digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sábado, novembro 04, 2006

Uma vez na vida


Dei por mim a pensar o que faço com três gatos em casa (três, logo três). O que penso eu dos gatos? Eu que sempre preferi cães e nunca liguei a gatos!... Dei por mim a pensar com um cachimbo na boca e um copo na mão. Estranhezas na noite e nenhuma resposta.
O que faço eu com três gatos em casa? Naquele momento percebi que não os percebo e que ando iludido quando penso o contrário. Uma vez nos últimos anos fiquei lúcido, mas também calvo e pálido com o horror da descoberta: e agora?! O que fazer?
Naquele momento de gravidade zero no meu pensamento lembrei-me da violência como recurso, no desamor aos animais e àqueles a quem se ama, no conforto da posterior reconciliação e no remorso, na solução impossível e na confiança irremediavelmente quebrada. Pensei mas não fiz. Afinal não enlouqueci. Uma vez na vida, pensei.
Inconformado, acabei por acender o cachimbo inúmeras vezes até o fumar por completo e o deixar, bebi o copo e esqueci-me dos pensamentos. Nada conclui sobre os gatos e não sei por que vivo com três em casa, nem sei o que me encantou neles, sei apenas o quanto aprecio a sua companhia. Uma vez na vida pensei, não estive louco.