segunda-feira, maio 25, 2015

Não sou de cá nem de lá nem sei

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Durmo e nem sempre foi assim. Houve uma vida em que os anos tinham trezentos e sessenta e cinco dias, às vezes mais um, e vinte e quatro horas dividiam-se.
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É um país longínquo, uma memória escurecida da luz que me punha a sombra atrás dos passos.
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Contos os anos da distância, muito mais longa do que a soma dos anos.
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Entre o agora e o antes há um corredor de ausência, um tubo psicadélico, um atalho no espaço-tempo em inverso.
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Não voei nem flutuei, arrastado num turbilhão de opiáceos – julgo pelo que dizem da papoila dormideira.
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Se morri, se ainda morto, se já vi ou se sempre vivo. Era outra vida, outro planeta, outros e.
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Não tenho saudades, mas remorsos de culpas alheias.
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(suspiro abafado por decoro)
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Mãe, faça-me nascer e dê-me colo.

quinta-feira, maio 21, 2015

Íiiiiiiii áaaaaaaa

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Lanço um beijo como um laço para te caçar. Não pelo pescoço, mas no pescoço. Cais, na cama. Por cima de ti, por baixo de ti, como numa luta. Em vez de sangue, outros líquidos da vida.

Bebei Babel

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Não sei as vezes que escrevi palavras alinhadas, mais ou menos, como estas. Sei que as envio repetidas para algumas pessoas. Lamento, mas…
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Quando a vergonha se acanha e, de tão atiçada, se faz forte, põe as garras de fora e luta, porque a sobrevivência é mais fácil do que a pobreza.

A notícia correu à velocidade das pernas e do boca-em-boca, na época não existiam nem telefone, muito menos telemóveis nem se sonhava com os falecidos peigeres, nem telégrafo, nem telexes, nem imailes, nem ésse-éme-ésses, nem éme-éme-ésses, nem internete, nem rádio-telefonia, nem televisão, nem ualquitolquies… havia palavra escrita, mas não jornais. Podiam fazer-se sinais de fumo, mas naquelas terras não se usavam.
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Soube-se pela velocidade dos passos e destreza da boca: caiu a Torre de Babel.
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Agora que há todos os meios que citei é rápido informar que a minha obra-prima nem se conseguiu erguer.
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Ora tentem fazer uma torre de vinho.

Toma!

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Tudo óptimo, não fosse estar com muito mau-feitio. Dei um pontapé na gramática e ficou ótimo, o que é péssimo.

segunda-feira, maio 18, 2015

Letra B


Letra L


Gasolina nas veias

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Estou reicingue. Um potente destilado do petróleo arranha-me as veias e o coração acelera com o corpo parado. Ensurdeço-me e seguro-me para que não arranque antes da partida. Estou capaz de comer todos, de sair da última linha de partida e estar à frente logo na primeira curva.
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Vou comer um pão.
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Depois do pequeno-almoço, estarei um tigre amamentado a biberão. 

Uma maçã por dia, nem sabe o que entedia

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Sou uma pessoa de extremos, de apaixonados extremos. Por isso encontro-me sempre no meio. No entediante meio.

quinta-feira, maio 14, 2015

Doce Ginja

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A ciência pode dizer que não – o não é sempre mais fácil do que o sim, a que se exige calhamaço de explicações e provas – mas a realidade desmente-a profusamente.
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Veja-se o exemplo da Prunus cerasus… qualquer doutor dirá que se trata duma ginja. De facto! Porém, uma sub-subespécie encantou os Homo sapiens sapiens que a conheceram. A Prunus cerasus Canis lupus familiaris, a Ginja para os amigos, partiu e deixou saudades e lágrimas.
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A impotência chega primeiro, depois a enorme tristeza e tantas saudades. Podemos até questionar Deus…
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– Senhor, os nossos animais nunca deveriam morrer.
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Quando aportar a calma da resignação, uma voz invisível dirá:
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– Se os animais não partissem não se poderia com eles brincar e mimar quando a alma humana deixar o corpo na Terra.
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Um dia dará ao rabinho de contentamento.
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Nota: Dedicado à Carla Pedro e à Ginja.

quarta-feira, maio 13, 2015

Diálogo pós-coito, depois do acordo ortográfico

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Se depois de, ela me disser:
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– És ótimo na cama.
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Responderei:
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– Infelizmente, és péssima com a língua.

