digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sonho feliz de luar

O sonho feliz não é diferente da noite do nosso casamento ou daquela do baile em que nos conhecemos.
O aroma salgado da tua pele, profunda e misteriosa, cujos segredos e reentrâncias conheço, lembra-me o daquele mar nas noites de Verão, quando dançávamos amorosos e sem limites. Tu és tudo e o todo.
Confundes-te com o Verão e a memória feliz dos dias. Ainda que hoje as feições estejam diferentes, és a mesma menina feliz e sensual que me inquieta o corpo e assalta a respiração.
O sonho feliz tem-te sempre dançante, encostada a mim ou fintando-me, seduzindo-me. Tem-te com esse odor de mar e é sempre noite, é sempre a nossa noite de núpcias e há sempre a promessa de felicidade eterna. A vida não mente: fomos feitos um para o outro e nunca nos desiludimos. Nem mesmo em sonhos.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Vanitas

Ainda vivo, pelo menos julgo-me respirar. Talvez respire. Espero a festa e os convidados. Não sei quando virão. Na verdade nunca se sabe se virão. Ainda vivo. Na verdade, vivo sempre. Quando penso na eternidade duvido da vida. Quando penso na vida tenho a certeza da eternidade. Não tenho certezas, é a minha certeza. Tenho a certeza da vida. Tenho a certeza da vida eterna. Quem me dera ter a certeza da memória eterna, que o meu nome se perpetuasse luminoso para todos e no futuro.
Na verdade, ainda vivo. E espero. Espero pelo baile e pelos convidados. Pelo menos, julgo-me respirar. Tenho a certeza da vida. A minha única certeza, a eternidade.