sabem que são quadrados. E os rectângulos.

Ambulância















A minha dor é diferente de todas as outras dores, porque é a minha dor. Quando vejo a ambulância passar penso:
- lá vai a minha dor.
- lá vai uma dor que não é minha.
- quem me dera fosse ali a minha dor.
- quem dera não fosse dor.
Quando vejo uma ambulância não penso se fosse ali sem a dor.

Dualidade corpórea

Por vezes o meu corpo compreende o que a minha cabeça não percebe. É nessa altura que apanho um táxi e vou para casa.

Mesquinho

Só os mesquinhos traidores sabem das traições mesquinhas; das traições e do que é mesquinho.

C.A.N.A.L.H.A.

Só um canalha absoluto consegue, depois de morto, fazer querer que as suas canalhices são menos canalhas que as canalhices dos canalhas que lhe sucederam.

Amores antigos

Já não quero namorar contigo, mas com alguém que aproves. O amor não tem fim.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Vida 2

O meu braço é mecânico. A minha boca é mecânica. Os meus pensamentos são vivos. A minha cabeça é redonda.
- A vida é mecânica?
- A vida é a vida.
A minha cabeça mecânica e redonda tem pensamentos vivos. A minha cabeça ordena. Os pensamentos vivos dizem ao braço mecânico para levar a sopa viva à boca mecânica.
- A vida é fluída?
- Não sei.
O meu braço é mecânico. A minha boca é mecânica. A vida é fluída?

Vida 2

O meu braço é mecânico. A minha boca viva é mecânica.

- A vida é fluída.

- Não é mecânica?

O meu braço mecânico leva a sopa viva à minha boca mecânica. A minha cabeça mecânica gera pensamentos vivos. Os meus pensamentos vivos pedem ao braço mecânico que leve a sopa viva à boca mecânica.

- A vida é fluída?

- Não sei.

Divergências intuitivas

O abastado diz não ser possível a felicidade num carro fantasma: viagem nocturna num autocarro suburbano. A matemática diz outra coisa. Uma estatística intuitiva diz o contrário do burguês.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Foi na casa dos amigos

Para a tábua vieram queijos, como não poderia deixar de ser, nomeadamente um de Azeitão que foi de babar. À entrada uns cogumelos portobello com foi-gras e chèvre gratinado no forno. Depois vieram lombos de pato que estagiaram em sumo de laranja. Depois a carninha, frita em manteiga, levou um molho à base de redução de Moscatel de Setúbal. Acompanhou-se com puré de castanha e pêra e com salada de endívias com molho de roquefort e nozes. Por último, chegaram os bolinhos de chocolate com natas, feitos pela Nês.

Nota: Um repasto partilhado com a Colher, Nês e Turco.
Para a tábua vieram queijos, como não poderia deixar de ser, nomeadamente um de Azeitão que foi de babar. À entrada uns cogumelos portobello com foi-gras e chèvre gratinado no forno. Depois vieram lombos de pato que estagiaram em sumo de laranja. Depois a carninha, frita em manteiga, levou um molho à base de redução de Moscatel de Setúbal. Por último, chegaram os bolinhos de chocolate com natas, feitos pela Nês.


Nota: Um repasto partilhado com a Colher, Nês e Turco.

Foi lá em casa

A mesa pôs-se de roxo, como se põe muitas vezes e, sobre ela, pão, queijo de Azeitão, duas variedades de queijo de cabra, uma enrolada em presunto e outra temperada com ervas, queijo da Ilha, requeijão de ovelha com alho e salsa, e pasta de azeitona cordovil.
O prato de honra foi de carne de vaca aos quadradinhos feita na frigideira com morcela desfeita e molho de vinho branco, mostarda e pimenta preta. Acompanhou batata assada no forno, salada de endívias com molho de mel e azeite e ratatui de tomate, alho-francês e cenouras.
A sobremesa foi iogurte de avelã com amoras, groselhas e framboesas. Sobre os vinhos não me apetece escrever sobre quem foram nem como estiveram. No final houve quem tivesse fumado um Romeo & Julieta.

Nota: Este texto é dedicado à Colher, Mafas, Nês e ao Turco.

Dores

Pode um homicídio prevenir um suicídio?

Insensibilidade

Porque nada se passa nem quero saber das notícias. Tudo o que acontece não quero saber. Só importa a arte e o prazer.

Nota: Rótulo de vinho com base em pintura de Picasso. O que eu precisava mesmo era de ter um Picasso, beber um Château Mouton Rothschild e ter dinheiro para ter os dois.