Todos contra a esclerose lateral amiotrófica - ninguém naufraga no mar de Deus

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Ninguém sabe que contracto celebrou com Deus antes de chegar à vida de carne. Possivelmente os profetas, mas a vidência é responsabilidade dalguns. Vivemos na certeza da incerteza e as surpresas variam na bondade.
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A vida é um caminho. Carregamos fardos, mas Deus não nos albarda com peso numa demasia que vergue ou derrote. Há cargas difíceis e mãos amigas – de espírito e matéria – que dão repouso e ânimo.
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A esclerose lateral amiotrófica é carga de respeito.
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Salvador Guedes, vice-presidente do grupo vinícola Sogrape, navega essa tempestade. Além de si, dá ânimo e apoio a parceiros, através do projecto «Todos contra ELA», destinado a obter fundos para apoiar a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica.
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Em todos os meses vão realizar-se jantares-concerto, em Lisboa e no Porto, no valor individual de 80 euros. Recentemente, a Sogrape leiloou, em Londres, o mais antigo vinho da Ferreira, datado de 1815, ano famoso pelo vinho e pelo fim das guerras napoleónicas, cuja totalidade das receitas reverteu para a Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica.
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Deixo aqui ligações para sítios na internet ligados ao combate a esta doença e apoio ao doentes e suas famílias e amigos.
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Um abraço a todos os activistas e especialmente a Salvador Guedes. Com imenso respeito.

Explicar Fátima numa imagem

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A fé é íntima e pessoal.
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Nota: Quem souber da autoria deste desenho, por favor informe-me, de modo a atribuir os créditos.

terça-feira, maio 12, 2015

De Lisboa a Petropavlovsk-Kamchatski

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Saudade do intido, ciúme de mim e uma viagem por fazer. De Santa Apolónia a Petropavlovsk-Kamchatski, via Moscovo e adormecer até depois de Sverdlovsk – dito assim, manda a memória negra do vermelho esquecer Ecaterimburgo. Depois, Novosibirsk, porque soa bem.
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Porquê?
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As gares ferroviárias são catedrais. Os comboios cruzam os países e quase toda a gente fala inglês. Em qualquer lado se desvia e se fica até acabar o tino e embarcar.
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Por qualquer lado e para qualquer lado e que se lixe a Sibéria. Os russos são insuportáveis quando estão bêbados.
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Entre destinos, almoçar no MacDonald’s. Em qualquer cidade, beber café e dizer que é uma merda.
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O chão da Europa é de cimento. Em Lisboa o calcário retribui ao Sol e também o Tejo – luz que prende. Lisboa é uma mãe possessiva.
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Ter saudades da mãe e ligar ao final da tarde, disfarçando a comoção. Jantar no MacDonald’s e beber cerveja andando como se houvesse destino. Dormir e acordar e tomar o pequeno-almoço no MacDonald’s.
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Evitar os museus e os monumentos, num qualquer café pedir uma cerveja e um café – que é uma merda. Andar sem ver ou fé.
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Retornar à gare e entrar naquele comboio, imprecisamente preciso. Antes, beber uma cerveja e um café – que é uma merda.
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Se fumasse, acendia um cigarro. No sítio sujo das estações, pedir outro café, apesar de saber que é uma merda e se tiver tempo passar pelo MacDonald’s.
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No enfado carregado ainda antes de Santa Apolónia pensar em Petropavlovsk-Kamchatski e suspirar por ficar no conforto das cidades onde há MacDonald’s. Para dentro gritar livremente:
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– Que se lixe Lisboa! Que se lixe Petropavlovsk-Kamchatski!
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Em Petropavlovsk-Kamchatski também há MacDonald’s.

A fotocópia é muito confortavelzinha

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Perdi a conta das vezes em que pediram diferente. Do explícito ao sugerido, um reconhecimento de qualquer coisa. Por isso, eu. Por isso, eu. Perdi as mesmas contas às vezes em que escolheram a fotocópia. A esperança escrita em euros foi-se diluída numa enxurrada triste, tão molhada ocultando as lágrimas da perda e pela mudez. Um orgasmo inverso e decepcionante priapismo.

Grunft!

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Para que todos percebam:
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– Estou sem pachorra. Sem pachorra. Sem vontade de ter pachorra.
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Mais claro?
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– PA-CHO-RRA! Sem PA-CHO-RRA!
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Ninguém ouve. Ninguém lê.
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Sem pachorra para ser invisível nem alternativa.

Torrente de sede

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Não e mataste-me a sede. A sede da fonte dos bosques. A sede nascida lavada nas pedras. Morri por instantes, quantos leva a sede a saciar-se. No ribeiro nadaria nu. Sem o risco tosco da água livre, a sede não passa. Na água solta, que a sede não passe.

O meu cão

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A escritura é incapaz de replicar a forma como digo cão quando me refiro ao meu cão. É cão que enche a boca, abocanha e dá beijinho. Cão como a fugir dum disparate. Cão a brincar a estragar chinelos. Cão a correr. Cão a desafiar mimo. Cão! Cão que me enche todo.

