digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
quarta-feira, agosto 12, 2026
Para eclipsar o tédio 7
terça-feira, agosto 11, 2026
Eclipse-de-quarta-feira
Aconteceu no modo de pensamento em dois lugares. Em sítios diferentes por impossibilidade de acontecer um encontro. Foi assim:
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– Amanhã há eclipse solar.
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– Sim.
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– Conseguiste arranjar óculos?
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– Não.
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– Vi-me aflito para conseguir.
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– …
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– Procuraste nas farmácias e nas ópticas?
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– Não.
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– Onde procuraste? Não deves olhar directamente.
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– Não procurei e não tenciono olhar, nem directa nem indirectamente.
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– A sério?!
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– A sério.
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– Não tens curiosidade?
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– Nenhuma.
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– Nenhuma?
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– Não. E então?... Não quero saber de eclipses nem Lua-vermelha nem super-Lua…
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– Mas é um acontecimento raro. Um acontecimento equivalente só acontecerá no ano 2200… ou algo assim.
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– Todas as noites posso ver a luz de estrelas que se apagaram há muitos milhões de anos… e também não tenho interesse nenhum. O céu nocturno é bonito, porque é escuro e tem pontinhos brancos, mas não tem mais nenhum interesse… O pôr-do-Sol é bonito, mas tem algum interesse? As auroras bureais são bonitas, mas têm mais algum interesse?
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– O quê?! Estás a comparar um eclipse com coisas que acontecem todos os dias? Não tem nada a ver.
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– Pois não. Ver um círculo tapar a luz do outro e ficar escuro é tão interessante como… sei lá… uma nuvem que parece um ursinho de peluche… aliás, interessa mais uma nuvem que iluda ou que estimule a imaginação do que uma coisa que, na melhor das hipóteses, deixa a boca aberta… e uma pessoa de boca aberta fica com ar aparvatado. Uau! Um eclipse!... Enapá! Que interessante! E bocejo.
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– É uma coisa única! Antigamente as pessoas tinham muito medo… algumas pensavam que era o fim do mundo.
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– Se fosse o fim do mundo talvez fosse interessante… mesmo assim, não. Se o mundo acabasse não haveria nada para contar, porque morreriam as pessoas todas e não falavas com ninguém… qual seria o interesse de ver o fim do mundo?
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– Não acredito!... Como é possível não teres interesse numa coisa tão rara.
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– Tão rara? Estás a falar do fim do mundo ou do eclipse?
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– …
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– O Bugatti Royale é uma coisa menos rara e sei que nunca verei nenhum. Ou seja, é mais fácil ver um eclipse do que um Bugatti Royale.
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– O quê?!
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– Para ver o eclipse posso pôr uns óculos e olhar para o ar. Ou nem pôr óculos nenhuns e estragar a vista. Para ver um Bugatti Royale nem sei onde o procurar. E se soubesse seria preciso poder ir vê-lo e poderá ser longe. Tenho mais interesse em ver cidades do que ir gastar dinheiro numa viagem para ver um automóvel raro.
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– …
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– …
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– Se vires o eclipse, podes contar aos netos.
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– Ah! O avô viu a Lua tapar o Sol. Ficou tudo escuro durante uns segundos. E os miúdos dirão que numa noite enublada e na Lua-nova também não se vê nada.
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– Hã?!
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– Se for o Bugatti Royale ou uma obra de arte ou uma cidade posso falar de muitas coisas… podemos conversar e concordar ou divergir.
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– Hã?! Nem acredito!
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– Então não acredites.
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– …
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– Depois do eclipse vais conversar sobre o assunto e dizes o quê? Ah, ficou tudo escuro e o outro diz que ficou quase escuro… dizes que a Lua e o Sol são redondos e a outra pessoa garante que são ovais… Dizes que foi cinzento e outro que foi preto. Que conversa fantástica!... que bocejo!...
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– Nem acredito no que dizes. Estás a brincar, não estás? Queres meter-te comigo… és sempre o mesmo.
