digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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terça-feira, setembro 22, 2015

Verde-vida

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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.
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Raul Nieto Guridi.
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Ludwig Hohlwein.
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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.
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Não consegui identificar a autoria.

quarta-feira, setembro 04, 2013

Error 404 – Esse sentimento não existe

Já disseram. Já ouvi. Ouvi muitas vezes. Percebi.
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Que diferença entre saber e fazer.
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Li, ouvi e disse:
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– Errar é humano.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, ouvi e concordei:
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– É bom aprender com os próprios erros.
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Compreendi, repeti e aconselhei.
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Li, concordei e sorri com Bismarck:
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– Prefiro aprender com os erros dos outros.
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Li, ouvi e disse:
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– Insistir no erro é burrice.
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Compreendi. Repeti o erro.
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Há oito anos, julgo que a treze de Fevereiro, conheci.
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Repeti, amei.
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Amei e pensei que amando a mãe podia amar a filha.
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Pensei que amando a filha podia ajudar a mãe.
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Pensei e agi e errei, perdi a filha e a mãe.
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Hoje é quatro de Setembro e essa mãe faz anos e essa mãe é mãe de alguém que não se lembra de mim.
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E é neste quatro de Setembro que me lembro, por causa de hoje, deste ano, que me lembro que errei. Amei e perdi.
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Repeti e voltei a amar.
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Errei? Se amar o filho como amo a mãe.
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Como repetir um erro.
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Repetindo a vontade eterna e infinita de amar quem não é.
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Se não existe, se não pode, se não deve, se vive em Marte não se ama.
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Porquê amar.
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Sabendo a resposta, concordo, porque sei.
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Repito o erro acreditando que acerto.
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Se a alma fosse de osso, tê-la-ia engessada.
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Se fosse, e sendo fosse, intangível...
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Algo como ctrl + alt + del...
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Melhor! Quem me dera format C:
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Nada disso existe. Esse tempo passou e ainda o repito, como se alguém se lembrasse e os novos soubessem.
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Não escapo à vida, nem à sina.
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Nem ao erro.
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É sina da minha vida.
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É burrice, pois.
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É humano, o erro.
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Sou demasiado humano, sou burro!

segunda-feira, junho 08, 2009

Lancinante


Se te não esqueci, como podes ter-te esquecido de mim? Pois piores do que inimigos são as ex-namoradas. Animadas pelo ressentimento e conhecedoras das dores e fraquezas. Sem remorsos. À falta de poderem apagar o passado, arrasam o futuro.
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Nota: Napoleão dizia que pior que os inimigos são os irmãos... mas daí não me queixo.

segunda-feira, maio 14, 2007

Os admiráveis pés

Ponho os pés em qualquer parte, porque não sei onde os hei-de pôr. Tenho-os no fim das pernas, porque é onde melhor me servem, embora não me ficassem mal no lugar das orelhas para que os pensamentos corressem.
Deito-me, por vezes, cansado numa banheira de água quente, fechado num quarto quente para que o vapor me faça suar. Penso melhor e relaxo. A cabeça funde-se nas nuvens e os pés dissolvem-se na água e no esmalte do vaso. Sou um peixe. Em algumas situações necessito de música, mas, por regra, basta-me o ar abafado e o torpor.
No fim do corpo estão os pés. Longe dos olhos, calados mesmo se aflitos pelo peso do corpo. Gosto de lhes cortar as unhas e de as ver crescer. Permaneço imóvel dias a observá-las... quieto sem comer nem respirar, apenas a admirar a natureza sublime das unhas e a forma absurda dos dedos dos pés.
Dos pés nem mesmo lamento o cheiro depois do esforço. Ponho os pés em toda a parte. Não sei onde os hei-de pôr.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Amor descascado

O Inverno lembra que somos humanos. Pensa-se e passa-se frio. Há o sabor da fruta cítrica.
Tens agora o encanto da tangerina. Neste frio, coberta de tanta roupa, escondes o sabor fresco e doce, e um humor ácido, muito vivo, muito jovem. Gosto de te ver vestida e nua, mas só te posso comer sem casca.

sábado, junho 24, 2006

A noite azul...

