digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quinta-feira, agosto 16, 2018

Lábios do mesmo beijo


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Vivo o sonho de ter sonho.
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Dá-me sonho e retribuo-te.
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Adormecendo em ti, deitado em ti.
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Caídos no ardor desejado, a luz. Onde pela luz és tu – só tu toda inteira.
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És-me antes, agora e depois, de tempo sem o ser.
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És em mim como se me desflorasses – eternidade.
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Vivo como num sonho de sermos abraçados-beijados.
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Estou nesse delírio da impávida felicidade de sermos.
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Pairo no devaneio da verdade, bebendo-nos numa febre macia de ternura.
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És do encantamento de. Em nova revelação.
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Seta de Cupido vindo-nos.
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Depois, regresso e volto no país da felicidade.
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No meu sonho, sonhas comigo.
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Não há muitas verdades como esta.
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Nem ninguém como tu.

Para lá do prado


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É da luz vindo e do encadeamento da sua melodia silenciosa, sou. Sendo, sou diluído na humana-sobrenatural-beleza-corpo-mente-alma.
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A luz-conforto-amor ainda irrevelada e já era – promessa e obscura presença – benfazeja.
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Além das cores, luz de sagrada querença.
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No prado universal do amor.

segunda-feira, agosto 13, 2018

Tentaram-nos o ânimo

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Bebes-me o sangue e alimento-me de ti. Como as letras formando o livro, o temperamento fez-nos completos em permanente construção, da vertical vontade de subir a todas as montanhas donde se beija em ânimo e libertação.
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Assaltas-me na noite e fazemos amor e roubo-te as manhãs e caímos na frenética paixão. Trocamos a circunstância das horas.
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Fazemos amor amamo-nos, na cama sem amanhã nem ontem.
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Saro-te a ferida por mim cortada. Curas-me da mágoa de lamento.
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Nenhuma paisagem força o vento, antes ou depois de ido.
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Por nós em nós, vamos.
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A recordação dos males é na casa assombrada que deixámos para nem mesmo esquecer. Indizemos nomes e rostos.
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Fazemos amor, por nós em nós. O teu odor colado a mim e o meu cheiro apegado a ti.
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Sensuais como os vampiros, bebemo-nos e damo-nos em troca.
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A minha carne e o meu sangue são-te, tal a minha alma.
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A tua carne e o teu sangue são-me, tal a tua alma.
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Nenhuma ofensa nos ofende. Quem corta, desta-feita-sempre, um rumor biliático, não é faca ou quilha. É a garantia do nosso amor.
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Só na sensualidade dos lábios querendo-se em união – leveza e pedra de amantes – se pode imaginar benévolos vampiros.
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Nem claridade nem breu, vampiros de nós em nós, sensuais e felizes.

Sentei-me para


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Sentei-me para te escrever. Sinto que tudo te relatei, por isso – uma certeza é sempre falha – pus-me a pensar no indito e, numa palavra por inventar, imbeijado. Olhei, comecei indeciso. Enumerei-te virtudes para tas dizer.
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Quis despertar, construindo um país sem terra, feito da pureza da verdade, para nos amarmos esquecidos de datas. Nessa nação, isenta de carência, bem-querer eternamente. Qual o primeiro mérito assomando-se-me.
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Qual escolher primeiro? O primeiro a socorrer-me a memória ou o que mais o tenho por valor? É tão complicado assumir uma virtude. Não existe um universal, é inegável essa impossibilidade. Os seus pesos variam no dia, na hora, em qualquer instante.
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Nessa dificuldade, reconheço a fraqueza, decidi contar das mais madrugadoras neste exercício. Quando acabar a escritura, irei lembrar-me de muitas mais alegrias. O texto terá de parar para que to possa oferecer. Em mim, sei do prolongamento dos elogios.
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Ignorante em mim e tolerante por o ser, escolhi a ordem de chegada ao meu coração-cabeça-espírito. Se falhar, chamar-me-ei de fraqueza… talvez mentira, por ainda involuntária.
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Foi deste modo que aconteceu, em prosa, como texto das regras obedecido e seguindo de cima no valor até… ou como queiramos eleger.
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Cândida, bondosa, generosa, benevolente, paciente, esperançosa, amorosa, amorante, doce, tolerante, compreensiva, mansa, meiga, tépida, clara-no-dizer-amor, grata.
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Por aí ao sem-fim.
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Se deixei longe a sensualidade foi porque isso é doutra maneira noutro universo.

sábado, agosto 11, 2018

De luz-verdade


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Se disse, da tua alma, luz.
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A verdade dos sonâmbulos é de verdade.
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A boca-coração diz da alma, ainda que a cabeça não pense nem a mande calar.
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As flores não têm luz, por isso vivem as suas cores.
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A luz pode ter qualquer cor e só por sua vontade se deixa colher.
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Ser-se luz de alguém é uma promessa oferecida.
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Ser-se tido por luz é um privilégio.
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É inacreditável.
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O destino, se existisse, afirmaria esta verdade.
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Podendo mudar-se o destino, a última palavra, emocionalmente útil, são duas:
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– Amar-o-outro-e-ser-se-pelo-outro-amado.
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– A outra é segredo nosso, sem tampouco o sabermos todo.

