digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sexta-feira, junho 24, 2011

A árvore















Árvore de quase toda a beleza e da sombra em que me deito. Casa, o berço do mundo. Só não a abraço por pudor. Guardiã do jardim, confidente e vigilante, a alegria e a amizade.
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No Verão, a sombra. No Outono, a poesia. No Inverno, a nostalgia. Na Primavera, a esperança. Casa de tanto e tanta coisa. Generosidade silenciosa. Grandiosidade sem arrogância.
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Fico horas à sua sombra a imaginar a casa onde viver, o jardim para a pôr... a árvore para me dar sombra.
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A minha árvore existe algures. Um dia farei amor no seu colo. Reconfortar-me-ei com um fruto. E com o caroço, abandonado no calhar, espero um dia ter outra árvore, para lhe fazer companhia.

terça-feira, janeiro 12, 2010

As tempestades, entre várias

Se tudo lá fora é borrasca, por que em mim é calmaria?
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Se tudo lá fora é quietude, por que em mim cantam os pássaros do anoitecer?
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Se não fosse a tempestade, nada mais teria aqui que fazer. Não fiquei preso e inquieto, cercado pelo temor do regresso da chuva e do vento, amedrontado pela lama. Estou, porque aqui está o odor da vida e o húmus agarrado aos pés.
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Lá à frente pode haver cidade ou bosque, aqui há um anoitecer como os solavancos depois do choro.
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Aqui não há medo, só desejo de que não venha demasiado frio à escuridão que se aproxima. Por mim passo a noite a ver a chuva chegar e partir.