Confortavelzinho

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A banalidade é muito confortável.

Se conseguisse transformar letras em números

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Trabalho com vinte e três letras, às vezes uso vinte e seis, e aceito outros símbolos que possam traduzir sons, ideias ou coisa nenhuma. Não percebo de matemática, mas sei que existe um número quase infinito de combinações de letras… só em português!...
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Consigo escrever da esquerda para a direita e de trás prá frente, de cima para baixo e o oposto. Sei omitir vogais e consoantes. Disponível para usar erros ortográficos e gramaticais, até o novo acordo ortográfico.
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Sei usar os diferentes tipos de letra que o Microsoft Word disponibiliza e no tamanho pretendido; pode ser da Apple.
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Posso escrever à mão e estou habilitado a usar lápis, do mais macio ao rijo, esferográficas, canetas de aparo, canetas de tinta permanente, canetas para desenhar. Costumo usar a mão direita… se for necessário o recurso à esquerda, pode ser, mas o resultado não terá a mesma qualidade.
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Consigo escrever com os pés. Mas não de forma literal.
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Não tenho qualquer tipo de escrúpulos: alinho do pornográfico ao beato, do que acredito ao que vomito.
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Tenho uma cabeça com uma capacidade instalada – para a produção de palavras, frases, períodos, parágrafos e capítulos – ao nível das usinas mais produtivas dos Estados Unidos da América e com os custos da mão-de-obra chinesa.
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Reconheço que não sei fazer orçamentos – não entendo de matemática – pelo que os apresento gratuitamente.

Disponível

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Por que ninguém me entrevista? Posso mentir ou inventar, o passado, o presente e o futuro, um tempo verbal qualquer, uma pessoa qualquer. Sei fazer silêncios e veemências, olhar nos olhos e desviá-los, por vergonha, pudor ou medo. Consigo falar o desejado ou excitar a polémica.
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Tenho tanta coisa para não dizer.

Preciso duma cadeira nova

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Aposto que se gritar cinco vezes merda será o mesmo que só uma. Nem na luz me ouvem nem à luz vou ter. Sofrer deitado é frenético e em pé é cansativo, a andar chegam mais mosquitos. Se a cadeira não estivesse estragada, derreada, estaria mais confortável. Sentado, bem sentado, o computador é tudo. Até posso fingir que morro.

Xiu, para que não acordem e nunca acordarão

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Estou caladinho. Fico caladinho. Porque caladinho não me ouvem. Se falasse, também não. Caladinho para não ter desilusões.

Não há horas certas nem horas erradas

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Não experimentei todas as drogas.
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Haverá todas as drogas.
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Não experimentei todas as drogas, nem a maior parte, nem as mais perigosas.
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Poucas e não gostei.
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Experimentei todos os remédios para a cabeça.
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Haverá todos os remédios para a cabeça.
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Até os mais perigosos e dormi e acordei para onde quis deixar-me adormecer.
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Passei o dedo de pele finíssima e macia na lâmina dum sabre.
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O que se faz com um sabre? Nem droga nem remédio nem explosão.
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Belas e vaidosas, lentamente vendo o derramar até à luz da chegada.
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Tenho medo das alturas, só temo de morte – o caminho – e fujo aflito como um peixe fora de água.
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Não experimentei quase nenhuma droga. É estúpido morrer devagar ou morrer por acidente.
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Os remédios são remédios.
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As pistolas fazem barulho e as espadas são lentas.

O nu das praças

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Por que tenho um tumulto nas veias se não sei de raiva? Talvez o pesadelo do veterano de guerra.
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Afogo-me no sono, afundo-me num colchão mole, afundo-me num colchão rijo. Abraço as almofadas como se a mãe. Na posição fetal.
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Não quero conversar com o mundo nem com o indivíduo. Exijo a coragem do nu das praças e a desvergonha do alcoólico invisível, encarnado e fedente.
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Quero o revólver. Quero fazer amor. Quero tocar as balas e alimentar o tambor. Quero fazer amor na persistente noite. Um orgasmo qualquer.
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Quero todos. Por não, antes ninguém.
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O sono. O sono. O sono… O sono.
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Se não sonhasse no sono. Se não vivesse. Mas o peso.
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O peso morto da alma, o fígado quieto, os pulmões às vezes, a cabeça. A cabeça.
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Vórtice de palavras, conversas, burburinhos, gritarias e além das praças. Dói-me aqui.
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Oiço demasiado bem, excessivamente vivo.
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Com o suor da vigília e o aperto, exausto, sem renascer. Com uma culpa qualquer.
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Com uma culpa qualquer.

segunda-feira, maio 11, 2015

Não passará!