Esperar ser seu

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Esperar ser seu, da carne à emoção, é um ardor razoável.
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Se o seu desejado quiser ser seu, será seu.
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Se o seu-desejado não cumprir tal ensejo, teimar será cobiça.
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A cobiça é inveja adulta, qualquer inveja discursa a derrota.
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O postigo não é porta nem o buraco faz de túnel.
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Parar é inteligência, insistir é arrombo.
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Enraizando-se numa birra – do melindre e do ciúme – a porta é só de saída e o orifício estreita-se do desalentar ao ferir.
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Implorando crescentemente, como nova-chegada, resta-se como súplica de soluçar.
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Escangalhado-cego-e-surdo, o amor-próprio é um nado-morto e a sua lágrima do desgosto afoga-se patética.
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Não havendo ânsia das outras alma e corpo, talqualmente tudo, quando não é, não é.
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As indevidas querenças, de eternidade e luxúria, são peçonha incessante e maníaca – uma doença crónica voluntária.
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Porque já chega, diga-se:
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Um envenena e outro empesta.
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Se existisse, que escolhesse – o Diabo.
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Por cá, escolhemos e certezantes amamo-nos.

sexta-feira, agosto 10, 2018

Dívidas

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Que dívida terei de pagar por te ter.
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Que valor terei para me teres?
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Seguraste-me na mão e deste-te. Absorvi-te como a areia salgada e o mar.
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Desapareci, numa infelicidade sem tempo de visão do seu fim.
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Fizemos amor. Sem o termos feito. Fizemo-lo no amor nunca negado e no afecto incrível.
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Sempre adiantado, atrasei-me muitos anos.
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Sempre atrasada, aguardaste-me.
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Saciaste a sede por me ter morrido.
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Esperaste-me como uma viúva do mar.
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Esperaste-me com a paciência dos anjos e a certeza dos crédulos.
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Esperaste-me com a esperança dos vencedores e a certeza dos gloriosos.
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Estiveste na chegada, que desejaste e pediste.
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Estiveste no sonho, pedindo-me.
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Estiveste no silêncio dos mudos.
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De olhos abertos, desconhecendo que lavravas a completa minha absoluta salvação.
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Livre nas vagas do sono, cativa em burburinho de tristeza, quiseste-me e pronunciaste, em bondade e fé.
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Que palavra te disse?
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Primeira, amor.
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Segunda, raiva. Por uma agonia injusta.
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Pela dor do sal, das lágrimas da distância e da aflição dos anos do longo naufrágio.
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Então cortei-te, queimando-te.
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Perdoaste-me, chorando.
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Novamente me chamaste com a esperança e a bondade de quem ama e ama de certeza.
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Não tenho muitas palavras para te beijar, chorando de alegria e arrependimento.
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Desculpa é todo e tudo, por não existir mais grande e pleno.
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Obrigado é todo e tudo, por não existir mais grande e pleno.
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Dizes-me que me amas.
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Lacrimejando ou desértico, digo que te amo.
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O que mais dizer?

sexta-feira, agosto 03, 2018

Telhado-tecto


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Sob a clarabóia, melancolia da chuva num dia silencioso.
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Imaginava-a cinzenta e intemporal ou então um refúgio de passado.
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Afinal, qualquer.
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Quando se olha, do retrato à sombra, a luz diverge por causa da clarabóia.
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Não como um manto profano. É o odor das máquinas paradas.
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No vazio de horas de movimento, termo-nos deixa-nos não-sós.
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Ser-se sob uma clarabóia é esquecimento.
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É-se o que se é, ninguém precisa de saber e sem segredo ou consentimento ou compreensão.
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Não desgosto da melancolia da chuva caindo na vidraça do telhado-tecto. Como se essa prostração precisasse do consolo da minha melancolia.
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Uma satisfação-ânimo da enfermagem e da desmemória.
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Pode pensar-se uma solidão e ser-se qualquer coisa.

