quarta-feira, dezembro 03, 2014

Curvos

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Há dias curtos e dias curvos, que têm o tamanho dos curtos. Serão como uma bracelete que se põe no coração. Começam como acabam, tristes e pacatos.
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Bóio no grande tanque do tédio e da melancolia, onde ondas lentas-pesadas mergulham-me como se fossem de água.
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Não importa a mãe. Nem os amores. Não há amigos nem vícios nem saudade nem passado nem futuro nem dinheiro.
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Há um jardim fechado, desensolarado e sem sombras, de cores lambidas pelo céu cinzento morno, sem brisa nem ânimo. Nesse jardim há o tanque, o centro do mundo. Para lá, nada.
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Não importa a mãe e o frio é desconsiderado, abstractamente não existe. Fechado em mim, enrolando-me em espiral – se não tivesse espinha – regresso ao ventre morno da mãe.
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Da mãe, a melancolia dos olhos e os sorrisos suspensos. No tanque, é esse o desejo. Ir e talvez voltar.

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