sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Manuel Jorge – 25 de Abril de 1924 – 20 de Fevereiro de 2015

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O meu pai contava-me a estória dos «Músicos de Bremen», adorava ouvi-lo contar. Tão bom ou melhor do que ir ao cinema.
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Acima de tudo, um tipo muito fixe!

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

O terceiro calhau a contar do Sol

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Diz ele que a Terra está parada e é o Sol que gira à sua volta, tal como o universo. Porque se a Terra rodasse os aviões não chegariam ao destino, porque o local da chegada estaria em andamento. Porém, se a Terra girasse em sentido contrário, os aviões não precisariam de voar, bastando-lhe esperar para aterrar.
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Copérnico e Galileu urinaram-se de riso.
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Nota 1: O xeque Bandar al-Khaibari também não acredita que o homem foi à Lua... como lunático, é possível que tenha razão.
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Nota 2: O título é igual ao duma série humorística norte-americana – «3rd Rock from the Sun».

Palavras em novelo

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Triste quando me ligaste e desse lado da linha palavras enleando-me como fios de lã fazendo camisola aqueceram-me no choro e até ao riso.
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Nota 1: À minha amiga Cookie.
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Nota 2: Não foi nada assim, mas foi como se fosse naquela manhã do despertar de 2004.

Essa palavra

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Amor começa com A e termina em dó sustenido, duma marcha lenta.

De Nascente a Poente

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A casa não fica no mundo, fica no Verão e se chuva*, a chuva é em mim, trovoadas tão negras, mais negras do que as de água, belas como as de Rubens.
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As janelas para a rua – que não tem luz que preste – têm as portadas fechadas. O Sol vê-se de Nascente a Poente.
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Às vezes batem à porta. Quase não oiço, pairando em transe alguns palmos sobre a vida.
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Há dois jardins. O árabe e o verde.
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O árabe tem fresco, pomares de laranjeiras e muitas fruteiras. Azulejos e água sempre correndo. Ninhos pró amor, vinho e paredes de seda voantes, entre colunas e a toda à volta – casa seminua, de almofadas, lençóis e flores.
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O outro tem árvores grandes. Umas dão sombra, outras são ciprestes e melancolias. Muita erva para deitar a preguiça e o tédio.
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Só chove no verde. No outro, o frenesim do amor e o ânimo do vinho desconhecem outra coisa além da vida.
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Nota*: utilizei propositadamente a palavra «chuva» em vez de «chove», que era incompetente.
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Os músicos de Bremen – Irmãos Grimm

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O meu pai contou-me.

Telefone

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É despida que te vejo, até pelo telefone. Se me ligasses, não pelo telefone. Que chamadas não faríamos…

O que seria de mim sem mim?

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Que não me copulem o juízo. Por favor… para isso basto-me.

Antes

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Que seria de ti sem mim, talvez sem mais ninguém para odiar. Presunçoso, talvez. Pensando que mereço o teu repúdio. Quando a luz se me apaga por um minuto rezo para que receba ódio e não desprezo.