Se ressuscita


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O domingo é sempre porque tem de ser.
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A Terra roda e passa sempre por domingo.
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O domingo é castanho.
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(O azul não é cor, tal o castanho).
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O domingo agarra o estômago e sufoca-o.
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O domingo diz repetidamente que é domingo.
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O domingo anuncia tudo antes do recomeçar.
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Aquela chuva triste…? Devia ser só ao domingo.
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Aquele calor de tortura…? Devia ser só ao domingo.
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As doenças e os padecimentos são domingos.
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O mal-de-amor é domingo.
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A saudade é sempre domingo.
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O domingo tem de ser domingo.
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Se ressuscita é porque morre. Felizmente, o domingo morre.

Poente a Nascente


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Estas saudades só passam se te tiver desde ontem, se pudesse ao momento em que foste.
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Os tantos dias têm sido das memórias de azul. Sorris e fazemos amor… como dizer, assim…
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Cada dia completo pela quarta-feira.
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Uma lembrança-boa-triste cada vez que, sem ti, fiz amor contigo. Todos os dias nos amámos.
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À noite falámos e diluí-me na tua voz. Depois morrendo enlevado, sonhei caindo-te-me, pelas horas nocturnas.
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Sinto uma maré: a saudade leva-te e vens mais próxima na onda da certeza-do-tempo.
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Não é necessário este Verão para nos derretermos abraçados.
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Perdi a ânsia de fulminar o espaço-tempo. Sinto-te no sítio-lugar.
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Ainda não percorrida a viagem e o tempo jaz. Não merece clemência, pela dor. Sim um festejar pela sua chegada.
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O raciocínio nega ao passado ser futuro. Por isso, a minha saudade só morrerá quando te abraçar no beijo mais azul.

quinta-feira, agosto 02, 2018

Berlindes

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Hoje, quando me lembrei de ti pela primeira vez, tive uma percepção-imagem de vigília-sonho-premonição. Tão simples quanto brincar com berlindes.
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Berlindes? Coloridos, transmitindo-me leveza-de-espírito, alívio, liberdade e amor.
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Um amor nunca tido. Inalcançável, como uma estrada para onde o olhar não chegará.
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Amor de andar de mão-dada e de riso, do abraço à cama. O caminho pela mente-espírito.
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Tal raciocínio – nem que fosse por estares nele – não me deixa fatigado. Opostamente, a visão dos berlindes aconchega-me.
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Falando-me de ti, os berlindes serão o Sol, a Terra, a Lua e todos os planetas do sistema solar? Estes astros falham em quantidade.
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Do sentir, pensar e dizer, assombradamente, aconteceu-me uma revelação.
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Cuida-me transcendência – como melodia de rumor indiscreto – oiço, no para-lá, uma estrela inédita.
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Excelente, esta estrela, só ao longe não é redonda. É a que divido contigo, meu amor.
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Se os berlindes são mais, em soma, do que uma só estela é porque.
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Comecei por escrever uma percepção-imagem de vigília-sonho-premonição.
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Meu amor não tardes e sempre és comigo.
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Conveniência de se ser feliz-livre


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Não sei se há muitas pessoas com pensamentos inúteis. Tenho muitos, todos os dias produzo-os com abundância.
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Os pensamentos inúteis dividem-se em objectos-não-funcionais e em coisas-nenhumas. Gosto mais desta segunda vertente, acho-a mais interessante, pois pode gerar mais coisas-nenhumas, servindo de incubação mental, parto, escola e ginásio, incentivando-me a inventar vazios de préstimo.
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Essas nulidades têm alternativa, pois têm. Só de pensar nelas turva-se-me o pensamento e escarafuncha-me todas as entranhas, incluindo as que não existem – obviamente um objectos-não funcionais.
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Contudo, a realidade é muito aborrecida e entedia-me. Com verdade, interessa-me pouco. Faço o que tenho de fazer, só faço o que tenho de fazer por isso mesmo, porque tenho de fazer.
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Não digo por pedanteria, sinto-me nessa infelicidade, como enfeitiçado por mau-olhado. A vida tem-me dado utilidades-sem-préstimo. Não sou bom em nada, exceptuando em objectos-não-funcionais e em coisas-nenhumas. Algumas raras aparições tornam-se coisas-vagas, de funcionalidade.
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Portanto, entre o enfado da banalidade e o desinteresse pela quase totalidade do que tenho de fazer, prefiro os meus objectos-não-funcionais e as coisas-nenhumas.
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Por aí crio e amo, multiplicando os afectos de quem gosto-gostam.
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terça-feira, julho 31, 2018

