digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, julho 14, 2015

Ausente negligente impotente

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Pois que e. Às voltas com um cansaço que chega ao terço do caminho, e o corpo perdente da vertical e conformado só diz não conseguir. Sente o polvo malhado antes do tacho com água fervente e respondendo às questões do Trivial Pursuit.
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Os olhos fixos no ecrã que neles se fixa. Os gestos inertes do sistema que talvez corra no computador.
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Hoje não faço mais nada e ontem também não farei e amanhã quem sabe se talvez um dia que pode ser. Uma cama não chega. Nem um sono, todos e seguidos, sem pausas por sede ou fome.
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Desencarno e vejo-me (sobrevoando) incapacitado, não esperando nada, vazio. As correntes de ar trazem os pós do mundo, não levam.
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O mundo e chatices e as discussões moentes, não sossegam nem espicaçam. Aguento as ondas e um dia. Que é hoje e foi ontem e numa data de dias para trás. Esparramado sob.
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Aos dias:
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– Sejam calmos, de Sol e repouso. Vão sem mim, que não consigo ir lá ter. 

sexta-feira, junho 06, 2014

As línguas e os idiomas

Nós na temperatura a que ferve a pele
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Tudo é tudo, contando com o tempo
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Futuro perfeito, futuro mais que perfeito
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Derramando-nos sobre o outro
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Beijando sentindo a alma sob a pele
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Mãos cheias com a força e a delicadeza
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Bocas torturam e sofrem
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Sofrer de impotência na distância
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Sofrer do prazer
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Sofrer da vontade.
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Tão fundo e tão periférico
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O que dizer?
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O que ouvir?
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Nem tampouco importa...
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As línguas e os idiomas da cama
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Sofreguidão contida e explosão
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Minutos de descanso e sussurros noutra língua.
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Sem querer saber, depois do prazer o sentir dos corações.
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Se o tempo não faltar.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Ninguém está a ver

O que faz a masturbação um ato íntimo? Será o prazer de esconder o prazer egoísta. Por isso, desejado, caçado por olhos camuflados. Que mal tem o prazer de ver se há prazer em esconder o prazer que se tem? A masturbação não é um ato solitário. Há a pessoa amada, a multidão ávida da revelação ou toda a gente que nesse sonho acompanha e transmite-se para o culminar cego da descontração. A pergunta mantém-se: o que a faz ser um ato íntimo?

terça-feira, janeiro 15, 2008

Deixar ficar

A pedra barroca é a paz sólida e feita de vida. Importa o toque e a cor.
Deitado frente à parede, toda a altura sagrada verte sobre o corpo. É claro que há o frio a abraçar as costas, mas a magnífica visão inebria envolvendo.
Um quase desmaio, um transe: a alma sai do corpo em suave despejo, uniforme mancha incolor e impossível e vontade indeterminada.
Banalmente chama-se viagem, mas poderá ser sonho. Transe é a melhor definição. Elevação e vertigem, queda do pano rochoso e esculpido até aos olhos, que se fecham em delírio tranquilo.A pedra barroca é. Na indefinição dos momentos, é o tempo do possível em período finito e esquecido da dor passada. Uma memória dos passos e de toda a vida passada. Um segmento de recta.