Chave-de-fendas ou lâmina-de-barbear ou martelo-de-orelhas ou papel-higiénico ou galochas ou pão com manteiga, não sei usar, não quero manipular e sou feliz-infeliz ou infeliz-feliz por isso.
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Jurei não escrever sobre o estado do tempo. Prometeram um dia mais fresco e aconteceu como se tivéssemos ido votar.
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Sem isso e só isso, resta-me o menos-de-zero, fico voltado para lá daí. Pensarei em gatos, não há tristeza sobrevivente.
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Uma gata entrou na caixa de cartão parada à espera de arrumo e sentei a outra ao colo, como se fosse antes ou depois do Verão, quando as estações eram rigorosas.
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Uma desceu e outra correu. Fica tudo bem, diz o Silva e a Anitta. Suspiro, repito refrão, penso o indesejado.
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Com os olhos postos na música tenho deixado o dia passar, como os anteriores e os anteriores aos anteriores e os que estão para vir. Tive esperança que não o fossem e desejo diferentes para diante.
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Começo contrariado e termino forçado, numa praça de dorme-não-dorme – não é indecisão, sim contradição. Diante do mundo, todo mostrado sem olhos ouvindo-me.
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Não quero dormir como a criança nem acordar como o velho ou inversamente – importa quase pouco, pois invisível.
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Penso na areia da praia para ver o horizonte azul, dois segundos tenho o ânimo outra vez na areia das gatas.
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Todos os dias todos os suspiros compulsivos e as frases que não me deixam dizer.
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Tentarei não me mostrar a quem não me quer ver. E se um dia estiver farto.
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Redescobri a gaveta das lâminas e abri o armário das almofadas.
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Deito-me pedindo não adormecer e acordo rogando não acordar.
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Não suspiro pela morte nem pela vida, anseio desexistir.
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Não avisarei, já avisei.
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Assim se é no calor sem ventoinha e com ventoinha.

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