Aumentando-reduzindo

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Os dias de amparo e sensualidade são sempre atrasados.
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Hoje chorei duas vezes. Talvez ontem tenham sido mais. Daqui para trás – até nem sei quando – não houve um sem gemido meu.
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Não me arrependo. Foi água desafogando a tristeza. Deste jeito se percebe que de alegria.
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A saudade resseque-me. Chegado um novo dia, aporta-se-me a benevolência de amor.
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Cada dia que passa é menos um dia para a chegada da claridade.
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A alegria de te ver chegar.

segunda-feira, julho 30, 2018

Floresta de atrapalhação do dizer

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Por que amor é tão fácil de dizer e.
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Dito sentido.
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Não, não quero. Não quero glosas vizinhas do chão. O tédio vazio, circunstância costumada na vez da habitual maravilha. O amor alimenta-se. É faminto como o dragão e macio como uma cria.
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Não quero engravidar textos com palavras faladas como eco. Desejo as vitórias sobre os desânimos. Alcancemos os sorrisos, leve isso um instante ou até ao dia de passar. Por lá continuando esse amor como emergência.
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Ninguém diz como tu. A tua boca consegue tudo e tudo dá. Procuro ser quem. Dir-me-ás.
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Somos as liberdades das prisões consentidas e seremos as fugas do borralho do medo-grilhão.
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Sabes que vejo além e não constato – é o olho e a ferida. Contemplo só os dois.
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Só nós os dois testemunhámos em jura. A expressão da confiança e do devido. Não há privilégio no amor, nem graça. Primeiro-último: vontade-esforço e mercê-vitória.
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A querença é legítima, e as ilegítimas. Conquista sem razão é decadente, perdendo-se nos prazos da aceitação.
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Assim-lhes-seja. Dirão o mesmo, sem terem. Rabiando, bichas de próprio-equívoco-veneno.
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A tal estrela, de que te falei, está onde sempre. Épocas sem a vermos, por distracção e por rapina.
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Como roubar o que é nosso? Nunca se rapta o devido – digamos sina, pronunciemos carma, garantamos livre-arbítrio – e nada é coincidente-acaso. O nosso é nosso.
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Finalmente. Brilhou-me – por causa do castigo-remédio da vidência que carrego – para to poder dizer.
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A luz é e o seu odor é a mezinha chegada na especiaria, sacodindo esses agarrares ilegítimos.
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É a vitória.
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Mostrei-te o pontinho. Se vi antes – lá sabem – dividi, o nosso e a estrela cresceu e crescendo-cresceu. O nosso, é a glória.
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Sentiste-a viste-a e aceitaste-a, tudo o exigido sem imposição. Emancipação.
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Tantas estrelas. Uma é nossa.
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É difícil dizer do amor. Onde se está no patético e na vergonha e na timidez, do perder tempo.
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Quase fugi das glosas vizinhas do chão.
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O que disse? Mercadorias em frenético assombro de poesia. Ditos desenxabidos, cinzentos acerca do rubor do amor.
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Peço-te – porque me amas – não digas que me adoras. Afirma que me amas.
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Vejo-sinto mais luz no amor do que na admiração.

sexta-feira, julho 27, 2018

Além do Sol assim todos os dias


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Depois de todos, mais da soma de todos, o superlativo do amor é o amor que tenho por ti, pronuncia-se Ana todos os dias, e todos os dias renasce sem ter tido fim.

O rio triste à foz

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Rio triste, a cada gota indo chega outra em flor, luz de caminho, flor-da-luz, derramando-se de eterna.
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O monólito de carbono enternece-se e nos soluços do caos alegra-se para o sacrifício de mercê e graça, sorriso involuntário-autêntico no espelho de cintilação.
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Da pedra grande se faz o navio, inencalhável e de garantido, navegar até à foz.
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Cada saudade abandonada no leito é semente da alegria que chegará da morte da saudade.
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Cada minuto passado é outro chegando e indo haverá aqui, onde a viagem começou e terminará.
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O abraço da chegada é maior se – como assim se encavalitasse na cegueira do desejo – juntar o tumultuo do riso em glória.
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Na glória se apaziguará a tristura.
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Morrendo a inquietação pelo esclarecido amor vindo pelo rio triste tornado vida.
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O rio triste vindo ao seu oposto e assim o é.