Acabei por não jantar com a ex-namorada... razões aceitáveis. A noite foi divertidíssima! Fiz uma amizade improvável, desfiz um equívoco (ainda bem) com machão homossexual e cocainómano, encontrei uma putéfia intriguista do pior que vive com um ex-grande amigo, encarei uma antiga quase paixão e uma miúda linda de quem me lembrei do nome (mais nada), deslumbrei-me e deixei fugir a rapariga que, por momentos, me iluminou. Só por esta última razão, porque ela fugiu, a noite foi uma catástrofe... de resto foi cinco estrelas: vários problemas resolvidos e um grande jantar com o Pedro e a Raquel. Todavia, que pena não ter jantado com a ex-namorada, mesmo que em acumulação, tinha poupado o meu coração, e eu gosto tanto dela!

sexta-feira, junho 23, 2006

Hoje será azul

Um dia de azul é sempre especial, porque não há tristeza que pegue no azul. O azul é escorregadio para a lamúria e a dor e nesta cor só cabe alegria, felicidade e bem estar.
Por mais que se não queira, o céu limpo é sempre azul, mesmo quando a noite parece de breu profundo. Quando não há nuvens sobre a Terra há apenas uma azul escuro ou luminoso com uma estrela visível ou muitas.
Hoje decidi que será azul a minha noite. Combinei retemperar forças com alegria. Haverá vinho, talvez música e pasto do bom... e muitas saudades para matar.
Se por um azar, um acaso triste, se tingir com outra cor esta noite, sei que não deixará de ser azul e num outro dia brindarei aos amores antigos.

domingo, maio 21, 2006

Maio de chuva

Quando chove em Maio fico feliz. Recordo o tempo que passou e alegro-me com o que há-de vir. Lembro-me de ti e de estar deitado sem nada para fazer. Só quando faziamos amor. Fazíamos amor porque estava a chover e não se podia fazer mais nada. Quando chove em Maio fico feliz. A água deste mês refresca o calor já vindo e molha como uma bênção. Fazíamos amor por tudo e por nada. Depois havia preguiça, conversa, silêncios, confissões, juras e beijos. Fazíamos amor porque chovia e não havia mais nada para fazer. Ainda hoje gosto quando chove em Maio, mesmo que não faça amor contigo e já não saiba amarrotar lençóis.

domingo, maio 14, 2006

A canção da Maria

Gostava de ter uma canção nossa, algo a que me pudesse agarrar e tivesse a cor do teu cabelo e a doçura dos teus olhos. Não temos uma canção. Não fizemos uma. Só partilhámos afectos. Não namorámos. Consumimos dias apaixonadamente. Os dias foram queimados como um cigarro, à velocidade do relâmpago e com a crueldade do incêndio. Há um ano éramos tão jovens e felizes. Clareiras na floresta, onde a luz solar vem pouco filtrada pelas folhas e piares dos pássaros. Não tenho nada teu a que me agarrar. Nem uma canção. Gosto do teu cabelo e da doçura dos teus olhos. Não me desculpes por me lembrar de ti todos os dias, condena-me por não ter uma canção tua, só nossa. Não tenho nada teu a que me agarrar. És feita de espuma e de fumo. Gosto do teu cabelo e culpo-me por há um ano só ter tido olhos para ti e não ter ouvido nada que a ti se colasse e agora me valesse. Gostava de ter uma canção nossa, tua.

quinta-feira, abril 20, 2006

Pés nus

Gosto de me lembrar de ti descalça. Lembro-me de ti descalça no soalho de madeira corrida, mas nunca de tal maneira te vi. É assim que te vejo quando penso em ti da forma mais terna, porque a madeira de tábua corrida é quente, afável e familiar. Para mim é. A casa dos meus pais tem soalho de madeira corrida.
Acho que em miúda podias ter brincado comigo numa casa com chão de tijoleira rústica e feito amor numa outra com chão de tábua corrida. Por mim, deitava-me contigo numa seara ou na areia da praia. Não teria problema em encher-me de natureza a fazer amor contigo. Acho que os teus pés fundem-se com as texturas simples. Se os teus pés o fazem, toda tu o fazes também.
Gosto quando te olho bem nos olhos e vejo-te toda. Não és diferente dos teus pés nus no chão de soalho de madeira onde nunca os vi. Os teus abraços são simples, mas doces e profundos. São aquáticos. Os teus abraços não têm cheiro, Nem cor. Nem sabor. Gosto dos teus abraços, porque são despojados, porque matam a sede.
Para mim tu és terna, amiga e familiar. Como as tábuas corridas que quentes seguram os teus pés nus, que nunca vi de tal modo. Vi-os na praia, entre a areia. É quase, mas não é o mesmo. Quando me lembro ternamente de ti, lembro-me descalça em soalho corrido.
Gosto muito de ti descalça e faria amor contigo hoje numa casa vazia, desde que ao abrires-me a porta estivesses descalça e o chão fosse de madeira. Não precisaria dum sorriso ou de ouvir a tua voz serena. Eu podia ir até cabisbaixo para que os meus olhos não se encontrassem com os teus. Fazia amor contigo hoje, agora, já, se estivesses descalça em chão de tábua corrida. Como nunca te vi.