sexta-feira, março 27, 2015

Os vinhos de Deus e do Diabo

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Perguntou-me:
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– Acreditas no Céu e no Inferno?... No Purgatório…
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– Gosto do conceito, artisticamente falando.
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– No Inferno sofre-se…
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– Se a vida não tiver sido uma seca.
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– No Paraíso…
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– Dá-me ideia que tanta serenidade… talvez sejamos felizes num aborrecimento.
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– O Purgatório…
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– O Purgatório não será onde vivemos?
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– E o Limbo…
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– O Papa antes deste fechou sítio… Um outro tinha-o inaugurado, porque havia um lapso na obra de Deus…
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– Venenoso!
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– Seria giro… imagina o Céu, o Inferno e o Purgatório como locais onde podemos ir livremente, entrar, sair…
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– …
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– …
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– Então?!
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– Estava a pensar… que vinhos se beberiam…
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– Sim… no Paraíso…
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– Pinot noir.
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– No Inferno?
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– Cabernet sauvignon.
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– No Purgatório?
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– Tantas!... Não quero ofender «ninguém».
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– A touriga franca ficaria?... No Paraíso, porque a sentes divina ou no Inferno por te endiabrar em folia?
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– Nem num nem noutro sítio…
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– No Purgatório, portanto?
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– Não! No Douro.
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– Hã?!... E a antão vaz?
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– Essa… pedia a Deus e ao Diabo que a desinventassem.
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– Imagino as cenas… alegres folias… benditos néctares dos diabos, endiabrados vinhos divinais…
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– Anjinhos e suas harpas e liras… Demónios e suas guitarras eléctricas a estrilhar…
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– Ná! Anjinhos a tocar cornisfesto e diabretes a soprar rufete.
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– Isso não são castas?
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– São!
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– Ah!
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– Tem a ver… eu acho.

Dispense-se a ciência mas não a arte

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O que seria dos reis se ninguém sobre eles escrevesse ou os pintasse? Quanto dura a memória e sabendo que se inventa, recria e se contradiz… quanto?
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O que seria dos artistas sem reis? Seriam artistas, mesmo sem nada para mostrar, porque esconder e fingir fazem parte do mesmo, do retrato e da comédia e da subtileza e das laudes.
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O que seria dos eclipses e dos planetas sem astrónomos ou cientistas? O que seria da vida, da matéria, do universo sem cientistas?
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Seriam o que são. Mas sem artistas não seriam memória.
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Por isso a arte é maior do que a ciência. Um cientista vê matéria onde um artista vê o que quiser, poderá fazer além, aquém ou só isso.
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Podemos viver sem ciência, mas nunca sem arte.
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Nota: Lisboa, eclipse de 1912.

Dor de corno de nós

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Conversando, ouvi-o:
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– Sabes o que é a solidão do amor mal feito? Do amor feito sem razão, amor de despeito, amor de vingança, amor frívolo, amores de remorsos. É uma dor, várias dores….
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Perguntou-me:
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– Nunca te sentiste enganado?
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– Enganado por ela – a ela desse momento?
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– Não era isso, mas diz, que já pergunto melhor.
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– Sei que me enganaram. Acho que nunca soube e das que soube… nem tinham importância.
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– Não sofreste de ciúmes?
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– Sofri muito… por infantilidade, insegurança sem razão. Magoei.
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– Nunca te sentiste enganado por fazer amor?
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– Percebo… acordar e pensar por que estou ali ou por que está ela aqui ou por que estamos ou por que como foi possível… Sim, infelizmente sim. E infelizmente mais vezes do que gostaria. Nem como experiência vale a pena.
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– O que fizeste?
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– Fiquei melancólico, outras vezes nostálgico, outras sentindo-me traidor – mesmo não tendo ninguém, mas porque amava alguém -, outras por saber que foi por causa do álcool e aí dói-me mais… e cansa-me só de pensar no que poderá ela pensar – o que quer que seja…
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– Uma merda!...
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– Essa merda não é amor.
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– Preferes chamar-lhe… sexo?!
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– Não. Sexo é divertimento.
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– O que dizes que é?
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– Engano. Só o engano leva ao desengano… o ciúme abstracto, o acto com alguém estando com outra, ou tendo a outra na cabeça… o acto pelo acto, por vingança… ódio ou rancor não podem ser sexo e muito menos amor.
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– Engano?
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– Engano.