quinta-feira, julho 26, 2018

Flor de Luz


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– O que é a luz?
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– Perguntas-me e olhas para mim?
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– Diz-me.
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– …
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– O que é a luz.
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– Olhando os teus olhos. Vejo-te um jardim, onde o brilho conta apenas alguma coisa. Não sei explicar.
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– Isso não me diz sobre a luz.
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– É o que sinto. Aliás, pressinto.
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Pressinto porque é como te sentisse um anjo. Alguém resgatando-me do mundo onde não gosto de viver.
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– O mundo é só um.
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– Fazemo-lo.
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– ...
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– O meu mundo faz parte do mundo…
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Não sei se gosto do meu mundo.
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Não sei se gosto do mundo.
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Não sei se gosto do meu mundo no mundo.
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– Isso não responde à pergunta que te fiz…
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– Como assim?...
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Não esperava que respondesse.
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– O que é a luz?
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– Não sei.
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– Sabes. Sabes.
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– Não entendo.
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– Perceberás!
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Fecha os olhos. Pensa no que, assim de repente, te chega como o mais belo.
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– …
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Não vejo nada…
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Vejo flores.
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– Como são?
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– São muitas.
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– Não são.
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Olha-as bem.
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– Realmente!...
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– O que vês?
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– Cores. Todas quase iguais.
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– Entre elas há alguma vendo-a diferente?
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– Sim. Há uma.
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Uma só.
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– Como é essa flor?
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– É de luz.
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De calma. De serenidade.
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– Disseste de luz.
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O que é a luz?
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– …
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– O que é a luz, agora que vês uma flor de luz.
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– Sinto um inexplicável…
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– A luz é o amor!
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Amas-me?
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– Muito. Como nunca amei ninguém.
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– Essa é luz é a do teu amor por mim.
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Essa luz é a minha felicidade contigo.
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– És a luz?
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– Não. Sou o teu amor.
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Sou a tua flor de luz. Uma flor só tua e, por isso, também única, sem par ou parecença com outra.
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– És uma flor?... És uma flor.
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– …
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– És a flor de luz.
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Percebo a luz de que falas e de quem és.
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– …
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– Amo-te até onde um homem pode amar.
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– Tu és o meu amor. Dás-me luz.
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– Brilhas-me sem sombra.
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– Amamo-nos. Isso é luz.

domingo, julho 22, 2018

Copas


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Não jogamos com o baralho todo!
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Apenas com as copas.
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Aliás, aqui todos somos diferentes.
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A Rainha é Flor de Luz, deslumbrante de bondura, isso de bondade e ternura, e de beleza.
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Não é segredo… A Rainha deixa-me de cabeça perdida…
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Depois há um Alguém Especial. Superlativo de tudo bom.
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Rimos mais do que um Jóquer em desvario!
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Nota: o Valete é um desenho de Salvador Dali.

Por que amor


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Por que escrevo de. Por que escrevo por ela. Por que só posso escrever por ela? Posso escrever algumas palavras que não as unam? Posso escrever algumas palavras que não as unam.
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Isso interessa?
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Estou numa casa repleta de horas. As paredes estão brancas, já o foram – gastou-se-lhes os dias.
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Estou sozinho. É por estar tão longe que a sei perto. Se estivesse mais perto, estaria ainda mais perto. Estou sozinho e perto, no penar da saudade.
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Uma casa vazia não é uma casa vazia. Nela temos o que nos temos. Somos coisas, afectos e memórias. Nesta nunca me feri como noutras.
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Aqui amo-a e por ela amo mais toda a gente desta casa.
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Aqui nem tudo foi de azul – a tal cor de além cor. Escorreram-me lágrimas, sim. Mas. Não vi abatimento nem fonte vertendo e muito menos abatimento-fonte-lâmina. Aqui vivo. Vivo com quem amo, dando-me o tudo importante.
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Lá vem a pieguice.
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Não vem.
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Fazer amor não é piegas. Amar doutra forma para lá do sabido. Nunca! Uma das palavras proibidas, porque se falharem – falham sempre – são catástrofes, é verdade. Não duvido. Se duvido, estou errado.
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Faço amor e não sei como dizer plenitude. Amo-te é maior ou menor do que adoro-te?
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Não sabemos. Por isso, os lençóis têm de se amarrotar, de se encharcarem de nós, de nos fixarem os odores. Amo-a ou adoro-a. Ela o mesmo. Importa isso?
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Importa, porque essa discussão não tem fim. Inversamente a outras divergências, não há dicionário nem calhamaço nem sebenta definindo. O meu corpo-cabeça-alma-boca precisa de saborear o seu corpo-cabeça-alma-boca.
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Para ninguém se rir por vantagem – aquela teimosia como a das crianças e dos velhos – ela também quer com o seu corpo-cabeça-alma-boca apurar do meu corpo-cabeça-alma-boca.
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Houve uma quarta-feira. Tanto faz o dia ou qualquer tempo. Dia do milagre da revelação, quando o presente é de futuro e docemente arruma o passado.
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Por que escrevo de. Por que escrevo de?
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Não sinto – não sei – o que mais arrumar de palavras e gramática e assassinatos de língua. A língua que amamos, com que nos amamos e trocamos de boca e de corpos em plenitude e explosão.
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Aquela quarta-feira é eterna.
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Por aí, nesses refúgios-caverna, senti tantas coisas. Chorei por tantas coisas. Desfiz-me indevidamente por tanto. Mas esta, sem o negrum das outras casas… Esta casa branca tem-me tendo-a e ela a mim.
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Não sei por que mais escrever. Não sei por quem poderia escrever.
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Chama-se amor.
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Amo-a.
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Se basta? Não! Se bastasse não seria amor.
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Amo-a.

