digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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segunda-feira, julho 04, 2016

Olhei

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Há dez anos numa noite numa praia num atrevimento numa cama.
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Começo do final abrupto. Da morte e do morrer.
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Da morte se regressa. Da vida se regressa.

quinta-feira, junho 30, 2016

Arcanjo

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Disse o que disse e disse o que quis e só isso é digno de ser dito.
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Não te enganei nem me enganaste mas enganei-me e fiz com que te enganasses.
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O que seria nós se a luz viesse e se perdurasse onde estaríamos e enganos.
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Disse ainda ouviste-calaste em segredo quiseste e morri.
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O que seria nós se a luz viesse.
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Do desencontro viria o encontro com a luz só menos bela que a angelical.

quarta-feira, outubro 14, 2015

Nome próprio, Verdade

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Disse-me:
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– Ai que piroso… são só meninas atrás de ti.
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Disse-o no ciúme calmo de quem não teme e reafirmando não namorar comigo.
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Escrevi:
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– A minha namorada não namora comigo.
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Amor curto e intenso e não sei se valeu, por tão curto e intenso. Deitei a perder e desastrada ajudou-me.
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A namorada que não namorava comigo dizia:
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– Na vida há um grande amor e depois uma série de pequenos amores.
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Talvez dissesse dois ou até três, fixei um, é o mesmo.
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A paixão consome-me e se não fujo – raríssimo – o amor é grande. Matei muitos e fugi mais. Se não me aturo…
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É quanto valem esses seis ou sete meses de dores esquecidas.
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Talvez tivéssemos, os dois, razão: amores pequenos e sempre um grande amor.
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A avó era pintora e o pai respeitava-a. Tinha pais e biológicos. Nunca fui à casa de Tomar. Na praia tremi adolescente quando a mensajava ao subir ainda sem degraus.
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O que fiz. Fomos à praia e comemos frango assado na estrada por onde se vai.
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Um segredo maior do que outro. Não fui a Tomar, a avó era pintora e talvez tivéssemos razão.

terça-feira, julho 16, 2013

As gatas

Não me deixo dormir. De manhã não me deixo acordar.
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Até lá, um cão possessivo e omnipresente, como um polícia político, dorme ao pé de mim. Tenho saudades das gatas.
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A televisão, confidente e enfermeira, ligada só porque a tenho, como sempre, todas as noites, até adormecer, até de manhã.
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Uma gata tem chorado nas noites, a chamar por mim. Quase todas as noites e outra não se cala quando me vê. A terceira chama à atenção cagando fora da caixa.
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O cão anda atrás de mim, como uma mãe zelosa que persegue a virgindade da filha, primorosa e única.
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A gratidão do cão por o levar à rua é menor do que as saudades que eu e as gatas sentimos. É patético e consolador. Quendera me desse algum ar. Pobre cão, mulher gato-sapato de bêbado e putanheiro.
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Não me posso fechar sem o cão, porque gane e chora, como a mãe que vê o filho emigrar para a estranja. A mãe enlevada no seu filhinho-mais-que-tudo, que não tem mal nem pecado.
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Um cão é um cão e os gatos são pessoas. Gosto mais de pessoas quadrúpedes do que de animais. Mas gosto do cão.
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O cão é o meu carcereiro e sofro de síndrome de Estocolmo.
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Quando lhe vejo os olhos, com a ternura eterna e grata dos cães, e observo o manear de cabeça... meu Deus, como não amar este ser...
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Porém, as gatas e a saudade.

segunda-feira, julho 15, 2013

Como o achigã. Como o alabote.

Dizer amor, dizer mentira, dizer mistérios. Dizer dinheiro, dizer saúde, dizer juventude. Dizer Deus e não dizer Diabo. Dizer razão, dizer beijo. Dizer tempo, dizer brevidade, dizer eternidade.
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Não tem nada a ver, mas tem vida. Dizia o Eduardo que andava tudo ligado. Que fazer se somos apenas únicos e cada um não se repete. Dizer vida.
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Dizer para não dizeres. Que me disseram que disseste, que era para o meu bem. Que disseste para não me dizer. Que perguntaste, que perguntei, que perguntei se perguntaste, que perguntaste se perguntei. Não digo mais nada. É pior, é melhor, é o que Deus quiser, é o que seja, nem que seja Buda.
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Um abismo, não há palavras. Nem de amor que unam. Nem que separem. Abismo de cair, de não voltar. Silêncio e uma outra vida.
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A loucura dos beijos, loucura de dias e noites. Acerto de tudo o que não fez sentido. Uma carta de amor por entregar.
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Não expliquem. Não expliques. Não entenderei, só à luz da morte e da renascença. Contas por acertar e vidas para justificar. Tristeza que deu.
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Fiquei de te escrever uma carta de amor. Ficaste de não a receber. Ficámos sem falar. Antes fosse falar por falar. Qualquer coisa que não silêncio.
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Disse que não te dissessem. Disseste para não me dizerem. Não dissemos. A vida ficou a meio e ainda assim continuou.
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A Primavera não tem nada a perdoar. O Inverno perdoa tudo. Entre o Verão e o Outono tudo acontece. Assim aconteceu. Às vezes acontece. E a vida mudou. Mudámos, mudamos.
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Esta não é a carta de amor que fiquei de te escrever. É aquela que prometeste nunca querer receber. No fundo, a vida.
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Como o achigã, não sou daqui. Como o alabote, ninguém sabe. Só podia ser, então. Porém, há as contas. A certeza dum dia, depois da vida.
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Não é fácil de entender. É fácil, não é?

