digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quinta-feira, julho 30, 2009

terça-feira, julho 28, 2009

Valha-me um santo qualquer

A reputação ajuda, mas não salva ninguém dum engulho... principalmente quando bem intencionado. A ignorância é imune à reputação e a educação verga-se à realidade.
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Nota: Só para dizer que outro dia serviram-me Porta da Ravessa e questionaram-me, amavelmente, se não era bom. Ainda era para ter vindo Esteva, mas aí guardei a educação no saco e disse que preferia água.

Letra O


domingo, julho 26, 2009

Sina, a minha

Sóbrio sou monárquico. Gosto da noite e à noite gosto de vinho. Com uma pinga oiço fado e canto, quero ir aos touros, montar a cavalo e sonhar com ser toureiro. Que vida esta, a minha.

Fazer chorar as pedras da calçada


Não me apetece música com refrão. Nem dias de Sol sem praia. Nem namoradas invisíveis. Nem amigas coloridas. Nem amigas imaginárias.
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Deixei os meus dias na década de oitenta. Perdi a inocência na década de noventa. Perdi as ilusões na primeira década do século. Serei absolutamente adulto na segunda decúria. Sem saber o que fazer da vida. Como todos, sem saber da vida.
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Já não vou a festas na praia nem tenho convites para todas as celebrações da cidade. Perdi uma fortuna em coisas sem sentido. Estou na recta para um infinito, retroceder não é opção e a esperança uma ausência. Um rádio mudo no oceano.
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Tenho a cabeça onde a deixei há uma década. Tenho inveja dos anos antes e nostalgia pela adolescência. Sem senhora nem escrava ou parceira.
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Não me apetece música com refrão e já não se usa sem. No Verão sem praia, sem futuro na cidade e sem vontade.
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Mais uns meses e terei a idade sem retorno para ser adulto pelo padrão moderno. Há muito que poderia ser pai. Mas a vida. Mas a vida. E até agora para chegar à maturidade. Toda esta vida. Uma vida de refrões. De lugares-comuns. De objectivos. De fracassos. O zero quase absoluto. Nem no zero!

O pior de tudo

O tempo da dor passa devagar. As décadas da dor atingem-se velozes. O pior de tudo. Depois há a minha e a da outra. A que me causou e a que causei. A dor de causar e a de receber a injustiça. O pior de tudo. Sofrimento prolongado em vida acelerada.

Diálogo

- Epá, o que tens?
- Estou farto!
- Farto? Farto de quê?
- De viver…
- Morrias e, então, o que farias?
- Estaria morto.
- Não, viverias.
- Então, para que serve a morte?
- Não sei, talvez para viveres... ou descansares depois da vida...

Letra M







domingo, julho 19, 2009

Labirinto

Tenho a cabeça colada num passado por ultrapassar. Como num labirinto sem mapa, escuro e insonoro. Como uma perversão sexual. Como uma orgia. Como uma fantasia dramática. Lá fora pode estar sol. Dentro das paredes deste palácio não se vêem facilmente os jardins. Lá fora, há outro labirinto, de sebes. Há a sombra de laranjeiras e a visão do olival. Contudo, estou fechado, preso no labirinto do passado e ao desejo de ficar, esperando que a saída me encontre.
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Nota: Pensei também ilustrar o texto com uma imagem do Palácio da Bacalhôa. Podia ter sido.

Letra F


sábado, julho 18, 2009

Longe





















Estou a doze mil milhões de palavras dum estado qualquer de felicidade. Analfabeto e mudo, vou conscientemente arranjando composições de sílabas. Nem de três palavras terei sido capaz. Esmagado, arranjo escusas para a não desistência e invento metas para estabelecer o final das tentativas. Chama-se a isto amor à vida? Não, apenas preguiça de ir à morte.

Letra E


sexta-feira, julho 17, 2009

Deserto para sair de mim


Ela acompanha-me sempre como um anjo ou um demónio. Está quando me esqueço e quando me lembro faz-me sinal para me lembrar mais. Já fugi e desisti. Apertei e soltei os sentimentos e lembranças. Penso que faz parte de mim como um braço ou o fígado. Um amor que rejeita o corpo. Um amor vampírico, liana oportunista, sanguessuga. Fui muitas vezes para longe, mas a carga que levei voltou. No silêncio dos retiros, a voz dela eleva-se e apresenta-se insinuando-se. Na confusão e no burburinho choca de frente e aperta-me os olhos e coração. Já fugi e desisti muitas vezes. Fugir de mim não resolve. Sei que mesmo desistindo de mim ela estará comigo, como um anjo ou um demónio. É ora maldição ora consolo. Já não existo sem ela, sua dor e contentamento.

