digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
segunda-feira, julho 04, 2016
Olhei
quinta-feira, junho 30, 2016
Arcanjo
quarta-feira, outubro 14, 2015
Nome próprio, Verdade
terça-feira, julho 16, 2013
As gatas
segunda-feira, julho 15, 2013
Como o achigã. Como o alabote.
domingo, maio 01, 2011
E agora?

Amas, amarás, amaste. Não. Por que não? Porque sim! Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que não me beijaste? Por que te senti? Senti a falta. Agora sei que sentiste. Mas não sabes que sei.
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Por que não me perguntaste? Procurei-te. Vi-te. Viste-me. Ouviste-me. Não me respondeste. Não ignoraste, não respondeste. Aprendi? Não, não aprendi. Amo-te? Amei. Amas? Não amarei. Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que me recusaste?
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O cigarro atrás do outro. A cigarrilha. O escândalo à varanda. O funeral sem corpo. A morte sem corpo. Mais pesado que um cortinado de veludo.
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Além do estudo. Além da promessa. Afinal a mentira, depois da descoberta. O estudo…
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Não te esqueci. Não poderei, porque há uma morte para lembrar. Sei que sabes, ainda que sempre digas que não. Não me esqueceste, pelo que nem me dizes que não. Como poderei?
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Não te esqueci. Como poderei, depois de tudo e do amor também?
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Como poderei esquecer esses olhos de água? A fúria em rosto de tranquilidade… o desvario e a preocupação, esta que nem desconfiei. Se amei? Amei!
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Se amo? Amei. Como quase amei tanto quanto outro alguém. Se doeu a perda? Doeu, mas menos do que perder alguém. Se morri? Morri, um pouco, ao saber que para ti tinha morrido e agora ainda mais por saber que te não morri.
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Agora, agorinha mesmo… beijar-te-ia. Concedendo-te o perdão que não pediste nem pedirás nem queres. Para sempre, nesta vida, desavindos… beijar-te-ia. A ti, que quase pensei seres o amor da minha vida. Certamente por não me lembrar do amor da minha vida.
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Beijar-te-ia. Amarei sempre, porque amo sempre a quem sempre amei. A uma mais, mas a ti também. A ti que pensei que viesse a amar mais do que quem mais amei.
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Beijar-te-ia? Agora? Sim! Agora. Novamente. Por saber que, afinal, perguntaste por mim.
sexta-feira, abril 22, 2011
A flor amarela

Não sabia que as flores podiam odiar. Perdi um bocado de mim. Tenho no meu tronco um túnel, coisa redonda perfeita, sem nada dentro. Perfeitinho. Calcinado. Vê-se como se fosse de cimento, mas menos rugoso. Totalmente liso e macio. Levou-me a flor. Não encontrou o coração, que esse há muito teve independência. Mesmo lá no Norte, em Edimburgo, bate sentido. Quando sente a alma, sente ele. Que mal terei feito, crime grave. Fui fértil. Desejei e amei. Hoje sou o estrume que alimenta o ódio ou o desprezo ou a negação ou qualquer coisa cuja sombra espeta. Fiquei a saber que as flores mentei e odeiam. Deve ter sido grande o amor por mim.
quinta-feira, julho 01, 2010
Gata, gatinha, canalha, que não voltas

Tive uma namorada, nos dias mais fáceis, que era uma gata. Por causa dos olhos verdes, pela expressão serena e inteligente, pelo maneirar gato, em imitação perfeita dos seus banhos, pelo desapego sentimental aparente. Um dia abri-lhe a janela e saiu com a natural leveza das patinhas. Não lhe perguntei onde ia nem se voltava. Como gato livre, foi-se pelos telhados. À Lua viverá, sem dúvida, enquanto eu fico no beiral frente ao vento na esperança de ver o seu salto delgado e ágil. Como gato que abandona o dono, a minha gata já nem olha para mim.
domingo, novembro 08, 2009
Em poucas linhas
A vida vai toda em poucas palavras. Só por transtorno dizemos demais. Só por vaidade a escrevemos. Só por piedade a poupamos a outros.
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A minha vida contigo é ainda mais curta. Talvez nem valha estas linhas. Tu vales. A nossa vida não.
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Sempre fomos um amor pequenino. Queria-lo em botão. Queria-o como uma conífera. Não foi por isso, mas por um amor novo.
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Um amor novo morto antes da chegada. Não há dia que não me lembre desse amor novo no nosso amor novo.
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Ficámos a meio dum beijo.
sábado, maio 16, 2009
Asas
quinta-feira, março 26, 2009
Os nossos corpos amantes e abandonados
Apesar de tudo tenho saudades tuas. Como se guardasse com agrado as dores que me deste. Há sempre este Sol tão forte, o estio, as searas loiras e as ervas babosas… E nós que não nos conhecemos no campo nem o desfrutámos… havíamos de ter estado lindos a fazer amor nas charnecas.Ao Longo De Um Claro Rio De Ág - Né Ladeiras
sábado, março 07, 2009
domingo, março 01, 2009
Doidas, doidas, andam as galinhas
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Nota: Toda a arte contemporânea parece ter nascido na fonte dada… e nela fui beber a flor amarela.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Língua - Conversa improvável ou verdadeira entre duas mulheres
domingo, dezembro 21, 2008
O outro amor da minha vida
Gosto em ti a gravidade que se sente e puxa para o desconhecido. Este desejo suicida causa delírio. Quero contrariar a tua essência, não para que fiques menos perigosa, mas mais indiferenciada. A tua pessoa cria energia mecânica com os meus sentimentos. Isto há-de levar a alguma coisa, entre de perdição de ir e a de ficar.quarta-feira, dezembro 10, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
Can can

Foi há um ano ou dois e mais uns meses. Estavas feliz e eu, triste, estava feliz. Havia Champanhe ou imitação alegre de espumante. Depois acabou. Foste e fiquei. Ficaste e fui. Sonho-te triste, mas estarei errado. Estou ainda triste, mas agora não estou feliz. Às vezes sonho-te, apenas acordado. Ainda outro dia te mandei uma mensagem, não respondeste.
Can can
Foi há um ano ou dois e uns meses. Havia festa, nessa altura. Não me lembro se gostava de pôr vírgulas. Ponto. Havia Champanhe ou feliz espumante português. Estavas feliz e eu também. Hoje sonho-te entristecida, mas talvez estejas feliz. Ontem estava feliz, embora triste, e hoje apenas triste. Às vezes lembro-me de ti. Depois esqueço-te. Ainda outro dia te mandei uma mensagem. Não respondeste.