domingo, maio 01, 2011

E agora?





















Amas, amarás, amaste. Não. Por que não? Porque sim! Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que não me beijaste? Por que te senti? Senti a falta. Agora sei que sentiste. Mas não sabes que sei.
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Por que não me perguntaste? Procurei-te. Vi-te. Viste-me. Ouviste-me. Não me respondeste. Não ignoraste, não respondeste. Aprendi? Não, não aprendi. Amo-te? Amei. Amas? Não amarei. Por que não me perguntaste? Por que perguntaste por mim? Por que me recusaste?
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O cigarro atrás do outro. A cigarrilha. O escândalo à varanda. O funeral sem corpo. A morte sem corpo. Mais pesado que um cortinado de veludo.
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Além do estudo. Além da promessa. Afinal a mentira, depois da descoberta. O estudo…
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Não te esqueci. Não poderei, porque há uma morte para lembrar. Sei que sabes, ainda que sempre digas que não. Não me esqueceste, pelo que nem me dizes que não. Como poderei?
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Não te esqueci. Como poderei, depois de tudo e do amor também?
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Como poderei esquecer esses olhos de água? A fúria em rosto de tranquilidade… o desvario e a preocupação, esta que nem desconfiei. Se amei? Amei!
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Se amo? Amei. Como quase amei tanto quanto outro alguém. Se doeu a perda? Doeu, mas menos do que perder alguém. Se morri? Morri, um pouco, ao saber que para ti tinha morrido e agora ainda mais por saber que te não morri.
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Agora, agorinha mesmo… beijar-te-ia. Concedendo-te o perdão que não pediste nem pedirás nem queres. Para sempre, nesta vida, desavindos… beijar-te-ia. A ti, que quase pensei seres o amor da minha vida. Certamente por não me lembrar do amor da minha vida.
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Beijar-te-ia. Amarei sempre, porque amo sempre a quem sempre amei. A uma mais, mas a ti também. A ti que pensei que viesse a amar mais do que quem mais amei.
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Beijar-te-ia? Agora? Sim! Agora. Novamente. Por saber que, afinal, perguntaste por mim.

sexta-feira, abril 22, 2011

A flor amarela





















Não sabia que as flores podiam odiar. Perdi um bocado de mim. Tenho no meu tronco um túnel, coisa redonda perfeita, sem nada dentro. Perfeitinho. Calcinado. Vê-se como se fosse de cimento, mas menos rugoso. Totalmente liso e macio. Levou-me a flor. Não encontrou o coração, que esse há muito teve independência. Mesmo lá no Norte, em Edimburgo, bate sentido. Quando sente a alma, sente ele. Que mal terei feito, crime grave. Fui fértil. Desejei e amei. Hoje sou o estrume que alimenta o ódio ou o desprezo ou a negação ou qualquer coisa cuja sombra espeta. Fiquei a saber que as flores mentei e odeiam. Deve ter sido grande o amor por mim.

quinta-feira, julho 01, 2010

Gata, gatinha, canalha, que não voltas




















Tive uma namorada, nos dias mais fáceis, que era uma gata. Por causa dos olhos verdes, pela expressão serena e inteligente, pelo maneirar gato, em imitação perfeita dos seus banhos, pelo desapego sentimental aparente. Um dia abri-lhe a janela e saiu com a natural leveza das patinhas. Não lhe perguntei onde ia nem se voltava. Como gato livre, foi-se pelos telhados. À Lua viverá, sem dúvida, enquanto eu fico no beiral frente ao vento na esperança de ver o seu salto delgado e ágil. Como gato que abandona o dono, a minha gata já nem olha para mim.