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O Acordo Ortográfico – coisa que soa a tratado de capitulação – é uma rendição incondicional em que todos perdem e não porá fim à guerra inexistente. Pode um Governo decretar que a treze de Maio será parido o aborto linguístico, mas um aborto é falecido.
Não só  o pão mata a fome. Tenhamos todos os vegetais, fungos, carnes e peixes servidos às mesas da escrita. Pode o homem erguer arranha-céus, mas Babel não conseguirá.  Nem esta, mais pequena, porque a areia da argamassa é salgada, porque chegou por mar. A pequena Babel cairá antes de.
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Confesso que defendi o obviamente indefensável, mas porque duzentos milhões. Um acordo ortográfico será sempre uma ditadura moralista e a minha língua é promíscua, amo-a leviana... fez, faz e fará meninos pelo mundo.
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Porque lemos castelhano e entendemos, porque lemos italiano e entendemos, porque lemos catalão e entendemos, porque lemos galego – irmão de sangue e leite – e sentimos, porque lemos leonês e dizemos mirandês… e até francês, por que haveríamos de não compreender a escrita em português?
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Triste quanto um casamento que já na boda se sabe das infidelidades.
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Roda mundo e a água e ventos e são. O rio será delta, não estuário, porque somos órfãos de latim, a quem lhe morreram os pais, os avós e há muito tempo viemos todos de África.
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A treze de Maio nenhuma azinheira se iluminará num milagre-pesadelo. Os duzentos milhões não vão escrever ao modo dos doutores, tenentes do idioma, que têm bafo a caruncho e certezas de bafio.
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E a sintaxe? E a gramática, no geral? E a Fonética? A prosódia troça.
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A treze de Maio será obrigatório e a treze de Maio haverá guerrilha.
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Em bom português, vai para, porque a que te pariu, filho de um.
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Nota: Oiçam lá como os camones brincam com a coisa, a língua.
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Fazer vinho é canja mas galináceos não fazem parte dos lotes

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Chrétien de Toyes escreveu e fez-se o Graal.
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José de Arimateia levou-o e o tempo perdeu-o. Achá-lo só os puros e de merecimento. Sir Galahad, Sir Bors e Sir Percival conseguiram.
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O Graal desapareceu. Se está escrito, existe. A letra impressa não mente.
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Muito mais antiga é a demanda da Pedra Filosofal. Tão antiga que, pelos artifícios da alquimia, se descobriram verdades de ciência.
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Antiga e já conseguida. Cientistas conseguiram fabricar ouro. Ouro que vale mais do que ouro, só um trilionário sem juízo compra esse metal. A natureza vende mais barato...
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Se bem que o conseguimento não é bem um concretizamento. A Pedra Filosofal tem de transformar em ouro qualquer metal plebeu; os sábios apenas conseguiram fazê-lo e não que consiga metamorfosear qualquer calhau.
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Ah! O mais prosaico… o Elixir da Eterna Juventude. A morte chega a todos e assusta muita gente. Também os poderosos do mando falecem e temem o dia em que a gadanha os faça fechar os olhos.
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Com o ouro pagaram a homens de ciência e virtude. Como nos contos das «Mil e Uma Noites», a habilidade estava em conseguir manter o patrono entretido, acreditando que os progressos se faziam.
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Aldrabão e famoso, o alquimista era chamado à Corte. O ouro tão perto, puro veneno. A cobiça e o pesadelo. A maior competência não era fabricar vida, mas não criar a morte. Ter as perícias para progressos e um sofrimento esperançoso por não ter tido ainda sucesso.
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A vida eterna é no Além. Ou… a espada, cutelo, machado, garrote, forca ou. O fabuloso mercúrio. O mortal mercúrio.
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Todos os mestres foram um dia aprendizes, mais tarde ainda esperaram como oficiais. Entre os mestres, uns melhores do que outros – nunca esquecendo que dois mais dois podem não ser cinco.
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Johann Wolfgang von Goethe poemou «O Aprendiz de Feiticeiro», que não poderei ser. Acreditei nos livros das ciências sem mestre e montei um laboratório com os ingredientes e ferramentas, sabendo colher dos mestres o conhecimento aproveitável, vinho monovarietal engarrafado.
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Em segredo comprei as essências e pela noite até de manhã nada mais fiz do que procurar o Graal, a Pedra Filosofal e o Elixir da Eterna Juventude.
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Vinho!
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Não sei que horas eram quando finalizei a poção. O melhor vinho do mundo!
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Engarrafei-o em frascos de perfume de sete decilitros e meio, devidamente rolhados. Sobre o todo, lacre, como antigamente.
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Exausto adormeci, sonhando com Xerazade, Isolda, Julieta, Dulcineia, Dinamene, Bela Adormecida e Maria Carolina de Bourbon Duas Sicílias.
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Ainda fatigado, revelei o vinho – Elixir da Eterna Juventude, Pedra Filosofal e Graal.
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Não tentem fazer isto em casa. Dos vários escolhidos, enófilos de escol ou só de folia, recebi um quase unânime:
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– Não é bom. Acho que nem é propriamente mau, é muito esquisito.
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Houve um que sentenciou:
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– É uma grande…
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Se tivesse sido um êxito, não revelaria a fórmula. Para memória de chacotas futuras, deixo a composição:
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Encruzado (15,3%), arinto (15,3%), chardonnay (15,3%), touriga franca (15,3%), alicante bouschet (15,3%), loureiro (7,7%) touriga nacional (7,2%), alvarinho (5,7%) e syrah (2,9%).
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Era suposto ser palheto, mas só consegui tinta de escrever, mas em encarnado.
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Com as sobras aproveitáveis criei uma pujança, uma espécie de tiro da Big Bertha, por isso dei-lhe a alcunha de Thor. Alvarinho (40%), syrah (33,4%) e touriga nacional (26,6%). Um pouco mais bronzeado do que o anterior, e mais bebível.
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Nota 1: Por incapacidade da caixa de etiquetas, deixo aqui a relação dos artistas cujas obras tiveram a infelicidade de ilustrar o meu vinho... Lawrence Alma-Tadema, Paul Delvaux, André Derain, Ticiano, Constant Troyon e Mårten Eskil Winge.
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Nota 2: A imagem principal designa-se por «O Alquimista» e é de autoria desconhecida, mas enquadrável no género alemão, estando datada de 1880.