Reabertura

Após uma prolongada ponderação (de um dia), o Infotocopiável está reaberto.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Fechado para balanço

Até ver é o

FIM

Antes do fim

Há alturas em que é preciso ir. Novas partidas. Novos desafios. Algumas tristezas ficam e outras vão com o tempo. Nada na vida é definitivo. Por isso é que é vida e não eternidade. O Infotocopiável também tem prazo de vida útil. Se não chover na decisão, até 1 de Janeiro de 2008 vai sair desta vida para outra. Até ao último dia tentarei pôr, pelo menos, um texto por dia. Agora é tempo de ir fazendo as malas, que a chaminé do navio já fumega.

Nota: obrigado aos meus poucos leitores.

Compasso

A felicidade é uma ilusão e a alegria um intervalo.

Dose de realidade

A esperança é para os vencidos. Os conscientes não acreditam. Os iluminados da sorte não precisam.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Luminoso

Se fossem brilhantes os meus pensamentos, pareceria um quasar.

Toca

Espero sempre que o telefone toque. O telefone sobressalta-me sempre.

Estética

Perguntei à puta por que usa botas de salto e plataforma. Respondeu-me que era para ficar elegante. Concluo que há elegância e humor em ficar-se com ar de puta.

Verbo ser

Os amores são sempre. São presente ou passado ou futuro. Por isso é que são amores.
A nudez livre é um estado primário e de elevação. Antes de precisar da roupa. Depois de precisar de roupa. Ingenuidade e maturidade. Ausência de pecado.

Descarrilamento

O amor encalhado só se resolve com a sua destruição. O amor em pedaços não é absoluto e deve sempre à perfeição.

Escala

A vantagem da arte é não servir para nada e não ser importante. Aí está a sua especialidade.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Faz sol

video

É sexta-feira e eu aqui fechado. Lá fora pode ser Verão. E eu aqui fechado. As horas demoram-se. O dia está de sol. Cercado. Cercado por orelhas e olhas. Bisbilhotado. Uma enorme vontade. Vulcão. Uma gargalhada. Um desejo. O verbo ir. Lá fora está sol.

Ir e voltar a amar

video

Amei-te outrora. Desamámos. Amei-te depois. Morremos separados em sangue. Amei-te ainda há pouco. Desamaste-me. Amarei-te um dia. Amar-me-ás novamente. Um dia. Entre os dias de trás e os da frente não sei o que devo sentir.

A casa (2)

video

Construi a casa num sonho. O ruído entrou no sonho. O sonho ficou vazio. A água entrou no sonho. A loucura entrou no sonho. Quando ia a sair do sonho, sonhei que ficava e sonhava novamente. Sonhei e fiquei.

Antes assim

video

Não tivesse deixado o coração em Edimburgo talvez ingressa-se na caravana. Fico de pé à espera que passe para, então, subir a bordo. Vivo preso na liberdade. Antes isso do que livre numa prisão. Antes de pé em dor do que suplicante de joelhos. O que importa? Tenho o coração em Edimburgo.

Demasiado

video

Já aconteceu. Passou. A vida sem um ou sem o outro é insonsa. Noites de sono. Noites de insónia. Dor de cabeça. Dor de corpo. Muita água para depois. Que um não atrapalhe o outro.

Dancing with myself

video

Estou quase a conseguir. Daqui a nada já está. No final destas palavras. Dançarei sozinho. Dançarei e só saberei porquê. A vantagem dos trinta. Trinta e tal passos. Não está cá para dançar comigo. Mesmo sem ela danço. Estou quase a conseguir. Já danço. Consegui.

Passos perdidos

video
Se não tivesse já ido, dizia para ficares. Se tivesse ficado, dizia para ires. Na verdade, se estivesses, dizia para ficares. Entra-me pela vida ou sai-me da cabeça.

Love will tear us apart


video

É fatal que um dia nos havemos de nos entender. Então haverá novamente lágrimas. A separação une-nos. Há um amor prometido.


video

O teu Deus é melhor que o meu. Tens tudo e eu quase nada. Temos o mesmo Deus. Um só criador. A fé dum é maior que a do outro. Fé íntima. Um dia dormiremos. Um aprenderá a ter mais fé e o outro mais ainda. No novo acordar talvez tenhas menos e eu mais. Haveremos de ir e voltar, mas só no sono saberemos. Memória transitória e instrumental. Deus só justiça e bondade. Deus inteligente e amoroso. Fé íntima.


