digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Peter Paulus Rubens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Peter Paulus Rubens. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Todos os sentidos – a perfeição

.
O que vale a pena na vida. Digo dos olhos e ainda faltando à verdade – a verdade é absoluta.
.
Podia dizer de música. Não há ofício tão benquisto, poucas legendas a caligrafia abandona.
.
Pelos olhos se apaixona. Incontável maioria de esquecimento de contar o nome do operário
.
Há juras de que não se sabe cheirar. Mais não do que de memória de nomes ou locais e momentos. Do seio ao orgasmo, sangue e ansiedade, por raiva da essência animal – adrenalina.
.
O tacto é tudo.
.
A boca é sagrada. Com ela se sela o casamento ou outro negócio. Quem sabe dos amargo, doce, salgado e ácido. Umami… O picante é exactamente o quê? A boca começa no nariz e termina no estômago.
.
A cama: sono, sono-mimo, mimo, sexo, sono-sexo, orgasmo, pesadelo, pesadelo-erótico, heroísmo e pré-morte. Na cama: preocupação, paixão e outros sofreres, desejo e efabulação, orgasmo, amor, impenetração, fidelidade, adultério e conversas acabadas. Bendita é se na quebra não viver violência.
.
Pelos olhos se apaixona. Que digo de minha injustiça?
.
– O céu de Rubens, a luz de Rembrandt, um anjo de Leonardo e a terra de van Gogh.
.
Ainda o azul.

terça-feira, junho 02, 2015

A definição do azul

.
Onde reside a beleza. Diante dos cinco sentidos, da cabeça, do coração e da alma é impossível não beijar de qualquer forma de pensar.
.
Além destas que gritaram-me primeiro à memória, há muitas mais. Se o texto não vale a pena, que sirva para sonhar. Não importam os impossíveis.
.
À alma, a mãe e a luz sem sombra das revelações de mestres morais – tudo azul.
.
Ao coração, família, amizade, Belenenses – tudo azul.
.
Aos nervos, o Belenenses. Orgasmo. Sesta. Abraço – tudo azul.
.
À cabeça, as primeiras palavras da «Jangada de Pedra». Primeiras palavras de «Menina e Moça». «Cantiga Sua Partindo-se». Lenda Arturiana. «Hoje descobri como é bonito o teu nome. Pronunciei-o baixinho muitas vezes e senti que na minha boca crescia um delicioso sabor a ti» – tudo azul.
.
À boca, vinho. Laranja. Bolo-rei. Azeitonas. Arroz-doce da mãe. Caracóis do pai. Musse de chocolate do Paulo – tudo azul.
.
À boca de falar, comodoro. Gibraltino. Guatemalteco. Bijagós. Trifomagarifamafotinha. Tranglomango. Zingarelho. Lusco-fusco. Mãe. Árvore… Abraço – tudo azul.
.
Ao nariz, Acqua di Gio. Limão. Laranja. Lúcia-lima. Lenha de azinho a queimar na lareira – tudo azul.
.
À pele, minhas mãos. Água quando nado crawl. Veludo – tudo azul.
.
Aos ouvidos, «O Voo do Moscardo». «A dança do sabre», «Conã, o Homem-Rã». «Clint Eastwood» – tudo azul.
.
À transgressão da infidelidade, a família roxo-lilás. Encarnado. Negro – tudo azul.
.
Aos olhos de deleite, antes de tudo, azul. Edimburgo. A Catedral de Colónia. Cipreste. Tulipa. Flores impossíveis. Brasão da Escócia. O rosto de Maria Carolina de Bourbon Duas-Sicílias – azul.
.
Aos olhos do desejo, os seios de Rita Pereira. O rabo de Joana Duarte. E outros que vi. E outros que não vi.
.
E os teus!
.
.
.
.
.





terça-feira, agosto 11, 2009

Uma outra vida





















Mesmo sabendo o que quero na vida, acham que se eu soubesse o que fazer à vida ainda estava nesta vida? De bom grado estava noutra. Safa! É que esta não presta!

sábado, fevereiro 07, 2009

Como as mulheres





















Demos umas voltas, ainda foram algumas. Um dia, sem aviso nem razão, deixou de dar para mim. Tentei várias vezes; consegui com outra.
.
.
.
Nota: Hoje, ao tentar fechar a porta da rua, a chave recusou-se a funcionar; nem para trás nem para a frente. Acabara de abrir a porta para sair, dando quatro voltas. Ontem à noite funcionou na perfeição. Perguntei-me se não teria um assaltante tentado entrar-me em casa e lixado a fechadura. Não! A porta abriu-se, sem problemas, com outra chave. Porém, vieram lembranças à cabeça.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O ciclo do pobre monge

Se abdico de alguém é porque abdicaram de mim. Só desisto por desistirem e os meus votos não valem muito, pois sustentam-se na desilusão e não na consistência dos princípios e dos valores.
A minha castidade é voluntária, mas só acontece porque ma impuseram. Por mim continuaria originalmente a pecar. A minha fé é feita de claras em castelo, que no descuido do pasteleiro e volta a perder a armação e a alvura. Assim são os meus votos e promessas. Sou um fraco monge.
Os meus amores são absolutos e quasi incondicionais. Depois morrem-se nas mãos, à minha vista, comigo à cabeceira do seu leito de morte e sem perceber o fenómeno do seu finado. Os amores em mim não medram. Por isso torno-me monge.
Mas nem o amor do Divino me prende por completo e completa é só a minha leviandade, que me leva a trocá-lo pela paixão das carnes das mulheres. Enamoro-me e logo se vai a castidade e volatiliza-se a poeira de santidade que, por ventura, poderia ter-se depositado em mim.
Dispo o hábito e meto-me na cama com a desejada, até o amor ser totalmente consumido. Na cinza não renasce uma Fénix e sobrevém apenas tristeza, incompreensão, lágrimas e partidas. Visto novamente o hábito e, envergonhado, cubro a cabeça com o capuz para que nem o espelho veja o meu rosto. Quando me refaço das dores mostro a cara, é quando volto a encantar e a enamorar. Não há emenda nem penitência.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Namoro

Não me canso de namorar nem do odor da pele. Corrijo: Não me canso de te namorar e a tua pele embriaga-me. O tempo consome-se junto de ti numa velocidade impossível de descrever, pois antes que termine de escrever ou de dizer já passou o momento em que algo aconteceu junto de ti, nada se define rapidamente contigo e, contudo, é tudo tão simples e fluído.
Não sei se é fluída a relação que tenho contigo ou se é densa. Não sei se somos parecidos e, por isso, estamos bem, ou se somos tão diferentes e nisso reside a a razão da harmonia.
O beijo vive da contradição e da concórdia e as mãos dão-se por vontade própria e os corpos precipitam-se porque nada mais podem fazer. O teu cheiro e texturas, os olhares e melodias e a presença são tudo quanto preciso para viver. Não sei se poderia viver sem ti. Sei que viveria, mas com que sentido? E tu sem mim? Não me canso e tenho em ti um espelho na vontade, modos e gestos.