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– Não me chateies mais com essa maravilha que não atrasa nem adianta.
segunda-feira, maio 04, 2026
domingo, maio 03, 2026
sábado, maio 02, 2026
Dicionário: Machista-misógino
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Significado primeiro: Transtorno mental que muitos dos homens muçulmanos.
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Significado segundo: Transtorno mental alguns homens não muçulmanos.
sexta-feira, maio 01, 2026
quinta-feira, abril 30, 2026
quarta-feira, abril 29, 2026
terça-feira, abril 28, 2026
segunda-feira, abril 27, 2026
Irresistível como uma inglesa a falar francês
Chegava – às vezes olazava o pai e noutras ele dormia. Bife na frigideira, bastava aquecer, e bata frita mortiça e saborosa. Preferia, não sei se sim, estrelar ovos em margarina e mergulhar uma carcaça.
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O prato num toalhete, copo de água à direita e a câmara dois em frente. Explicava, episódio a episódio, como fazer ovos estrelados perfeitos – fazia-os melhor do que hoje.
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A cada edição revelava a surpresa de cada fatia, igual era diferente, e contava como um ovo estrelado é saboroso.
domingo, abril 26, 2026
Jantar romântico para um homem só – revisitação
A minha memória já foi muito, mas
porém. Do que escrevi, sei pouco. Jantar só é só tortura, a comida apenas
alimento e nem há vinho convidado. Um dia.
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Lembro-me dele, tal viesse alguém
sentar-se comigo. Sabendo que nem fantasma, preparei tudo e servi-me doutra
coisa, disso não sei hoje – não como peixe.
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Foi das minhas melhores refeições,
não pelo que pusa na mesa, porque fui a honra de mim mesmo. Dezasseis anos,
mais uns dias, retorno ao texto autónomo, não de independências, espalhado por
oito publicações. Aliás, regresso ao consolo desse jantar.
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Revenho, sem tocar no texto, e
reescrevo as imagens, cozinhadas como legendas.
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1 – A mesa
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2 – Quase luz
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A quase luz não é quase escuridão.
Uma vela que se apaga é uma falta notada na música orgânica de toda a claridade
possível.
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3 – Sem choro
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Se chorasse tudo duma vez, os meus
olhos morreriam de sede. Olhos com sede não deixariam ver o que vai na alma. A
alma ardente sem água lançaria fogo ao coração. Coração queimado e sem água que
o apagasse. Amor sem luz.
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4 – Vela
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Que esta luz não se apague, ainda
que a música se vá. Porque uma música pode repetir-se, mas uma vela apagada
nunca mais volta a ter vida.
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5 – Medo
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O que será a luz do medo? Uma
evocação medieval, um arrepio como os outros. Luz nítida para a escuridão. Não
será luz negra, mas luz para a escuridão, como a da esperança e da fé.
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6 – Sombra
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Há sempre sombra atrás da luz. Só a
da fé não esconde. Por aqui, todos bem. Espera-se um outro dia. Depois do
próximo, o próximo. Sente-se a macieza das mãos. As noites frias já o foram
mais. Não se fala do tempo. Todos esperam que o telefone toque, mas não agora,
não hoje. Que haja alguém que se preocupe.
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7 – O claustro
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8 – A cama
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Quando finalmente me levanto para
ir comigo para o quarto, vou demasiado ébrio para fazer amor comigo. Uma noite
de emoções bastantes. O sono justo de quem não quer acordar de manhã ao lado de
si mesmo.
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-mesa.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/quase-luz-nao-e-quase-escuridao.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-sem.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-vela.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-medo.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so.html
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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-o.html
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sábado, abril 25, 2026
sexta-feira, abril 24, 2026
Paraquedinhas todos os dias
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Vinte e um anos e por ela rio todos os dias.
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Enterneço-me mais e mais, porque frágil, muito vulnerável e sempre indefesa. Subia para qualquer colo e fugia, agora deixa-se ficar e aninha-se junto aos rostos.
