Local onde se apreciam entediadamente obras de arte.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
quinta-feira, abril 30, 2026
quarta-feira, abril 29, 2026
terça-feira, abril 28, 2026
segunda-feira, abril 27, 2026
Irresistível como uma inglesa a falar francês
Chegava – às vezes olazava o pai e noutras ele dormia. Bife na frigideira, bastava aquecer, e bata frita mortiça e saborosa. Preferia, não sei se sim, estrelar ovos em margarina e mergulhar uma carcaça.
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O prato num toalhete, copo de água à direita e a câmara dois em frente. Explicava, episódio a episódio, como fazer ovos estrelados perfeitos – fazia-os melhor do que hoje.
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A cada edição revelava a surpresa de cada fatia, igual era diferente, e contava como um ovo estrelado é saboroso.
domingo, abril 26, 2026
Jantar romântico para um homem só – revisitação
A minha memória já foi muito, mas
porém. Do que escrevi, sei pouco. Jantar só é só tortura, a comida apenas
alimento e nem há vinho convidado. Um dia.
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Lembro-me dele, tal viesse alguém
sentar-se comigo. Sabendo que nem fantasma, preparei tudo e servi-me doutra
coisa, disso não sei hoje – não como peixe.
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Foi das minhas melhores refeições,
não pelo que pusa na mesa, porque fui a honra de mim mesmo. Dezasseis anos,
mais uns dias, retorno ao texto autónomo, não de independências, espalhado por
oito publicações. Aliás, regresso ao consolo desse jantar.
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Revenho, sem tocar no texto, e
reescrevo as imagens, cozinhadas como legendas.
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1 – A mesa
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2 – Quase luz
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A quase luz não é quase escuridão.
Uma vela que se apaga é uma falta notada na música orgânica de toda a claridade
possível.
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3 – Sem choro
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Se chorasse tudo duma vez, os meus
olhos morreriam de sede. Olhos com sede não deixariam ver o que vai na alma. A
alma ardente sem água lançaria fogo ao coração. Coração queimado e sem água que
o apagasse. Amor sem luz.
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4 – Vela
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Que esta luz não se apague, ainda
que a música se vá. Porque uma música pode repetir-se, mas uma vela apagada
nunca mais volta a ter vida.
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5 – Medo
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O que será a luz do medo? Uma
evocação medieval, um arrepio como os outros. Luz nítida para a escuridão. Não
será luz negra, mas luz para a escuridão, como a da esperança e da fé.
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6 – Sombra
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Há sempre sombra atrás da luz. Só a
da fé não esconde. Por aqui, todos bem. Espera-se um outro dia. Depois do
próximo, o próximo. Sente-se a macieza das mãos. As noites frias já o foram
mais. Não se fala do tempo. Todos esperam que o telefone toque, mas não agora,
não hoje. Que haja alguém que se preocupe.
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7 – O claustro
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8 – A cama
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Quando finalmente me levanto para
ir comigo para o quarto, vou demasiado ébrio para fazer amor comigo. Uma noite
de emoções bastantes. O sono justo de quem não quer acordar de manhã ao lado de
si mesmo.
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sábado, abril 25, 2026
sexta-feira, abril 24, 2026
Paraquedinhas todos os dias
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Vinte e um anos e por ela rio todos os dias.
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Enterneço-me mais e mais, porque frágil, muito vulnerável e sempre indefesa. Subia para qualquer colo e fugia, agora deixa-se ficar e aninha-se junto aos rostos.
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Podia escrever um texto enorme só com emojis de < e 3.
quinta-feira, abril 23, 2026
Isso da saudade
Desconhecia, digo desconheço. Perguntei e disseram-me que a nostalgia é sentir saudade pungentemente.
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– Saudade é o quê?
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– Sentir a perda.
– Isso, afinal não é nada. Por quê tanto barulho por pouquíssimo.
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Explicaram-me e não entendi. Esclareceram-me melhor e continuei sem perceber. Outra vez, sempre o mesmo.
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Então compreendi. Como se fosse a dor de dentes ensinada a um pássaro.
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– Que coisa, essa.
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Qualquer coisa, entende-se o que não se entende, mas não se vive esse viver.
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Percebo melhor os dias inúteis e as vidas sem vida.
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Olhar o céu e vê-lo, manter os olhos abertos conseguindo estrelas no seu caminho, como a criança contra o sono.
quarta-feira, abril 22, 2026
terça-feira, abril 21, 2026
segunda-feira, abril 20, 2026
domingo, abril 19, 2026
quarta-feira, abril 15, 2026
Noite e dia
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Se a Lua tivesse luz e o Sol fosse noite.
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Comparar o silêncio dos carros à voz abraçante do vento quente.
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Perdi a breve, flor que murcha. Guardei a flor, na forma duma amizade.

