digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Degolado

Gostava de me chamar Amor e de ser um traste intratável. Se me degolassem far-se-ia justiça. Então haveria ódio pago com ódio e os derrotados venceriam.
A minha cabeça pensaria mesmo desligada do corpo, não precisaria dele. Seria um egocêntrico concentrado. Seria a minha cabeça e proclamaria poder viver sem corpo. Poderia existir mesmo sem sangue e até sem cabeça.
Quando me tirassem a cabeça iria espirrar sangue de forma embirrenta e atingir na boca todos os que se julgassem satisfeitos. E também sobre os outros. Seria um traste!
Gostava de me chamar Amor e ser falso e dúbio como um Luís que conheço. Gostava de mentir e ser intrigar como uma Susana que cá sei. Se me cortassem a cabeça haveria de jorrar verde da peçonha e do pus. No cadafalso mijaria de desdém sobre a assistência... se me chamasse enganadoramente Amor e vivesse entre paredes de espelhos que me confundissem os dias e os passos.
Às vezes desejo-me bombista e sinto o humor mórbido nascer em mim... tenho vontades de me igualar à canalha. É quando estou nessa sarjeta que penso em degolarem-me...

2 comentários:

Folha de alface disse...

gostei da intensidade mósbida do texto :)

Anónimo disse...

Bolas! Bolas que isso hoje está azedo...
"No cadafalso mijaria de desdém sobre a assistência... se me chamasse enganadoramente Amor e vivesse entre paredes de espelhos que me confundissem os dias e os passos." Espectáculo! Como escreves bem...