O que é a silepse

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Se não gramas gramática, usa siléptica. Não sabes de gramática, usa siléptica.
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Um conselho amigo:
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– Fixa a  palavra, dar-te-á jeito quando de apontarem asneiras no falar e no escrever.
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A língua mexe-se e diz asneiras, palavrões.
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A língua mexe-se e diz asneiras, disparates.
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A língua mexe-se e diz asneiras, concordâncias silépticas.
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Siléptica podia ser um país, uma região ou uma cidade. Ainda assim pode dar jeito quando vier à conversa aquela aldeia onde os homens dançam com o braço direito lançado para segurar a mão do par. Uma luz invisível irá iluminar-te diante da audiência, serás como o Grand Larousse.
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Siléptica podia ser uma doença. Ainda assim pode dar jeito, quando quiseres fugir do local de trabalho. Justifica que te sentes mal, que tens de ir ao médico, porque estás com ataque agudo de siléptica.
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Se te pedirem pormenores, explicas:
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–  É uma doença compósita e sintética, conjugando as síndromes de Pinóquio, de Tourette, de Peter Pan e de Estocolmo.

Condensa: é a síndrome de Tourette, mas em oposto, para dentro. Que é a síndrome de Estocolmo, mas em inverso, para fora. Além duma aflitiva e delirante conjugação das síndromes de Pinóquio e de Peter Pan.
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Se não souberem o que é a síndrome de Tourette, sintetiza:
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– É não conseguir parar de dizer asneiras. Mas frisa, com um tom grave e dolorido, que nos padecentes de siléptica, os palavrões afectam o íntimo… coração, fígado, mente e até alma, no caso de quem acredita em Deus. Mas contudo, uma pausa é importante.
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Atenção! Sacode e desvaloriza importância das síndromes de Estocolmo, de Pinóquio e de Peter Pan. Pois, se bem pesadas e somadas, a siléptica revela-se.
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Se a chefia se mostrar apreensiva, começa a dançar agarrado a ti mesmo e cantando Nat King Cole em espanhol, com o respectivo sotaque.
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Em caso extremo, joga-te ao chão, rodopia, faz movimentos rápidos e bruscos com braços e pernas, espuma-te e dá traques.
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Vais sair. Preocupado, o chefe vai mandar chamar um carro com motorista para te levar e não vai assinalar falta ao serviço. Será um carro amarelo que desabrido cantará estridências até que estejas a salvo no hospício.
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Nota: Dedicado ao meu amigo silésio, não siléptico, VR.

Cave canem

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Calor do cão. Canícula é palavra que me encanita, como encanitar é verbo que me encanita. Será que a palavra encanita é uma palavra-ferramenta? E a canícula? Transpiro só de pensar, mas não de calor, mas de encanitanço. E já agora informo que não gosto de palhaços nem de arlequins, encanitam-me. Repito que encanitar me encanita.

Ab ovo

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A banalidade é uma banalidade. Se a palavra banal não fosse banal seria o banal extraordinário?

terça-feira, maio 05, 2015

Conversa acabada – versão essencial – 3 de 3

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Nota: São mesmo só dois pontos finais.