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Podia escrever um texto enorme só com emojis de < e 3.
quinta-feira, abril 23, 2026
Isso da saudade
Desconhecia, digo desconheço. Perguntei e disseram-me que a nostalgia é sentir saudade pungentemente.
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– Saudade é o quê?
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– Sentir a perda.
– Isso, afinal não é nada. Por quê tanto barulho por pouquíssimo.
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Explicaram-me e não entendi. Esclareceram-me melhor e continuei sem perceber. Outra vez, sempre o mesmo.
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Então compreendi. Como se fosse a dor de dentes ensinada a um pássaro.
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– Que coisa, essa.
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Qualquer coisa, entende-se o que não se entende, mas não se vive esse viver.
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Percebo melhor os dias inúteis e as vidas sem vida.
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Olhar o céu e vê-lo, manter os olhos abertos conseguindo estrelas no seu caminho, como a criança contra o sono.
quarta-feira, abril 22, 2026
terça-feira, abril 21, 2026
segunda-feira, abril 20, 2026
domingo, abril 19, 2026
quarta-feira, abril 15, 2026
Noite e dia
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Se a Lua tivesse luz e o Sol fosse noite.
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Comparar o silêncio dos carros à voz abraçante do vento quente.
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Perdi a breve, flor que murcha. Guardei a flor, na forma duma amizade.
sexta-feira, março 27, 2026
quarta-feira, março 25, 2026
Análise ao infotocopiável
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1) Fase inicial (2006–c. 2009) — afirmação
de voz e impulso diarístico
Características dominantes:
Escrita mais imediata, próxima do registo
de apontamento.
Maior explicitação do nexo entre texto e
imagem.
Uso mais frequente de referências
reconhecíveis (literárias, musicais, culturais).
Tom ainda em formação: oscila entre
comentário, observação e pequena ficção.
Estrutura textual:
Textos mais curtos ou médios.
Fecho muitas vezes “explicativo” ou com
chave interpretativa visível.
Relação texto–imagem mais directa (quase
ilustrativa em alguns casos).
Leitura
crítica:
Aqui constrói-se o idioma base do blogue: uma escrita que quer ser literária,
mas ainda testa limites. Nota-se um certo receio de opacidade excessiva — há
uma tendência para “garantir entendimento”.
2) Fase de
consolidação (c. 2010–2014) — densificação e controlo formal
Mudanças
relevantes:
A escrita
torna-se mais económica e precisa.
Redução de
redundâncias explicativas.
Maior
confiança na sugestão e na elipse.
Relação com a
imagem:
Deixa de ser
ilustrativa → passa a ser dialéctica.
O texto não
explica a imagem; tensiona-a.
Tom:
Melancolia
mais consistente, menos episódica.
Emergência de
uma voz reconhecível (quase autoral no sentido literário clássico).
Recursos
recorrentes:
Frases mais
depuradas.
Uso mais
consciente do silêncio (o que não se diz ganha peso).
Menor
dependência de referências externas óbvias.
Leitura
crítica:
É a fase em que o blogue deixa de ser “um blogue” no sentido comum e passa a
funcionar como obra contínua.
3) Fase de
maturidade (c. 2015–2019) — opacidade controlada e construção de sistema
Características
centrais:
Escrita mais fechada,
menos concessiva ao leitor.
Ambiguidade
deliberada.
Textos que
funcionam como unidades autónomas, mas também como variações de um mesmo
universo.
Estratégia
estética:
Rejeição
consciente do óbvio (já referida por si).
Associação
texto–imagem frequentemente não imediata, por vezes até dissonante.
Tom dominante:
Melancolia
estabilizada, menos emocional, mais estrutural.
Distanciamento:
o “eu” (quando existe) é menos confessional.
Forma:
Textos curtos
com alta densidade semântica.
Maior controlo
do ritmo interno (pausas, cortes, encadeamento).