Queria ser calceteiro

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Quando era criança fizeram-me a pergunta que se faz a todas:
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– O que queres ser quando fores grande?
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Astronauta, terei dito. Bombeiro, lembro-me. Quase sempre ser calceteiro.
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Não via o tédio nem as dores por causa das cócoras. Via pedras, areia e instrumentos. Não sabia que hoje teria impaciência.
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Via construção e construção é arte.
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A paciência escreve-se no mármore e a ansiedade fica com vento a passar.
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As calçadas são de pedras anónimas. Juntas são indiferentes, às vezes bonitas. Faltando aleijam os distraídos, o fígado arranha.
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Via construção e construir é conhecer.
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Talvez porque na vida antes desta tenha morto e morrido matado.
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Não tenho ódios, tenho vergonhas.
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De cócoras não nos vêem as lágrimas.
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De cócoras escondem-se vergonhas e a cara.
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De cócoras pensa-se o que se quiser e na distracção juntam-se as pedras.
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De cócoras quase ninguém repara ou se importa.
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Sei que matei e morri matando. Perdoado, acusado e por descobrir.
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De cócoras – os odiantes saciam-se.
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Penitenciar-me? Escondido apenas.
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De cócoras – os odiantes segregam a bílis e do alto desprezam.
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Queria ser calceteiro…
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Quero ter a humildade para fazer do meu ânimo um calceteiro.

O que penso do que sinto

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Tenho o frio que senti no meu pai quando o toquei cadáver. Não o reconheci naquele objecto. Este frio é só este frio, nada mais do que o frio do anoitecer numa rua ventosa.
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Tinha um frio cálido, uma contradição. Um saco cor-de-laranja e repousando de olhos e boca. Lá dentro estagnado, sangue quieto. Parado, podem dizer sereno se vos ameniza ou consola.
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Disse-me, antes da médica da emergência, no compreensível raspão, informar – ali na rua, entre carros, no sítio.
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Veio e disse-me da forma como dizia morte, com palavras reduzidas ao mínimo. O mesmo rosto como sempre a disse, a mesma que tenho quando digo morte; usando o mínimo de palavras
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Assim entendemos. Não há dúvidas. Disse-me:
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– Morri.
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Percebi, antes de o ver aproximar-se, de lhe sentir o toque espiritual, de o encarar e ouvir.
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Cheguei e na rua a médica protegendo-se foi lacónica e essencial, usando mais palavras do que ele diria, do que digo.
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O polícia que zelou pelo corpo soprou o vento entristecido e quieto da sala vazia de som, secando as lágrimas da mãe, suspensas à minha chegada. Ali estivemos à espera da próxima burocracia e da outra seguinte.
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O meu pai estava feliz. Antes de ter saudades. Carinhoso, doce como o nunca vi. Acalmou a minha mãe, abraçando-a, ficando de pé a seu lado, com o braço sobre as costas da cadeira e a mão no ombro, ouvindo-nos.
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Estava feliz, o meu pai. Acompanhou-a até que lhe disseram para ir. Esteve por ela e deixou-a ali, junto à terra barrenta, e também ao corpo. Porque o tempo. 
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Saudades vieram e foram-se e virão.
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Deixou o rosto sereno para quem o quis assim entender. Olhei o rosto como corpo, nem sereno, só vazio.
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Olhei-o como alguém que se despede à janela do comboio. Deixei-o com a minha mãe, que não o viu.
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A morte não tem segredo. Faz parte da vida, como gatinhar e aprender a falar.
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É mais difícil de explicar que é apenas do corpo.
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Disse sempre morte com duas palavras e nunca o vi doloroso. Digo de forma mínima e não me vi doloroso.
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Não é frieza nem falta de palavras. São as palavras todas e a certeza mentalmente orgânica de além-fim.
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Não sei se somos – ele e eu – normais, sentindo a normalidade da morte. Não por frieza, mas porque.
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De todas as coisas só não entendi a cor-de-laranja e o frio cálido da pele.