O teu Deus é melhor que o meu. Tens tudo e eu quase nada. Temos o mesmo Deus. Um só criador. A fé dum é maior que a do outro. Fé íntima. Um dia dormiremos. Um aprenderá a ter mais fé e o outro mais ainda. No novo acordar talvez tenhas menos e eu mais. Haveremos de ir e voltar, mas só no sono saberemos. Memória transitória e instrumental. Deus só justiça e bondade. Deus inteligente e amoroso. Fé íntima.

Natalidade

Jesus é filho de Deus. Jesus é filho de José. O Pai Natal é pai e vem no Natal. Quantos pais tem afinal o Menino?
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

quinta-feira, novembro 29, 2007

Quatro elementos

O Fogo vive na Terra. Como a Água vive na Terra. Como o Ar circunda a Terra. Só a Terra é a Terra e não conhece outro sítio que não a si própria.

Terra

A Terra-esfera é plana. Assim me dizem os olhos. Os meus olhos são esféricos e vêem em voo planado. O olhar flutua sobre as copas e mergulha nos rios. Tudo cabe no plano redondo da Terra.

Magia e sortilégio

Não fosses tu a rainha da Noite, das minhas noites em claro, e não estaria agora a carpir as dores da solidão.
Avanças com os passos de tristeza duma alma penada, perfuras a sombra e a escuridão, para me resfriares o corpo, cortar-me o sono, assustares-me com surpresa e tremeres-me a voz e o jeito com a antítese da esperança.
Algumas vezes vi o teu sorriso no rosto austero. Foi antes de te ires. Um dia foste. Foste no dia seguinte ao repouso. Foste numa tarde e levaste a luz do dia. É desse dia que me lembro quando me quero esquecer de ti.
Vejo-te mais do que queria, quando sonhas. Quando sonho. Vejo-te em sonhos. Como todos os sonhos. Chegas-te como alma penada, um fantasma escondido da luz. Vens como a miragem da memória feliz.
Há qualquer coisa de alegria na minha tristeza de ti. Uma centelha de luz. A luz bastante para te recortar o corpo e revelar o rosto sério. Há uma felicidade feita de tempo e algumas certezas. Um luto de veludo negro e escarlate.
Ainda que me doas, há hoje uma felicidade. Canto-te, porque és rainha da Noite, das minhas noites de insónia. Canto-te, porque a alvorada não tarda e delas fugirás como todos os fantasmas.
Sim, canto-te. Canto-te. Porque um fantasma vive. Vives em mim. Nas aparições frias e súbitas. Canto-te feliz, porque sou capaz de cantar. Canto-te com a alegria de quem não ama, mas sabe do amor eterno do passado.
Há alegria no luto. A carne arrancada é carne que já não dói. Sente-se a ferida da ausência. Tudo vai e carne perdida é pedaço dos outros. Por isso há estrelas.
O Sol um dia será uma anã. Um dia voltarei à Terra. Um dia deixarei de ser o teu fantasma. Quiçá um dia tomaremos do outro o amor negado. Não fosses tu a rainha da Noite, das minhas noites ébrias, não seria eu o papagaio dos mesmos dias de amor passados.














Get this widget |Track details |eSnips Social DNA















Get this widget |Track details |eSnips Social DNA

quarta-feira, novembro 21, 2007

O jardim

Até ali há uma sebe bem aparada. Depois começa o verde natural e ao fundo de tudo o lago, a poça grande, há quem prefira dizer assim. O jardim tem o jeito negligente e chique, despenteado a modo que se entenda o charme.
Desalinhados são os passos pensativos. De vez em quando, os olhos atiram-se para o chão e vão seguindo o caminho de areia escassa e raras pedrinhas.
Não se deve olhar o chão. Ver onde se põem os pés. O velho, o rapaz e o burro. Pensa-se melhor com os olhos confortáveis, estejam fixos, fechados ou em voo, rasante ou celestial. Quando se pensa quase nem se repara no horizonte da vista.
Sobre as sebes, sob as árvores, sobre tudo, as aves fazem tangentes e secantes, mas nunca intersecções. Parece que o odor tem ruído e o som tem aroma. Distraídas passam as mãos pela sebe, mais do que os olhos.
Distraídas passam as mãos pela sebe. Mais concretos são os passos. Os passos não têm objectivo. Há uma música muda. Há uma música só na memória. E há a música do envolvimento.Depois do que fica depois do verde natural e do lago há um muro, depois da barreira de árvores grandes. Talvez plátanos. Talvez tílias. Depois do que fica depois, depois das últimas árvores e do muro, fica o que não interessa.
Moby - Porcelain.w...

