sexta-feira, julho 29, 2016

Dioneia

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Declaração inicial temendo uns chapadões na cara que serão bem dados se me incompreenderem. Vou escrever o que vou escrever sem que escreva estupidez e menos petulância e de modo que me entendam – especialmente que entendam.
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Sei de trocar os vês por éfes e os dês por tês e bês por pês, sei de serem aparentadas pelo normalidade e leve dislexia. Peço compreensão para gralhas e outros corvídeos pois na pressa tingir a folha deixo frequentemente inconseguimentos – animais de estimação por vezes guardados para memória.
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Tenho diante dos olhos dormindo e desperto – atenção para o começo – costas mais belas do que as da fotomontagem Man Ray e das vertidas por Ingres. Não pela arte mas toda ela, do ruivo ao fim.
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O belo é belo e dizê-lo não pode ser sujo em juízos ou ideologias. Só a fotografia é objecto e ela é ela, antes e depois, apoquentando-me vivo ou sonhando.
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Não sei onde a vi, não se cruzou nem procurei, chegou despida e ainda assim sensível e imperial. Sem inocência e muito lume. Dizem olhos e boca, não é de surpresa – nem por não a estar beijando porque sabe da distância – mas de ordenança.
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Um só seio derramado e grande – aprecio-os pequenos e subidos – e de mamilo invisível provocadoramente fingindo esconder-se pelo braço, as pernas chegadas dizendo de toda a proximidade de tudo e os pés trocados de lado mostrando abraço como o da dioneia.
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Treme-me a voz e as mãos. Indigo, se som saísse seria ruído ou desacerto ou desnexado ou tudo isso. Como estivesse diante, em casa vaga num dia infinito.
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É beleza, a prisão e eu patético. A beleza é beleza e daí não digo mais.
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A pornografia é visível e o erotismo pressentido e o amor, o amor é muito complicado. Não a quero amar. Ser o insecto da dioneia até à acalmação.
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Dizer o quê além de beleza e já explicado? Se não entenderem, pois venham os chapadões.
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Nota: a modelo é Ameliya Noita.

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