Leitura crítica:
Aqui o projecto atinge o que se pode chamar coerência estética plena. Há uma
lógica interna reconhecível, mesmo quando os textos são autónomos.
4) Fase
recente (c. 2020–actualidade) — radicalização da síntese
Tendências
observáveis:
Escrita ainda
mais condensada.
Redução ao
essencial: menos palavras, mais carga.
Eventual
aproximação ao fragmento, aforismo ou micro-narrativa.
Relação com o
leitor:
Exige leitura
activa.
Menos “entrada
facilitada”: o texto não acolhe, impõe-se.
Imagem:
Pode tornar-se
ainda mais autónoma.
Em alguns
casos, o par texto–imagem funciona como duas peças paralelas, não como unidade
explicável.
Tom:
Melancolia
depurada, sem ornamento.
Menos variação
tonal, mais consistência.
Leitura
crítica:
A escrita aproxima-se de uma forma de minimalismo denso: menos matéria verbal,
mais estrutura implícita.
A evolução da escrita no infotocopiável permite observar um fenómeno pouco comum: uma linguagem que não cresce por adição, mas por subtracção sistemática. Ao longo dos anos, não se assiste a uma deriva para maior ornamentação, nem a um experimentalismo ostensivo de superfície. O movimento dominante é inverso. A escrita vai retirando, afinando, comprimindo, até atingir um ponto em que a gramática permanece como estrutura mínima de sustentação, enquanto o sentido deixa de estar garantido pela explicitação e passa a emergir daquilo que foi deliberadamente omitido.
Neste processo, a gramática não é abandonada nem violada; é
submetida a um regime de tensão. A base normativa mantém-se reconhecível, o que
afasta qualquer hipótese de incompetência ou erro sistemático. No entanto,
aquilo que a norma permitiria — sujeitos explícitos, ligações causais,
marcadores temporais, desenvolvimento narrativo — é progressivamente retirado.
A frase mantém-se correcta do ponto de vista formal, mas torna-se incompleta do
ponto de vista informativo. Essa incompletude não constitui falha: é um
princípio construtivo. A escrita passa a operar no limite inferior da gramática
necessária, preservando apenas o suficiente para evitar a opacidade total.
A elipse é, neste contexto, o instrumento central. Não se trata de
um recurso ocasional, mas de um sistema organizado de supressões. Elide-se o
sujeito, o referente, a causalidade, o desenvolvimento intermédio, a conclusão.
Quando surge uma frase como “Ficou assim”, a estrutura sintáctica é aceitável,
mas a informação está amputada: não se sabe quem ficou, nem o que ficou, nem em
que circunstâncias. O mesmo acontece com a ausência de conectores: “A luz
estava acesa. Ninguém em casa.” Entre estas duas frases existe uma relação
evidente, mas não nomeada. A escrita recusa dizer “porque”, “apesar de”, “por
isso”. A ligação é deixada ao leitor.
Esta transferência de responsabilidade é um dos traços mais
marcantes. A gramática deixa de ser um mecanismo de condução do sentido e passa
a ser apenas um suporte mínimo. O leitor é convocado para completar, inferir,
relacionar. O texto não se apresenta como discurso contínuo, mas como montagem.
Blocos curtos de linguagem são justapostos sem articulação explícita, e é na
fricção entre esses blocos que o sentido se produz. A parataxe substitui a
subordinação; a sequência substitui a explicação.
A consequência directa desta estratégia é uma alteração profunda
da natureza do texto. Deixa de haver desenvolvimento linear. Em vez de
progressão, há micro-variações. Em vez de narrativa, há sugestão de narrativa.
Em vez de conclusão, há suspensão. A última frase assume frequentemente um
papel decisivo: não fecha, mas desloca. Reconfigura retroactivamente o que foi
lido, introduzindo uma ambiguidade que impede a fixação de um único sentido. O
texto não termina; permanece em estado de reverberação.
