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A minha cabeça pensaria mesmo desligada do corpo, não precisaria dele. Seria um egocêntrico concentrado. Seria a minha cabeça e proclamaria poder viver sem corpo. Poderia existir mesmo sem sangue e até sem cabeça.
Quando me tirassem a cabeça iria espirrar sangue de forma embirrenta e atingir na boca todos os que se julgassem satisfeitos. E também sobre os outros. Seria um traste!
Gostava de me chamar Amor e ser falso e dúbio como um Luís que conheço. Gostava de mentir e ser intrigar como uma Susana que cá sei. Se me cortassem a cabeça haveria de jorrar verde da peçonha e do pus. No cadafalso mijaria de desdém sobre a assistência... se me chamasse enganadoramente Amor e vivesse entre paredes de espelhos que me confundissem os dias e os passos.
Às vezes desejo-me bombista e sinto o humor mórbido nascer em mim... tenho vontades de me igualar à canalha. É quando estou nessa sarjeta que penso em degolarem-me...
2 comentários:
gostei da intensidade mósbida do texto :)
Bolas! Bolas que isso hoje está azedo...
"No cadafalso mijaria de desdém sobre a assistência... se me chamasse enganadoramente Amor e vivesse entre paredes de espelhos que me confundissem os dias e os passos." Espectáculo! Como escreves bem...
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