terça-feira, novembro 20, 2007

Movimento

Quanto falta para chegar? A paisagem chega pela frente e deforma-se na vista de quem a vê passar. No carro. No carro, a rádio e a solidão inquieta. Pressa. Desejo de chegar e usufruto do prazer indefinível de ir.
A vingança. O corte do ar e dos sítios como uma faca. Metal opaco. Sem uma gota de sangue. Gotas de chuva no pára-brisas. Suor da natureza. Metal sensível. Desejo de chegar e usufruto do prazer indefinível de ir.
A carnificina de insectos só cessa no fim. No último rodado. Foge lebre. Foge cão. Foge gato. Fujo para a frente. Fujo sabendo do que fujo. Fujo sabendo do que não sei. Desejo de chegar e usufruto do prazer indefinível de ir.
Quanto falta para chegar. Distância igual à de partir.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Hugo Chávez 0 x Juan Carlos 5

video
Enquanto mandas outros desobedecem. Se te enfrentam feres. A tua boca infame morde naqueles que acusas de atitudes como as tuas. A tua desfaçatez não engana. Já todos sabem da besta que és. Ainda assim continuas a falar.

domingo, novembro 18, 2007

Pelo vinho

Por que há-de a família ser feliz se a felicidade não vem dos genes? Para isso há o vinho. Por que há-de a família ser infeliz se viver não é triste? para isso há o vinho.

Uma luz em particular

A luz de Alice é a dum país de maravilhas. A luz da memória. Quando o passado é luminoso o presente é de sombra. O futuro é a noite. A noite fica além da vida e Alice sabe-o. À noite reza-se. À noite vai-se. A noite é tempo de consciência. À noite acertam-se as contas. À noite fazem-se novas promessas para que haja esperança pela manhã. Volta-se pela manhã. A luz de Alice faz sombras profundas, é uma janela para a noite.
Get this widget Track details eSnips Social DNA

Get this widget Track details eSnips Social DNA

Ir e ficar

Enquanto voas para sítios de deslumbre, vou para onde não há interesse nenhum.

terça-feira, novembro 13, 2007

Afinal

Deus está no céu. Deus está em toda a parte. Deus está em nós. Alguém se decide onde está?
Deus é Pai. Deus é Filho. Deus é Espírito Santo. Afinal, quem é Deus? O rementente, o correio ou a encomenda?
Sei as respostas, mas não as digo.
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

segunda-feira, novembro 12, 2007

Já dei

Já dei. Para ti e para todas. As outras não interessam. Agora. Para esta conversa.
Já dei. Para ti. Agora vivo na ilha. Há outra ilha, aquela onde nos encontraremos um dia. Uma noite.
Antes era um e um. Depois fomos dois. Agora somos um e um. Um dia outras contas serão. Um dia faremos contas. Um dia. Um dia. Saudade. Raiva. Saudade.

Get this widget Track details eSnips Social DNA

Ainda que seja só uma miragem

Sinto que o mundo foi feito para mim. Não para reinar. Sinto-me a carregar todas as dores do mundo. Porque há pessoas com sina e outras acessórias. Porque para uns tudo sorri e alegra. Porque para outros só vem tristeza. Carrego com o mundo, sinto-o. A minha vida é uma mentira ou aparência.
Sinto o meu corpo fraco para carregar o peso do mundo. Mas há uma ilha. Uma miragem. No esforço do penar faço a desistência. Porque agora encolho os ombros e esqueço-me. Na ilha. Curto a bom curtir como se não houvesse amanhã.
Na ilha. Há a música. A adição da música. O mundo cabe na ilha. Na ilha há a música. Há droga alucinogénica. Há placebo. Curto a bom curtir como se não houvesse amanhã.
Amanhã não carrego com o mundo. Acredito. Acredito na ilha eterna. Lugar de música e sem amanhãs. Não carrego com o mundo e dali não vou sair. Não há dores. Há placebo.
Canteloupe Island ...

Até lá

Ontem contemplávamos o horizonte. Era amor. Agora estamos sem horizonte. Cada um olha por si. Olhássemos para diante. Olhamos para Poente. Onde esteve o horizonte há uma ilha, a outra vida. Encontraremos-nos lá.
Get this widget Track details eSnips Social DNA

A vida é um círculo

Não há improvável. Não é provável que Deus se tenha esquecido de algo.
Ben Charest - Bach...