Escrever sobre alguém que é próximo pode ser três coisas: muito fácil, porque se conhece a pessoa, ou difícil, por não saber por onde começar, ou muito custoso, por a relação ser naturalmente fluida.
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O Paulo é um dos meus grandes amigos e desde que nos conhecemos. Mais dia menos dia, foi no Verão de 1986, em Sesimbra. Entre maior aproximação ou pequeno afastamento ou amuo, não mudou muito, porque natural e inquestionável.
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Quando mais afastados, como nos últimos anos, a amizade não se perdeu. Nunca se acabou nem interrompeu. Zangamo-nos uma vez, e foi bravo. Miúdos e com álcool a mais, escaldou. Passou depressa, nem chegou a uma pausa para respirar, foi o tempo duma vírgula.
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Quarenta anos passam depressa para quase tudo e o vagaroso é movimento raro. Num dia tínhamos 16 e 19 anos e fazíamos coisas de adolescente. Numa viagem de três dias ficámos com 56 e 59, cumprindo o esperado nas idades por onde passámos.
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Cada um fala por si, eu digo: o Paulo não tinha mau-feitio, mas era rabugento – eu sou pior – e criava momentos hilariantes. Vou dizer o mais célebre e duradouro e que ultrapassou o grupinho envolvido.
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Aconteceu numa tarde de amizade – onde eu não estava presente – para ver a transmissão do jogo de futebol entre Portugal e a Turquia, não sei qual: a 24 de Junho de 2000 ou 7 de Junho de 2008, cujos resultamos foram ambos de dois zero a favor dos portugueses.
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Conta a lenda que rabujou tanto que até parecia que torcia pela Turquia. Colaram-lhe a alcunha de «Turco», cuja cola jamais perdeu a força.
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Bla, blá, blá, blá… olho e percebo que não guardo momentos, mas um sentimento – penso que transversal a «todos». O Paulo é boa pessoa. Isso não é pouco, é muito.
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A bondade do Paulo é o que mais guardo.

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