quinta-feira, abril 23, 2015

Sal fino, não refinado, este sal grosso

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A boca que por amor se suja e com amor se limpa é. Princípio e fim de prazeres, sem roubar nem substituir.
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Escrevi um poema para a Joana e gostou e escrevi outros. Não me lembro de desejo nem de vácuo. Escrevia-lhe diante na claridade, eu feito branco, revelado e nunca só.
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Palavras para escrever à Joana e dizer-lhe:
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– Ainda és tu.
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Trinta anos, como sal grosso, não iluminam o que entreguei e a retribuição. Qualquer coisa.
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Não fazia género ou soltava risadinhas de nervoso miudinho fingido, aflita corando e dando a entender que soltara umas pinguitas.
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Poemas adolescentes, com sal em excesso e sem pimenta.
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Gostávamos de ser poeta e musa, e mais lhe escrevia.
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Nota: À musa Joana Villaverde, do olhar miúdo e sensível, tão cheia de força.

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