Letra D


quinta-feira, julho 16, 2009

Letra C


Factos sem contestação


Há coisas que não se podem negar, como a de estar apaixonado por ti,Adicionar imagem a de desmentir o amor por ti e a de negar o desmentido.
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Há palavras que não se dizem e outras que não se dizem por dizer. Outras ainda que nem a sonhar se dizem. Talvez murmuradas, em silêncio, ao ouvido de quem se ama e confia.
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Um dia verás que o que te digo é verdade. Pelo menos para mim, há unicórnios e bosques perfumados por flores exóticas e frutos de sabores conhecidos.
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Um dia se atravessará o rio dos desafios, entre as duas margens do sonho. Terras de céu lilás e azul profundo. Céu de constelações e noites eternas de olhos acordados.
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Há coisas que não se podem negar e outras que não se conseguem provar. Sem a oportunidade fica a verdade por dizer. Os beijos por dar magoam tanto quanto os que se deram em sacrifício e contrafeitos. Beijos suspensos da palavra.
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Um dia, num futuro suspenso no espaço-tempo, projectado no planetário por caleidoscópio, a verdade revelar-se-á. Há coisas que não se podem negar. Não há palavras que fiquem por dizer, beijos por dar ou segredos por revelar.

terça-feira, julho 14, 2009

Dias abrasivos, amores

Na pasmaceira dos dias de todos há dias de amor tórrido. Na minha vida de tédio houve lugar para amores, abrasivos e rápidos.
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Há amores para guardar. Tenho amores para esquecer. Se são para esquecer é porque insistem em lembrar-se. Quendera poder lavar a cabeça por dentro e de lá tirar todos os dias infelizes.
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Fico esquecido tentando ser lembrado. Do que preferem não lembrar. Apesar da infelicidade ainda tenho a ilusão da felicidade. E a esperança de que alguém tenha sido feliz comigo.

Letra A

Letra Z




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Nota: Reparem como é medonha esta pintura... e o gajo é profissional das artes!... Parecem as pinturas da Dona Eulália, que é muito esforçadinha e aplicada, primorosa e apaixonada, muito empenhada no seu curso de pintura por correspondência. Se gostarem muito e manifestarem interesse posso mandar-vos por email. Não as apago todas, porque, um dia, pode vir a dar jeito... como agora.

domingo, julho 12, 2009

Letra W




















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Nota 1: Como vêem, repus a justiça e postei uma letra «W», ainda que fora da ordem. Reparem também que se passou domingo e segunda-feira sem que tivesse aparecido o que quer que fosse... mas... por magia apareceu a posta como se tudo se tivesse passado de forma católica.
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Nota 2: Reparem como este quadro é pavorosamente piroso e até naïf.

sábado, julho 11, 2009

Letra X





















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Nota: Como devem ter reparado, saltei uma letra. Já reponho a justiça e posto um «W». Espero que não volte a acontecer, pois quero mesmo muito aprender o alfabeto... é que quando aprendi só havia vinte e três letras.

quinta-feira, julho 09, 2009

Palavras
















Os escritores têm o pavor da página em branco. Eu, que sou só candidato amador, tenho da página negra. Tenho de mudar a cor ao blogue.

Em que ficamos?

















A sofreguidão em criança. A voragem na juventude. A impaciência aos vintes. A segurança dos adultos. A insegurança na meia-idade e a serenidade mais tarde. Calma e explosão na velhice.

Letra U

terça-feira, julho 07, 2009

Vaidade


















A minha vaidade vê-se ao espelho e não gosta do que vê. Não é humildade, é fealdade absoluta. Quendera acordar deste sonho.

Sonhar mentiras













Comecei a mentir enquanto durmo. Já me encontrei dezenas de desconfianças, incertezas e mentiras.
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Nota: Este quadro já tinha sido postado, mas neste contexto teve mesmo de ser. Esta reprodução é também melhor que a anterior.

Partidas e chegadas












Já cheguei e ainda agora estou aqui.