Neste quadro de redução e condensação, o papel do neologismo é
particular. Não constitui o eixo principal da inovação, mas surge como
instrumento complementar, sobretudo nas fases mais recentes. Não há
proliferação de palavras inventadas, nem ruptura lexical visível. O que se
observa é um neologismo de baixa visibilidade, frequentemente baseado em
processos de prefixação ou composição transparente. O exemplo paradigmático é o
próprio nome do blogue: “infotocopiável”. A palavra constrói-se a partir de
elementos reconhecíveis — “info” e “copiável” — e produz um significado
imediatamente apreensível. Não exige interpretação laboriosa, nem introduz
opacidade. A sua eficácia reside precisamente na sua naturalidade aparente.
Este tipo de neologismo pode ser descrito como transparente e
funcional. Não procura surpreender pela estranheza, mas condensar uma ideia
que, de outro modo, exigiria uma perífrase mais extensa. Em vez de “informação
que pode ser copiada”, tem-se uma unidade lexical única, económica e precisa. A
criação lexical não expande o texto; permite reduzi-lo. A inovação não é
exibida; é integrada de forma discreta.
A prefixação desempenha aqui um papel central. Prefixos como
“des-”, “não-”, “entre-”, “quase-”, “sub-”, “pós-” ou “pré-” funcionam como
moduladores semânticos de grande eficácia. Cada um introduz uma nuance
específica, permitindo deslocar o sentido sem alterar a base lexical. “Des-”
sugere perda ou erosão; implica que algo existiu e deixou de existir. “Não-”
produz uma negação mais abstracta, sem implicar processo. “Entre-” cria estados
intermédios, zonas de indefinição. “Quase-” aproxima sem concretizar,
introduzindo uma tensão entre expectativa e falha. “Sub-” indica latência,
presença diminuída ou oculta. “Pós-” remete para o resíduo, para aquilo que
permanece depois do acontecimento. “Pré-” sugere antecipação, um antes
carregado de iminência.
O uso destes prefixos não substitui simplesmente sinónimos
existentes; produz deslocamentos finos. Em vez de escolher uma palavra alternativa
dentro do léxico disponível, a escrita modifica ligeiramente a palavra base,
criando uma variante que não estabiliza o sentido, mas o complica. Não se trata
de clarificar, mas de ajustar. Cada prefixo funciona como uma operação mínima
que altera a orientação semântica do termo, muitas vezes com grande economia de
meios. Um único elemento prefixal pode substituir uma frase inteira de
explicação.
Importa sublinhar que este recurso não rompe com a lógica geral de
contenção. Mesmo quando aumenta, permanece controlado. Não há acumulação
excessiva, nem combinação exuberante de prefixos. A sobriedade mantém-se. O
neologismo surge quando necessário, e apenas quando acrescenta precisão sem
aumentar a extensão do texto. Se a língua comum é suficiente, não há invenção.
Esta disciplina reforça a ideia de que a inovação não está na quantidade de
recursos utilizados, mas na forma como são aplicados.
A relação entre elipse e neologismo é particularmente
significativa. Em muitos contextos literários, o neologismo serve para expandir
a linguagem, introduzindo novos termos e novas possibilidades expressivas.
Aqui, a lógica é inversa. Sempre que possível, a escrita prefere a elipse à
invenção lexical. O neologismo surge apenas quando permite uma condensação que
a supressão, por si só, não conseguiria alcançar. Assim, os dois mecanismos
articulam-se: a elipse retira, o prefixo ajusta. Entre ambos, constrói-se uma
linguagem que diz mais com menos, não por acumulação, mas por precisão.
O resultado global é uma escrita que se organiza como sistema de
baixa visibilidade. Não há caos, nem desordem. O que existe é uma regularidade
discreta, sustentada por padrões recorrentes: frases curtas, ausência de
conectores, uso sistemático da elipse, fechos por deslocamento, neologismos
pontuais por prefixação. Esta regularidade não se impõe de forma evidente;
exige leitura atenta para ser reconhecida. A impressão inicial pode ser de
fragmentação ou de dispersão, mas essa impressão resulta precisamente do
trabalho de ocultação da estrutura.