Domingos


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Há os sábados que vêm antes dos domingos e domingos que sucedem a domingos, porque a normalidade da emoção nem se parece com a rotina do tempo.
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Quem espera conhece o espaço e o tempo e como é custoso ser-se longe e estar e num sítio qualquer.
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Dançar anima e dançar sozinho desanima – ou então se os passos e voltas sós fiquem junto duma respiração amável.
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Ainda assim… a vida é bela!
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Ou assim… a minha vida nova é bela!

sábado, julho 21, 2018

Não amava assim longe e aqui vindo e indo lá


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Certo como nunca e amando tão longe. Olhei para o mapa e não vi se iminente ou remoto o bailado.
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Não percebi. Juro que não. Não entendi olhando para o mapa.
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Após o susto, encontrei.
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Fiz contas, tão erradas como qualquer coisa – seja por estrada, atalho entre cumes, valadas e rios.
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As contas estão sempre erradas. São enganadas, por natureza. Fiz, pois, adições, já malfadadas à saída. Juntei percursos optimistas, como se querendo convencer-me de que o distante fica ali.
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As contas – nunca ajustadas – falaram-me em mil seiscentos e trinta e um (1631) quilómetros. Se o mito do andar impõe que em cada hora se façam cinco (5) quilómetros, serão trezentos e vinte e seis (326) horas até a essa linha do terminar da romaria. Digo eu que, de aritmética e ginástica, sou quase virgem.
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Quanto aguentaria a peregrinar? Se corresse? Se corresse seria mais demorado – a idade e os danos da preguiça nos músculos dariam um passeio de alguns metros.
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São outros somatórios. O que faria se me pusesse sobre a estrada? Se andasse somente a ortodoxia dos metros e do tempo.
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Fácil, não é?! Raispartam as contas, que nunca acabam.
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Quanto aguentaria eu? Dormindo oito (8) horas, descansando quatro (4), andaria doze (12) horas de sol-a-sol. E, sendo em dor realista, a carreira seria de seiscentas e cinquenta e duas (652) voltas de relógio.
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Até ficava nos vinte e sete (27) dias – as contas estão sempre ensarilhadas, sabe-se. Até estas, pecando insuficientes.
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Tão tarde, que melhor ficam os meus passos por cá e os do meu amor dançando por lá.
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Para quê se não se dançam as estradas nem a dança tem outros passos que não os seus?!
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Ah! O nosso amor é tão certo que qualquer beijo alcança os outros lábios ainda antes de abalar – quem tenha ficado em mistério, a rota de Lisboa ao salão duma quinta de Gennetines é uma vereda, percorrida no momento da carícia.
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Reconheço que me tornei atleta, coxo de aritmética, mas amando, em suspiros, no meio mês que me aparta da Flor de Luz.

E por que não?

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Pelo corredor o ranger dos gatos.
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Andar quase silencioso como os gatos.
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Quase invisíveis como os espectros.
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Na verdade na carne e no espírito conjura-se. Por tanta coisa e contra nós.
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Sobretudo de lâminas contra nós.
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Recusamos no alerta do nosso amor e do afago de quem nos quer bem.
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Revezam-se no açoite. Acordamos da noite e do dia – transpirados de agonia, sonhando das lutas e dos debates.
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Mas vivendo-nos como sabem os justos de causa.
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Por nós rezamos porque o amor é nosso.
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Por eles rezamos pela sua paz e a nossa distância.
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Que lhes caiam as invejas da posse e da luxúria.
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Lembramo-nos.
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Porque sabendo da sua persistência…
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E por que não?
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Que se juntem e unam.
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Dando-se ao outro aquilo que querem.
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E que não queremos receber.

