digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Apenas três árvores - ilusões
















Como uma púbica tripla. Quem sabe? Que pecado? Provavelmente nenhum.

Não sei

Podem ser dois exércitos em íntima proximidade. Pode ser uma multidão junto dum enforcado. Pode ser uma clareira e sua floresta. Não sei, mas incomoda-me.

Can can





















Foi há um ano ou dois e mais uns meses. Estavas feliz e eu, triste, estava feliz. Havia Champanhe ou imitação alegre de espumante. Depois acabou. Foste e fiquei. Ficaste e fui. Sonho-te triste, mas estarei errado. Estou ainda triste, mas agora não estou feliz. Às vezes sonho-te, apenas acordado. Ainda outro dia te mandei uma mensagem, não respondeste.

Can can

Foi há um ano ou dois e uns meses. Havia festa, nessa altura. Não me lembro se gostava de pôr vírgulas. Ponto. Havia Champanhe ou feliz espumante português. Estavas feliz e eu também. Hoje sonho-te entristecida, mas talvez estejas feliz. Ontem estava feliz, embora triste, e hoje apenas triste. Às vezes lembro-me de ti. Depois esqueço-te. Ainda outro dia te mandei uma mensagem. Não respondeste.

Pois

- Parvo!
- Não, infantil.
- Não é a mesma coisa?
- Não.
- Talvez... é ambas.

Humm

Não ponho as barbas de molho! Não Tenho barba nem gosto de cabelos na sopa. Modernices... Mas já tenho idade para o fazer.

Caça - natureza (mesmo) morta

Foi de manhã. Acordei, mas fui incapaz de ir. Foi de manhã, acordei. Acordei e tentei descobrir a nudez da prima pela frincha da porta. Acordei, levantei-me infeliz, por ter perdido a viagem e a nudez da prima. Mais tarde, à noite, vi o que perdi. Não perdi nada, apenas cadáveres que haveríamos de comer.

Cisne





















Sim, meu cisne. Não, meu cisne. Nem outra coisa que não o amor por ti. Nem outra coisa que a diferença de quereres. Não me beijas, não mergulho. Enfim, juntos à distância dum suspiro.

Alguém

Dessintonizado. Desamado. Rebelde. Revoltado. Idealista. Bombista platómico. Amante infatigável e cansado. Humor fácil, solto e pronto, mesmo na tristeza. De tudo um pouco, mas pouco de cada coisa. Só e cansativo e perdido, perdedor.

Tonho

Tonho! Oh Tonho? Donde 'tás? Tenho aqui a baca...

Nota: Não gosto nada deste desenho.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Uma estória com gatos

Na verdade tem um gato: um gato que não existe, com quem fala telepaticamente. Já teve talvez dois, mas é o mesmo, sempre permissivo quanto à liberdade. À sua e à dos felinos.
Conheci-o ainda antes de conhecer o Indiana Jones, a quem plagiou o chapéu que outrota fora da Polícia Montada canadiana. Só admirava o herói em segredo, para si, por isso mesmo deixava que o confundissem como um alter-ego. Na verdade, sempre foi mais outro herói.
Nunca o tomei como falador com animais, muito menos com pássaros... nem tampouco bucólico. Porém, tem alma marinheira sem nunca o ter sido. Por prazer do risco e da aventura. Alguns sustos controláveis.
Por tudo isso, inclusivamente por causa do seu gato telepata, que o admiro. Há mais razões, mas estas bastam. Outras aqui seriam inibidoras e reveladoras de intimidades de muitos anos. Gosto dele. É um grande amigo.

Nota: Dedicado ao SGC.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Espreita

É hoje que vejo a luz. Pelos olhos dentro, pela fresta da porta. Não quero te te dispas para ninguém nem só para mim. Que te dispas por ti e sem saberes que olhos te consomem e carne te deseja.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Deus-homem

video
Mínima respiração. O ser quase inocente de dias frágeis, sem limite nem data para falecer. Existir por existir, pela vontade maior de quem cria. A imitação do grande sopro de Deus. A ternura devida às coisas pequenas e vivas.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Oceano portátil

O meu aquário de águas revoltas está na linha do olhar. Afundo olhar com as aves mergulhadoras que desejo e ouço de olhos abertos. No azul sereno atrás do vidro, nos dias lúcidos de ócio, sou anémona ou medusa. Voo da película espumosa à casa abissal. Dias de agitada tranquilidade, uma memória de útero. Sem outro destino-vontade que o de respirar na água. De águas revoltas, porque assim o quer o meu olhar.

sexta-feira, novembro 07, 2008