Sangue-azul

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Disse-me:
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– Sangue azul.
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– Duas palavras bonitas… uma é coisa e outra é meta-coisa.
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– O que pensas disso?
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– É como a rosa-azul ou a tulipa-negra.
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– Como?
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– Um desejo. Seria como o Graal, se o Graal não tivesse sido criado Chrétien de Troyes.
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– Não percebo, nem percebo a diferença.
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– A partir do momento em que alguém escreve, é verdade. Rosa-azul e tulipa-negra não existem, ninguém as encontrou – que eu saiba, literariamente ou artisticamente falando. O Graal foi concebido para ser desejo, mas foi encontrado por Sir Galahad, o cavaleiro puro, filho de Sir Lancelote e da Rainha Élaine, e vislumbrado por outros, Sir Bors e Sir Percival. E os Doze Apóstolos, e José de Arimateia e sei lá…
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– Quanto ao sangue azul?
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– Sangue azul não existe… pelo menos nos humanos e nos animais que sei. O que existe é sangue-azul… com hífen.
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– Hã?!
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– O sangue azul é o das veias que se vêem sob a pele das donzelas, damas e realeza. Alvas, por não laborarem sob o Sol que tinge. É um privilégio.
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– E o sangue-azul, com hífen?...
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– O sangue-azul é o sinal do mérito, da nobreza de carácter, da bondade, do sentido de justiça e da compaixão, da misericórdia e compreensão, da piedade, da solidariedade, do amor verdadeiro – que é o amor da verdade e pela verdade –, pela amizade sincera, pela sinceridade.
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– O sangue-azul é uma virtude?
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– É a virtude do merecimento. É uma mercê e não uma graça.
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– Sinal de santidade.
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– Se quiseres, mas da santidade verdadeira e não a atestada por um homem ou grupo, decretada e celebrada com dia de instituição.
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– Santidade concedida por Deus?
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– Não! Santidade por merecimento, em obediência a Deus, amor e suas facetas. A Deus de amor e de inteligência suprema.
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– Quem decide? Alguém…
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– Desculpa interromper-te… Nenhum homem a pode decidir, porque nenhum homem é dono da palavra de Deus.
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– Acabaram-se as religiões.
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– As religiões dão jeito, são instrumentos. O que conta é o sangue-azul. Sei – penso que sei, tem lógica para mim – que Deus ama o bom de pensamento e bom de gesto e não o crente de verbo e escuridão de carácter.
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– Anjos, santos!... Profetas?!
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– A angelitude não é uma espécie criada por Deus, mas pessoas de sangue-azul, como os santos; santos pela obra. Já os profetas… há de tudo.
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– … Os profetas falam em nome de Deus…
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– Quem lhes concedeu tal direito ou, sobretudo, esse dever? Não sabes nem saberás. O que lês quando lês os profetas?... Lê a mensagem e atenta ao verbo, o que deles se colhe.
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– Palavras atribuídas a Deus… supostamente.
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– Palavras, palavras… Repara, por vezes é tão óbvio que nem reparamos. Deus do Primeiro Testamento é castigador, um velho irado, justicialista, egoísta… assim o viam os profetas que o inventaram. Sei que se cometeram crimes em seu nome, mas também quem foi misericordioso.
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– …
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– Vê a mensagem de Jesus. É de amor. O que fizeram dela? Homens, alguns supostamente santos – de carta e documentação outorgadas por outro homem, por um homem político. Queimou-se gente, massacrou-se… até se criou o verbo judiar, sinónimo das malfeitorias que alguém sofre às mãos de outrém, uma analogia às brutalidades feitas aos judeus, pelos porta-vozes de Jesus e de Deus.
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– … Hummmmm…
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– Vê o Corão… Lê e atenta ao ódio que nele está escrito. Depois do amor de Deus trazido pela voz de Cristo, regressa um ser totalitário, vingativo, faccioso e intolerante, mesquinho. O Corão é um retrocesso da humanidade. No entanto, há – certamente muitos, muitos, muitos – bons homens, de boas acções e verdadeiro amor, que são muçulmanos.
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– O amor. É a fé verdadeira?
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– Não sei. Não sei. Provavelmente, sim. Não quero afirmar o que não sei nem tenho mandato para dizer… Acho que não pensei nisso completamente, sistematicamente… acho que sim, que a fé verdadeira, a que agrada a Deus, é de amor.
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– Só referiste exemplos das religiões do livro. E as outras?
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– Igual. A santidade – que já referi – não esperou por Cristo – nem por Moisés ou Maomé, admitindo como benignas as suas heranças escritas.
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­– Budistas, hinduístas…
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– Todo o homem bom.
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– Deus criou bons e maus.
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– Deus criou-nos, simples e imortais. Da ingenuidade até à angelitude, por caminhos de dificuldades, de provas, de expiações – acredito –, até ao conhecimento, até ao amor. O amor que liberta e nos desliga do materialismo e nos faz viver em espírito, no sublime.
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– Descrentes… ateus, agnósticos, cépticos de toda a ordem…
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– Deus ama todos os seus filhos, mesmo aqueles que não o vêem, sentem ou reconhecem como pai. Sei – na minha lógica, na que me faz sentido – que Deus os prefere assim nessa verdade e de sangue-azul aos beatos dos credos na boca, das ladainhas, dos auto-elogios de virtudes…
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– O Diabo?
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– O Diabo não existe. O facto de existir o Diabo destruiria Deus. Quem acredita no Diabo não acredita – ainda que genuinamente e sem dolo – em Deus. Sendo Deus perfeito, causa primária de tudo, inteligência suprema, amor infinito… como o Diabo? Seu filho rebelde? Com tanta força e poder? Não pode. Não pode, de todo, existir.
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– E a maldade? A maldade existe.
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– As maldades são as nossas imperfeições, acidentes do caminho para a felicidade. O Diabo está em nós – o egoísmo, a cobiça, a inveja, o ódio…
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– Como deixamos de ser assim?
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– Normalmente… tentativa e erro. Faço e aleijo, crio inimizade, zanga… aleijando-me, quando os outros me respondem no mesmo modo como lhes falei ou fiz... O mal que me faz mal é o mal que faço.
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– Perdoai aos outros, como nos perdoamos a quem nos tem ofendido?
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– É! Quando percebemos que existe uma regra de causa e efeito e que agindo duma forma nos saímos mal, acabamos por corrigir o passo. Vê a força de Ghandi, de Martin Luther King, de Nelson Mandela… certamente homens imperfeitos, mas que com a paz venceram injustiças.
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– Nem todos temos essa fibra, estrutura moral, carácter decidido e perseverança.
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– Se vivêssemos uma só vez, sim. Deus não seria justo e bom se só nos desse uma vez para viver – na carne. Repara no óbvio: o rico, protegido e ocioso pôde estudar e de barriga cheia articulou palavras doces; o pobre, nascido nos esgotos, no seio da criminalidade, sobrevivendo como pode, socorrendo-se de toda a maneira… Justiça? A morte não existe, é uma etapa. O corpo – mesmo biologicamente sempre em renovação – decompõem-se, elimina-se, mas não o espírito. Somos filhos de Deus, da sua essência – espírito. Vimos e vamos e vimos e vamos e vimos e vamos e vimos e vamos… erramos, corrigimos, provamos, andamos, erramos, corrigimos, provamos, andamos… Ora ricos, ora pobres, ora com uma doença, sempre com uma tarefa e exames para fazer. Aprovados numas disciplinas e reprovados noutras… Numa outra vez, tentativa… erro… e outra vez e outra vez e outra vez…
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– Até ao sangue-azul.
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– Até ao sangue-azul.
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terça-feira, março 24, 2015