Conversa acabada – quer diga, quer não diga, ela faz… aliás, não faz – 2 de 3

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– (Vais ficar a pão e água).
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– (Não se aguenta! Já me estragou o dia… e já sei… chiça!... Agora vem a retaliação da abstinência. Às vezes chego a pensar que não fazendo a amor me castigam sem se castigar a si também… Ainda por cima, parece que é castigo comum… Vá Deus compreende-las…).
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– (Que use as mãozinhas…).
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– (Lá vou ter de lhe dar um abraço, beijinhos… levá-la a jantar ou ao cinema, ou as duas coisas…).
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– (Nem que venha com chocolates e violinos. Vai ficar a pão e água).
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– (Não se aguenta! Já me estragou o dia… e já sei… chiça!... Agora vem a retaliação da abstinência. Às vezes chego a pensar que não fazendo a amor me castigam sem se castigar a si também… Ainda por cima, parece que é castigo comum… Vá Deus compreende-las…).
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Conversa acabada – versão em que se vertiginosamente se lá chega – 1 de 3

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– Não sei, não. Não e não!
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– Por favor… [por favoooor!]
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– Não gosto de agendamentos, detesto efemérides, não gosto de convívios familiares… não tem a ver nem contigo nem com a tua família. Não gosto, mesmo. Passa-se o mesmo com a minha, não gosto de festinhas de família.
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– Ando há semanas a falar-te nisto…
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– Ando há semanas a responder-te a mesma coisa.
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– Estás a ser desagradável!
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– Estou a marimbar-me. Se te chateia é porque queres. Estou a repetir o que te disse desde o início, desde que me vieste com…
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– Estás a ser muito desagradável!
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– Queres o quê? Que vá fazer sorrisinhos, fingir que está tudo bem, que adoro festas de família? Queres que seja hipócrita?
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– Estás a ser muito incorrecto!
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– Incorrecto?! Estou a ser sincero, muito sincero. Há semanas que te digo a mesma coisa, não sei por que meteste na cabeça de que haveria de mudar o que penso e o que quero.
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– Vou ficar mesmo muito chateada.
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– Então fica! É um problema teu.
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– Porra! Custa-te muito?
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– Já te respondi.
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– Olha, não queres ir, não vás.
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– Acho bem que penses assim. Não te obrigo a nada e não me obrigas a nada.
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quarta-feira, abril 29, 2015

Por que sou do Belenenses? Porque escolhi!

