digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sábado, abril 18, 2015

Branco

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Calei-me desistente pela irreacção do silêncio. Desconhecendo se ouviam ou cuidavam dos gritos, sentei-me no chão e protegi a cabeça entre as pernas e sob os braços. Um embaciamento interno, a fragilidade da frustração e sem lágrimas, as palavras arremessadas sem eco estavam em ricochetes dentro e fora dos órgãos que sentem, peganhentas e leves, batendo com força.
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Para trás, deitei-te. Deitado mostrando submissão pela derrota. Escondi os olhos do azul e da luz macia da manhã. Não tinha sombra nem nada. Não havia nuvens, não tive frio.
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Podem ter sido cinco minutos ou cinco horas o tempo desviado. Queria dormir, o ruído ecoando dentro.
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Saí vazio. Ao menos tivesse ficado afónico.

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