sexta-feira, julho 20, 2018

A quarta-feira é como uma oração


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Hoje não nos beijámos.
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Ontem não nos beijámos.
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Houve o amor de quarta-feira.
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Eterno, cheio e único na cama dos dois.
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Ímpar sempre para os dois.
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Só por isso, como se nos restasse só essa certeza, o amor de quarta-feira basta-nos.
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Nem que seja só por isso, cada ambicioso terá de fumo os seus anseios.
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De todos os infames, até os dois maiores serão das suas tristezas..
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Porém, não se findam.
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No silêncio do segredo, na escuridão, alimentam a ânsia de nos ter.
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Um quer amor eterno.
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Outro teimará nos cortejos, procissões pela luxúria.
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Pela nossa confiança do amor, as suas cobiças serão ruínas definhando.
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Arrojem maus-olhados, cada pedra será do nosso castelo. 
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Que queiram os nossos corpos, por teimosia e despeito, este nosso amor é além-túmulo.
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O amor de quarta-feira são dois anjos de sentinela.
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Nunca fizemos amor como na quarta-feira.
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Nem eu, nem tu, nem nós.
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Só isso, nem que tivéssemos apenas a quarta-feira, esse dia basta-nos.

segunda-feira, julho 02, 2018

Ah!


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És a sensualidade das princesas e o fogo do sal marinho.
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Ninguém sorri completamente – apenas.
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Ficas no êxtase abundante do segredo que te conto.
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Deixas verter a pele, saciando-me. Estou sumo e suco, como tu.
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Ninguém conhece a tua doçura e a temperatura calma – como tu quando me apertas!
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Só nas mentiras dos contos milenares há tamanha enxurrada e um amor superior a este.
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Tens a boca fervendo, guardando-me
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Tens a boca fervendo, guardando-me. A perfeição de ir e regressar, mergulhando e subindo. O toque subtil, tempero de sal picante, puxando-me para o desvario.
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Tens a boca fervendo, guardando-me, submisso e soldado, nas linhas perfeitas da folha de louro.
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No fim de tudo – mais do que o fim do mundo – morremos felizes.
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Retornamos tudo o que nos.
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Ah!
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Nunca fizemos amor num jardim.
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sábado, junho 30, 2018

Só alguns amores são eternos


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Há amores tão grandes que nenhuma inveja alcança. Um frio e um quente dos abraços indizíveis e dos beijos, que de tão inesquecíveis, se esquecem, dando às suas bocas o jeito de repetir até ao adormecer e ao acordar.
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A felicidade é um lugar. Aí, tenho-a e perco-a para a conquistar.
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– Quantas mulheres pode amar um homem?
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– Ao mesmo tempo? Numa só vida?
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– O meu amor é tudo. Não são as duas a mesma coisa? Se o tempo é infinito e o universo não pára de crescer.
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– Cada amor novo não é o último e o maior?
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– Se assim fosse, que tristeza.
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– Não. Há o amor-todo, sem hora nem segundos.
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– Eterno?
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– Não sei. Ainda não fui eterno. Sendo todos eternos, negando a morte.
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– Amas assim?
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– Amo. Não há outra forma de amar, se a felicidade se junta à alegria e todas as lágrimas são de contentamento.
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– Quantas mulheres pode amar um homem?
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– Quando se ama assim, como eu, só uma. Nem conceito se alevanta.

Essa onda só tua


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Amo e amarei a mulher certa. Como um maremoto, sinto a altura e o sal, daí cair e mergulhar, respirando no beijo mais longo que as bocas deixam.
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Nem sereia nem ninfa. O amor e o pagão, um lago de tudo o que dois amantes e mais.
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Se um diz amo-te e o outro adoro-te, apenas palavras da dimensão do tal maremoto.
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Amarei até. Menos o que isso não consigo.

domingo, junho 03, 2018

Olhos verdes. Olhos castanhos. Vêem-se


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Disse-te, depois da revelação do teu esplendor:
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– Como é possível a bonança? Não houve guerra nem tempestade.
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Disse-te um segredo. Palavras-engrenagem da macieza do sono depois de fazer amor. O que te disse, eu?
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– Como é possível a tormenta? Se não houve trovoada nem mar alevantado, engolindo todas as palavras de dizer no instante certo.
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Abracei-te como se dissesse alguma coisa acertada. Ouviste-me dizendo qualquer coisa acertada. Falaste:
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– …
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Juntámos os lençóis, ajeitámos as almofadas e encaixámos os corpos. Cada beijo, cada gota dos suores misturados, cada nascente tua, cada erupção minha… todas de ternuras tremendas.
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Castigaste-me com o prazer – aquele sabido e que se esqueceu, sem nunca se ter esquecido. Castiguei-te com o prazer do prazer.
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Passaram-se dez anos. Menos que isso. Passaram-se vinte anos. Passaram-se todos os anos da saudade.
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– Como é possível esquecer? Como – graciosa dádiva – não esquecemos? Ficámos épocas de minutos no desejo que se deseja desejando. Esperámo-nos com todos orgasmos adiados.
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Disseste-me de todos tempos, das horas e dos anos, em que fui um fantasma agarrado ao desconsolo. A minha memória indigesta e o meu desconsolo quase-infinito. A sua memória amarga e o seu desconsolo, quase-infinito, enquanto se perdida numa festa e num choro. E eu estendido prestes-morto.
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Na verdade, não mo disseste. Não precisaste de me dizer amor. Sempre mo deste. Sempre te li os olhos – tanto amor, afago e a paciência de quem espera.
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Os teus olhos espelhando o Sol. O luzir finalmente regressado. Tantos beijos que as bocas contiveram. Deslumbrámo-nos na Lua dos quereres, dos reencontros e dos êxtases.
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– Ainda bem que voltaste.
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– Ainda bem que voltei. Ainda bem que voltaste.
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– Andei bem que voltei.
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– Ainda bem nos viemos.
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Qual a cor do amor? Qual a do desejo? A do bem-querer? A do retardar? Azul? Escarlate?...
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Não importa. As línguas oferecendo-se escondem-se. Os beijos são de.
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Orgasmos de.
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Calámo-nos.
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Assim de tormenta e bonança. Bem-aventurança. 