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Há perguntas irritantes e persistências idiotas. Compreendo e não respondo torto, porque a realidade portuguesa convida a esses raciocínios. Volta e meia perguntam-me qual é o meu clube.
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– Sou do Clube de Futebol «Os Belenenses».
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– Sim, mas de que clube?
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– Do Clube de Futebol «Os Belenenses», já disse.
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– Quem é que queres que ganhe o campeonato, o Sport Lisboa e Benfica, o Sporting Clube de Portugal ou o Futebol Clube do Porto?
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– O Clube de Futebol «Os Belenenses».
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– Não tens um segundo clube? Não acredito!
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– Tenho, pois.
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– Ah! Vês?! E qual é?
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– O Clube Oriental de Lisboa.
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Obviamente que não tenho uma segunda equipa. Nem o Oriental merece ser a segunda equipa de ninguém. É o clube de quem o ama acima de qualquer preferência alternativa. É o que fica mais perto de minha casa e isso dá-me algum conforto.
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A pergunta é recorrente, porque neste país, de batotas com décadas, está convencionado que só três clubes podem ganhar campeonatos. E já agora, uma das conquistas do 25 de Abril de 1974 foi o Futebol Clube do Porto começar a vencer competições.
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Embora Américo Thomaz, derradeiro presidente da República do Estado Novo, ser adepto do Clube de Futebol «Os Belenenses», tendo sido seu presidente, em nada a instituição foi privilegiado. Não nego que o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal têm, tiveram sempre, mais adeptos. Os clubes não eram do regime, o poder político é que apanhava a boleia para ter créditos populares. Ajudas que nunca foram recusadas, cumplicidades.
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Quem espreitar a história verá que, nos primeiros anos das competições, havia mais equipas a ganhar. O Marítimo, por exemplo, foi um caso de claro castigo, penalizado por causa da insularidade.
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Claro que sendo do Clube de Futebol «Os Belenenses» quero que a minha equipa vença todos os jogos e ganhe todas as provas e todos os anos.
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Quero e não quero. Só não quero porque – perdoar-me-ão os companheiros azuis – faltam contendores. O futebol é Portugal costuma ser um secador exactamente porque o resultado está «viciado» à partida. Que bom seria ter seis, sete, oito, nove, doze, quinze equipas que, alternando-se, pudessem ganhar.
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Não quero falar das batotas, dos prolongamentos, dos fora-de-jogo, dos penáltis, que são evidentes e batidos. A maior trapaça é a dos empréstimos, que um modo antidesportivo. Se ainda ocorressem entre clubes de diferentes campeonatos… Os atletas são cedidos, mas não jogam contra o «seu» clube.
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As equipas B são outra batota. Os três suspeitos do costume insistem que a Primeira Liga ganharia se tivesse menos clubes. É mentira! Eles ganhariam, com poupanças em deslocações e sem as maçadas de mais jogos, que podem, eventualmente, comprometer as carreiras europeias.
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No entanto, têm equipas na Liga de Honra, onde despejam reservas, dão rodagem e abastecem a equipa principal. É batota! São dois campeonatos e uma equipa, pois a outra é virtual. Além de que não os incomodaria ter trezentas equipas na segunda liga, aí já não há racionalidade financeira.
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O Clube de Futebol «Os Belenenses» nasceu em 1919. À data, a minha família vivia em Belém, nela respirava-se e transpirava-se e suava-se de emoção pelos azuis. O meu tio António e o meu pai foram sócios à nascença, em 1921 e 1924.
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Por fartos das batotas – que são antigas, como o roubo das Salésias, uma ajudinha aos clubes do regime – aborreceram-se do futebol, mas nunca deixaram de ser Clube de Futebol «Os Belenenses». Sofriam menos e distraiam-se da porcaria à tona das competições.
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Um dia – não há tantos anos assim – os filhos do meu tio António organizaram um almoço em Belém. Um dia de Sol que exigiu esplanada. Sentado de frente para um prédio, um dos octogenários levantou o olhar e reparou na placa da antiga sede do Clube de Futebol «Os Belenenses». Deu uma cotovelada ao irmão e ficaram os dois em silêncio com os olhos molhados.
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Vim ao mundo em 1970. Chegado à escola primária, lembro-me, como se fosse hoje, de ser rodeado pelos colegas:
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– És do Benfica ou do Sporting?
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– Sou do Belenenses.
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– És do quê? Do BENFIIIIICAAA ou do Sporting?
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Percebi que tinha de ser do Sport Lisboa e Benfica. Na década de setenta os encarnados ganhavam quase sempre. Neste país de piranguices e arranjinhos, o natural é os miúdos, fascinados com as vitórias, se deslumbrarem com os vencedores – daí a razão de haver tantos jovens portistas em Lisboa, o que não me faz sentido.
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Criança, ingénuo, um bocado desalinhado, frágil e com outras intimidades que me abstenho de contar, tornei-me num benfiquista pouco interessado. A equipa da turna vestia-se à Sport Lisboa e Benfica e lá tive de comprar o equipamento completo, com emblema, número e chuteiras. Aselha, não pude escolher. Como ninguém queria, só sobrava o Bastos Lopes, defesa direito, eficaz e discreto, incontestado número dois.
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Esforçava-me para ser do Sport Lisboa e Benfica. Toda a família do lado do meu pai era e é do Clube de Futebol «Os Belenenses». Do lado materno, são do Sporting Clube de Portugal. A minha mãe adoptou os azuis. Manuel Jorge respeitou a «minha escolha» e, com sentido democrático e de cavalheiro, disse-me:
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– Vais ver o Museu do Sport Lisboa e Benfica e o Estádio da Luz, mas vais também aos do Sporting Clube de Portugal, do Clube de Futebol «Os Belenenses», do Atlético Clube de Portugal e do Clube Oriental de Lisboa.
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Na verdade, verdadinha, não era do Sport Lisboa e Benfica, era do Nené. Adorava ver aquele cavalheiro – e o melhor jogador que vi – que não se sujava. No final da carreira ficava no banco. Com a equipa em padecimentos, sem vencer e a precisava, entrava em campo, já a segunda parte ia adiantada. O relato omitia-o, como se lá não estivesse. Quando o jornalista dizia o seu nome era sinónimo de golo.
