digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sábado, abril 08, 2017

Lisbôa

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Rasguei papéis até os acabar e já me doíam as mãos, isso é sem espessura, pois é mágoa breve.
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Se não somos os únicos donos das palavras que dizemos, talvez só das pronunciadas secretamente, se fantasma as não ouvir, a sua razão é a quem respeitam. As palavras dos mortos a quem pertencem?
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Herdei uns papéis, foram meus até os despejar no silo da reciclagem. Neles houve do que aconteceu. Se Deus não precisa de arquivo, não serei eu a construir nem quero vidas além da minha.
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Não li nada, fui rasgando desinteressado, enfastiado. Claro que houve palavras emergentes, que eram só letras. Vi lágrimas nos papéis várias vezes reconstruídos. Das vistas, só uma me fixou:
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– Lisbôa.

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