A coerência do conjunto não depende de continuidade temática ou
narrativa, mas da repetição de operações formais. Cada texto é uma unidade
autónoma, mas todos partilham o mesmo modo de funcionamento. A escrita
aproxima-se, assim, de uma arquitectura modular: fragmentos que, embora
independentes, obedecem a um sistema comum. A identidade do projecto não reside
nos conteúdos, mas nos procedimentos.
A eventual intensificação do uso de prefixos nas fases mais
recentes deve ser entendida neste contexto. Não representa uma mudança de
direcção, mas um refinamento. À medida que a escrita se aproxima do seu limite
de compressão, torna-se necessário encontrar formas de manter a densidade sem
aumentar a extensão. A prefixação oferece essa possibilidade: introduz variação
sem expandir a frase. Funciona como ferramenta de precisão, permitindo
continuar a reduzir sem empobrecer o sentido.
Em termos globais, a trajectória pode ser descrita como uma
passagem do explícito ao implícito, do discursivo ao estrutural. O texto deixa
de explicar para sugerir; deixa de desenvolver para condensar; deixa de
concluir para suspender. A gramática permanece, mas esvaziada até ao mínimo
necessário. O neologismo existe, mas subordinado, integrado numa lógica de
economia. A organização é rigorosa, embora pouco visível à superfície.
O efeito final é o de uma escrita que não se impõe pela quantidade de linguagem, mas pela intensidade do que permanece. Cada frase funciona como um bloco autónomo, e é na relação entre esses blocos — na sua justaposição, na sua tensão, na sua interrupção — que o sentido se constrói. Não há excesso, não há dispersão. Há, antes, um trabalho contínuo de redução que transforma a linguagem num instrumento de precisão extrema, capaz de operar no limite do que é possível dizer sem dizer tudo.
Festa dos 20 anos do infotocopiável
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Jurei que faria uma festa e nada em falta. Do melhor da mesa ao êxtase da música e milagres frente ao olhar. Mais os amigos, numa gala onde vieram como entenderam, pela luz da liberdade.
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Chegaram de Rolls Royce e de bicicleta. A belaluz, quase divina, e a música, na nobreza de não ser enfeite, como a imaginação e a justiça determinam, acolheram à entrada. À mesa, frente a cada amigo, o repasto preferido e as bebidas mais desejadas. Depois, caleidoscópio, estrelas e árvores tapando o vento.
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É sempre um gosto ter esta gente comigo. No final, agradeci demoradamente. Impecáveis e senhoris e desfraldados e ébrios com o mesmo sorriso, de quem está feliz pela festa sem bocejos nem minutos de falta ou de sobra.
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Quando no ar se espalhou o odor da cera da vela apagada, sentei-me no chesterfield, de mão dada com a Amor, e bebi o licor de morango que me fez. Adormecemos, não sei em que parte do sonho, e acordámos com as gatas ronronando por comida.
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E ao abraçar as gatas, roçando nelas o rosto, como adoram, percebi que me esquecera de fazer a barba. Fá-la-ei para a festa dos cinquenta anos do infotocopiável.
Dicionário: Conferência-de-imprensa-de-manhã
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Significado primeiro: Momento que não deixa saudades.
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Significado segundo: Local onde se não deseja estar.
terça-feira, março 24, 2026
Rendi-me, disse-o há vinte anos
Continuo cativo. Nova celebração daqui por um ano, para além de dez, meta-século, eternidade-humana ou só um dia. É irrelevante, o tempo.
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Sentei-me de frente para. Onde passei os vinte anos que se fazem hoje. Tempo como um sonho, do tamanho dum telefonema prolongado, breve como uma onda ou da dimensão das coisas comuns.
