quinta-feira, setembro 10, 2015

Um pobre-diabo – A mãe

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No tempo azul podia ser qualquer cor. Veio o sangue vermelho, quase desencarnado. E hoje, o púrpura, o negro e o pano cru. Pelos joelhos flectindo-se pelo peso do corpo e derrota percebo que o ajoelhar.
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Se tivesse pesadelado este presente diria no tempo azul diria:
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– Glória a Deus!
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(Grato pela cabeça desafiadora).
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Se pressentisse na vida escorrida das veias diria:
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– Glória a Deus!
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(Consolado pela cabeça enobrecida pelo olhar horizontal).
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Na derrota e digo:
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– Glória a Deus!
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(Por ser manso).
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(Por ser cinicamente manso).
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Calo-me para que a minha mãe não saiba.
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Porque não me pode valer.
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Porque morreria por mim.
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Morrendo-me culpado.

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