Duas gatas infotocopiáveis

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O tempo voa e voa tão depressa que os aviões parecem parados quando comparados à constatação do passar da vida. Comecei o infotocopiável há nove e não sei por que razão, mas sei por que continuo a alimentá-lo e a ser por ele a ser alimentado. São nove anos de casamento entre um tipo e suas palavras, residindo numa casa inexistente.
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Neste mesmo dia, mas há onze anos, nasceram as manas Granita e Lioz. Vieram da mãe demasiadamente cedo, reconheço… reconheço que lhes amputei infância. Um mês depois do nascimento entraram em casa.
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Carentes de mãe e doces como ela. Nunca lhes faltei a uma mamada nem recusei mimos. A Paraquedas veio mais tarde e no seu dia dela contarei.
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A Granita ronrona alto como uma chaleira de água fervente, muito mimada e mimadora. É quem pede a comida ou para ser mudada a areia. A Lioz é frágil e muito terna, com uns olhos azuis, muito grandes, muito abertos e muitos espantados. Raramente mia, mas quando fala… o que tagarela…
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Hoje há festa! Comidinha húmida para todas… é a loucura!

sábado, março 21, 2015

Caetano Veloso é o Rei Midas – oiça-se a música «Sozinho» em diferentes versões

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A fronteira é uma linha imaginária que por vezes é óbvia. Uma canção pode ser cançonetismo farsola, soul de casa de passe, cólica ou ouro.
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À versão de Tim Maia faltam as bolas de espelhos, as luzes coloridas do lusco-fusco, o chão de acrílico colorido que se acende a espaços, meninas de tranca rechonchuda a transbordar da saia micro e travada de pergamóide, perfume rasca e sapatos altos com plataformas, fingindo cristal ou de escarlate envernizado; putas!
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Sandra de Sá é mais sóbria e sobra-lhe a falta de talento – como é possível sobrar o nada?! Voz feia e potente e ausência de talento interpretativo. Sem julgar orientação sexual – assunto que não arrelia – esta versão aviva-me as lembranças dos bares de camionistas sem pila mas com mais testosterona que uma equipa de rugby, onde fui levado por amigas curiosas ou um pouco mais do que curiosas. O melaço transformado em calhau, um assassínio do espírito da composição.
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Quando Caetano Veloso a ouviu enamorou-se. Descobriu que era Sandra de Sá quem a cantava e encheu-se de desejo. Ao saber que o autor é Peninha decidiu-se a gravá-la e pô-la no seu chou. Teve medo ao descobrir que Tim Maia a adoptara – não percebo o que lhe intimida e agrada no músico carioca…
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A versão de Peninha… dá pena!
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Caetano jogou as mãos à música e como Midas fez ouro. A intoxicação de açúcar e banha de presunto – muito além de qualquer pudim – torna-se em alta cozinha.
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