sexta-feira, junho 01, 2018

Sobreviver


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O meu segredo maior digo-o nas praças das cidades, na imensidão das vistas bravias, no conforto da amizade e ao teu ouvido.
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O luzir ao me teres vale a minha vida. Se tivesse dois corações, amar-te-iam incondicionais.
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És vontade e viagem. És chegada e estada.
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És dois passados e o único futuro. Ave que migra e retorna.
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És romã. Laranja. Pêra. Maçã. És o fruto da paixão.
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És a exaltação da tranquilidade, o amor perene.
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Agora, quase Verão, és mulher-deusa, bacante da minha cama.
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Irás, sei-o, de sensualidade da infracção, para seres a espada que me mata dolorido.
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Mercúrio te levará – pagão e medonho. Tenho medo. Sem uma fé de esperança.
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Rezo a São Cristóvão para que voltes. A Santo António peço milagre.
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És-me tudo. Generosamente de gratidão te agradeço, oferecendo-me no martírio da paixão e no êxtase de calma. No fogo do Inferno.
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O meu sangue, de sacrifício e verdade, alimenta-te. O teu retorno é o regresso do amor.
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Tenho a dizer dos teus lábios. Tenho-te todo o corpo.
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Sem incertezas – és uma verdade, que se colhe e se sabe partirá – do delito.
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Nessa angústia, tenho-te certa. Ainda que no intervalo de dança te perca. Beba tanta dor.
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Só há uma verdade. Depois, os pontos de vista e os equívocos. Silenciam-se nas omissões, criam-se enganos.
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Não há mentira sem verdade – toda ela ilumina tudo.
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Não há só flores. Não és só flor. És a dioneia e a dedaleira-roxa.
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Morro e sobrevives, para te poder morrer novamente.
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Em ti morro, por ti vivo. Se me pudesse ilimitado.
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Sou-te pleno. Não menos espero – iludido na verdade.
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Se eu fosse todo o mar e indivisível, sabes só teu.
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Fosses o meu barco, único de verdade e eternidade e também as ondas.
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Livre e aberta, fechas-me numa tristeza.
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És da natureza, garantes-me. Sou-te a terra e o ar. Bebes nas águas que libertas, desaguando em mares alheios. Incendeias-te ao longe, queimando-me.
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És o folhear, dos castanhos, pelo vento. És o céu barroco do Inverno. És fervor fulgurante da Primavera.
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Choro no Verão. Em todas as horas sobrantes. Quando a minha escuridão é o holofote rompendo-me o sono, devorando a fé e suicidando-me.
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É sempre, sei-o. Assim o será.
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Sempre significa sempre.
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Vives também no longe e morro por te saber vivendo uma vida estrangeira, nos dias doutros lugares, onde a dança que me proíbe – o meu segredo revelando o teu segredo – é me abstenho, libertando-te desapegado, ciente que me faltrás.
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Quando és outra e eu o mesmo.
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Se te peço para não me faltares é porque sei que me faltarás, consumida por outras chamas e saciada e molhada te dás.
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A Terra rodopia. Tonto vou caindo e levantando-me, morrendo e sobrevivendo.
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Na certeza – desejando eu o desacerto da intuição – essa da transgressão.
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Cá estarei calado, esperando da tua boca um beijo e o teu corpo sobrado.
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Que silêncio me cale para não falares o que não quero ouvir, mas sei.
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Não te exaures nem esmoreces, das danças e do repouso que te cansa as vigílias, dos dias sempre seguintes até ao despertar.
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És minha, sabendo que não o és, noutros lugares.
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Dizes-te liberal, mas não te sei se eu o fosse e me desse também.