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Sim, ouvia os relatos do Sport Lisboa e Benfica, mas era do Nené.
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As palavras «tudo», «nada», «sempre», «nunca», «todos» ou «nenhuns» são perigosas, batem-nos sempre à porta desmentindo-nos. Recuso aquela «verdade» de que uma pessoa pode mudar de casa, mudar de cidade, mudar de mulher, mudar de amigos, mas não muda nem de família nem de clube.
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Abomino esse primado. Prefiro a parábola do filho pródigo, o tresmalhado que regressa à casa de Deus – com as devidas ressalvas.
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Sou do Clube de Futebol «Os Belenenses» não porque «nasci Clube de Futebol “Os Belenenses”» ou porque me obrigaram ou determinaram ou influenciaram de modo, mais ou menos, autoritário. Sou do Clube de Futebol «Os Belenenses», porque o amo, porque o escolhi, como se encontra um amigo.
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Contudo, falta a explicação de por que me tornei Clube de Futebol «Os Belenenses». Hoje sei que sempre o fui, ainda que tenha vibrado com o Sport Lisboa e Benfica… com o Nené.
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Na época de 1981/82 o Clube de Futebol «Os Belenenses»» desceu, pela primeira vez, de divisão. A tristeza foi tão grande, tão grande, tão grande, tão maior do que qualquer alegria que alguma vez me dera o Sport Lisboa e Benfica – e eu apanhei anos áureos dos encarnados – que percebi que era (sou) do Clube de Futebol «Os Belenenses».
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No ano anterior, o Sport Lisboa e Benfica tinha vencido o campeonato e naquele fora o Sporting Clube de Portugal e no seguinte o Sport Lisboa e Benfica. Nada a fazer! Clube de Futebol «Os Belenenses». Obviamente Clube de Futebol «Os Belenenses».
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Acerca desta minha opção adapto uma anedota:
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– Casaste por amor ou por interesse?
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– Casei por amor! [porque interesse não tem nenhum].
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O resto da anedota não faz parte da explicação, a segunda parte. Não tanto por de mau-gosto, mas porque quando me assumi azul já a equipa estava na sua fase complicada, sem o tal «interesse».
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Olhando para o passado, desculpo-me pela pressão que me obrigou «a ser» doutro clube e pelo prazer de ver jogar o Nené. Que pena tenho que esse craque nunca tenha vestido a camisola azul.
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Há uma «coisa» que me infecta o bom-humor, que é a do «quarto grande». Há uma hierarquia? Como se estabelece? Pelos ganhos ou pelo amor que ultrapassa o sofrimento? Pela resistência? Persistência? Pelo inexplicável?
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–  O Clube de Futebol «Os Belenenses» é o quarto grande?
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– Não há quatro grandes! Essa ideia agonia-me.
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– Porquê?
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– Porque traduz a viciação e o desgosto futebolístico em Portugal.
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Há centenas ou milhares de clubes em Portugal e todos merecem o mesmo respeito. Reportando-me apenas aos que jogaram nas principais competições, o que é ser-se grande? Ter muitos adeptos? Ter muitas taças? Ter um grande passado? Ter um grande presente? Ter muitas esperanças? Jogar sempre para ganhar? Ter privilégios das estruturas organizativas?... secretarias, ajustes, ajudinhas, batotinhas, batotas e batatinhas.
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Como os miúdos no primeiro dia de aulas:
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– Qual é o maior clube de Portugal?
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– É o Clube de Futebol «Os Belenenses»!
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Não é o quarto grande, nem o terceiro, nem o segundo nem o primeiro nem o quinto nem o vigésimo. É um grande por tudo o que é, por todos os que foram e pelos que são. Como grandes são as equipas que merecem um apoio que não se partilha com qualquer outro, cujos adeptos têm uma só preferência e querem lá saber da vitória doutras equipas.
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Nota: Infelizmente para o futebol em Portugal, só há cinco equipas que ganharam o campeonato da Primeira Divisão e há apenas nove equipas que jogaram mais de metade dos oitenta campeonatos (o actual é o octogésimo primeiro) da primeira divisão:
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– Sport Lisboa e Benfica: 80.
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– Futebol Clube do Porto: 80.
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– Sporting Clube de Portugal: 80
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– Clube de Futebol «Os Belenenses»: 73.
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– Vitória Sport Clube: 69.
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– Vitória Futebol Clube: 66.
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– Associação Académica de Coimbra: 62.
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– Sporting Clube de Braga: 58.
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– Boavista Futebol Clube: 51. 
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Seria tão mais interessante se fosse como em Inglaterra!

Letra B

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Bugatti Royale.

terça-feira, abril 28, 2015

Paquetes portugueses

O fim dum mundo e o começo de outro. Os navios foram com o império e a alegria das novas nações viaja de avião. À parte, a estética das últimas naus.
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Santa Maria – Companhia Colonial de Navegação – irmão do Vera Cruz.
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Vera Cruz – Companhia Colonial de Navegação – irmão do Santa Maria.
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Angola – Companhia Nacional de Navegação – irmão do Moçambique.
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Moçambique – Companhia Nacional de Navegação – irmão do Angola.
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Uíge – Companhia Colonial de Navegação.
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Niassa– Companhia Nacional de Navegação.
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Infante Dom Henrique – Companhia Colonial de Navegação – a última glória.
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Príncipe Perfeito – Companhia Nacional de Navegação – a última glória.
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Funchal – Companhia Insulana – o sobrevivente, com mais donos do que os homens duma cortesã.