domingo, novembro 08, 2009

Em poucas linhas

A vida vai toda em poucas palavras. Só por transtorno dizemos demais. Só por vaidade a escrevemos. Só por piedade a poupamos a outros.
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A minha vida contigo é ainda mais curta. Talvez nem valha estas linhas. Tu vales. A nossa vida não.
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Sempre fomos um amor pequenino. Queria-lo em botão. Queria-o como uma conífera. Não foi por isso, mas por um amor novo.
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Um amor novo morto antes da chegada. Não há dia que não me lembre desse amor novo no nosso amor novo.
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Ficámos a meio dum beijo.

sábado, maio 16, 2009

Asas


Quanto mais queres voar, mais te vou tentar prender, mais vais querer voar. Quanto mais te deixar voar, mais vais querer voar, mais vais voar. Nunca serás minha.
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Nota: Esta deve ser prima da outra.

quinta-feira, março 26, 2009

Os nossos corpos amantes e abandonados

Apesar de tudo tenho saudades tuas. Como se guardasse com agrado as dores que me deste. Há sempre este Sol tão forte, o estio, as searas loiras e as ervas babosas… E nós que não nos conhecemos no campo nem o desfrutámos… havíamos de ter estado lindos a fazer amor nas charnecas.


Ao Longo De Um Claro Rio De Ág - Né Ladeiras

domingo, março 01, 2009

Doidas, doidas, andam as galinhas

Loucura foi de dezasseis a vinte e dois. Loucura foi a frente de batalha, e os dias de quem os aturou. De loucura foram os anos vinte e de quem os surrealizou. Loucura foi de trinta e três a quarenta e cinco. Em doidos se deram de quarenta e cinco a sessenta e tal. Na loucura foram os anos sessenta. Por enquanto, és neta e filha duma geração. Se a tua loucura não nos agitou, é porque és apenas galdéria.
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Nota: Toda a arte contemporânea parece ter nascido na fonte dada… e nela fui beber a flor amarela.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Língua - Conversa improvável ou verdadeira entre duas mulheres





















- Sempre te tornaste lésbica?
- Não.
- Então continuas a gostar de homens?!
- Sim, claro.
- Mas querias tanto ter uma aventura lésbica...
- E tive. Eu sempre sonhei com isso, tinha a certeza que teria de experimentar.
- Então?
- É bom!
- Melhor do que com um homem?
- É diferente.
- Diferente? Diferente como? Há uma parte que é óbvia...
- Também há envolvimento, mas é diferente.
- Sim, não há um pénis, mas duas vaginas.
- ... Com tudo o que isso implica.
- Mas é bom? Gostaste?
- Gostei!
- O que tem uma mulher que um homem não tenha? Além do pénis...
- Língua. As mulheres têm língua.

Apeteceu-lhe




















- Apetece-me ter uma experiência lésbica.
- Por que não rapas antes o cabelo?

domingo, dezembro 21, 2008

O outro amor da minha vida

Gosto em ti a gravidade que se sente e puxa para o desconhecido. Este desejo suicida causa delírio. Quero contrariar a tua essência, não para que fiques menos perigosa, mas mais indiferenciada. A tua pessoa cria energia mecânica com os meus sentimentos. Isto há-de levar a alguma coisa, entre de perdição de ir e a de ficar.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

A varanda florida

Conheci-te por dentro. Dentro de tua casa o vento livre. Fora, o mesmo frio. E tu quente por dentro. Não conheci a varanda florida, porque só me lembro do Verão e do Inverno. O nosso amor morreu antes da Primavera. Desperdício de beijos.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Can can





















Foi há um ano ou dois e mais uns meses. Estavas feliz e eu, triste, estava feliz. Havia Champanhe ou imitação alegre de espumante. Depois acabou. Foste e fiquei. Ficaste e fui. Sonho-te triste, mas estarei errado. Estou ainda triste, mas agora não estou feliz. Às vezes sonho-te, apenas acordado. Ainda outro dia te mandei uma mensagem, não respondeste.

Can can

Foi há um ano ou dois e uns meses. Havia festa, nessa altura. Não me lembro se gostava de pôr vírgulas. Ponto. Havia Champanhe ou feliz espumante português. Estavas feliz e eu também. Hoje sonho-te entristecida, mas talvez estejas feliz. Ontem estava feliz, embora triste, e hoje apenas triste. Às vezes lembro-me de ti. Depois esqueço-te. Ainda outro dia te mandei uma mensagem. Não respondeste.

terça-feira, outubro 21, 2008

Caminhos

Uma música de vento diz-me que tentaste não chegaste a mudar. A tentação por cumprir. Diz-me a mesma canção que não te chegaste a definir. Questionas: Por que escolher um de dois caminhos se se pode seguir pelos dois? És a mesma, não mudaste, mas só tu sabes se o vento diz errado.