quarta-feira, outubro 14, 2015

A Lufthansa

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A nostalgia de voar quando se comprava roupa para a viagem e dias para estar. Os talheres de metal, a refeição quente e o resto era igual. Dos aviões tenho saudades do Caravelle, baptismo de voo na barriga da mãe. O Boeing 727 em que se entra por trás e me trouxe, num dia de azul de Julho, de Faro para Lisboa. Na TAP, as hospedeiras eram arrogantes, deviam entrar por cunha e julgavam-se passageiros de primeira classe, estatuto que nunca conheci nesta companhia – só mesmo executiva. Fumava meio maço enganando o tédio, voar é aborrecido como um autocarro sem paragens. Há viagens esquecidas e outras lembradas e delas uma na Lufthansa em que a hospedeira se derreteu por mim e quase se fechou comigo na casa-de-banho do Airbus A 300 praticamente vazio. Não lamento essa perda, só a magreza e o rosto que seduzia, na terra e no céu. Aliás, não há prazer como o da sedução nem pavor sem fuga. Fugi muito.

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