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Gostava de ter uma canção nossa, algo a que me pudesse agarrar e tivesse a cor do teu cabelo e a doçura dos teus olhos. Não temos uma canção. Não fizemos uma. Só partilhámos afectos. Não namorámos. Consumimos dias apaixonadamente. Os dias foram queimados como um cigarro, à velocidade do relâmpago e com a crueldade do incêndio. Há um ano éramos tão jovens e felizes. Clareiras na floresta, onde a luz solar vem pouco filtrada pelas folhas e piares dos pássaros. Não tenho nada teu a que me agarrar. Nem uma canção. Gosto do teu cabelo e da doçura dos teus olhos. Não me desculpes por me lembrar de ti todos os dias, condena-me por não ter uma canção tua, só nossa. Não tenho nada teu a que me agarrar. És feita de espuma e de fumo. Gosto do teu cabelo e culpo-me por há um ano só ter tido olhos para ti e não ter ouvido nada que a ti se colasse e agora me valesse. Gostava de ter uma canção nossa, tua.
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