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No espelho frente a mim não sou eu. E sou. Como também nos alinhamentos das palavras e da sua natureza. O recheio e fronha são diferentes e fazem uma só coisa.
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Vinte anos às 18 horas e 22 minutos. O que foi em mim: melancolia e agitação, ansiedade e apatia, mais esperanças do que, coisas acontecidas e outras, muita alegria e pouca felicidade. Os ossos renovam-se permanentemente e em sete anos são diferentes, o que mais mudou?
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Mudou tudo, sou dessemelhante e estou noutro lugar. Ou nada, porque não deixei de ser e, como habitualmente, no mesmo sítio, imóvel por conforto e receio de ir.
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Erraram-me, falhei-falharam por amor-loucura. Mentiram-me e menti. Zanguei-me e perdoei. Com faca cortei e com linha cosi e recosi. E encontrei o amor-da-vida e o fruto chegado pelos seus ventre e coração. Luzes maiores, de mundo e de estrelas. Se escrevesse tudo, não haveria como o colher integral. Agora, escrevo pouco, por simplicidade.
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O que me foi este tempo? Também melancolia como fosse uma piscina deserta.
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O que me foi este tempo? Também apatia. Sem querer, sem desquerer e sem querer saber.
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O que me foi este tempo? Também medo, uma piscina à noite arrepia-me quando estou sozinho.
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Tenho um bicho unindo-me: intestinos, fígado, pulmões, coração, cabeça e espírito. Arranha-me e alimenta-se lambão. Deixa-me em negrum, local-sentimento mais escuro do que o negrume, porque lhe falta o E da esperança. A luz duma flor segura-me no caminho.
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Esse bicho alimenta-me os textos. Sem ele não haveria vinte anos de escrita. Nem tudo, mas muito. Claro, o amor.
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O que me foi este tempo? Também riso, porque é sempre a minha maneira. As gotas de alegria não encheram tanques, não fingi. Já disse que alegria e felicidade são irmãs.
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Quis morrer e acho que morri, mas renasci, sempre morto e no beiral de morrer outra vez – muitas vezes. A flor de luz e a bondade infantil deram-me salvação. Se feneci, me ressuscitaram.
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Usei todas as letras que conheço. Escrevi as palavras que sei e as esquecidas, inventei porque sim e por necessidade. Rigorizei a gramática, desrespeitei-a inconsciente e espatifei-a por vontade e zanga. Distracções abundantes e continuo sem saber se devo escrever os números com algarismos ou hifenizados.
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Nunca pensei que. Contudo. Sempre esperei. Todavia. Quase sempre excessivo, porque sou de abundar. Se me perguntarem:
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– Ainda?
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Direi:
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– Ainda.
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São vinte anos e muitas esperas agarradas, mentirei se disser que não esperei. Contudo, mesmo incompreendendo, não invejo.
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Colho o que se colhe na árvore certa, na árvore que é minha. Não invejo, porque não duvido do meu lugar. Disseram-me:
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– Escreves bonito.
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– Compreendo-te.
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– Não aguento.
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– Tens tantas meninas a ler-te. Só meninas.
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Quase todos não disseram nada.
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Digo e parece que tudo é inconseguimento, mas são vinte anos, com muitas dúvidas sobre bué coisas e variadas certezas a respeito.
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Vinte anos não são uma viagem, fazem parte da vida. E, tal como a vida, são. De tudo e só pouco se guarda, escolhe-se a colheita.
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No entanto as minhas mãos aguentam os vinte anos que a cabeça lhes exige. Nesta vida e na outra, a dos momentos onde estou obrigado a ser só pessoa.
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Há um local onde estou quando desobrigado de ser quem esperam. Vou contando há vinte anos e cedo mostrei um recanto de seu jardim. Recolhimento que mostrei e, passadas duas décadas, mantém-se verdadeira.
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Estou aí e escrevo e o infotocopiável fica também aí.
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O primeiro instante: https://infotocopiavel.blogspot.com/2006/03/rendido.html


