digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, março 04, 2014

Morrer no Entrudo é melhor do que noutros dias

























É Carnaval e ainda que não se leve a mal a semente fica. Palhaço todos os dias, mesmo quando riu. Uns levam a sério e gostam. Outros desvalorizam e gostam. Outros desvalorizam e desprezam.
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Hoje passam muitas ambulâncias e não rezo por enfermos e auxiliares. O palhaço pobre é palhaço rico, que é mais pobre, triste e estúpido do que o outro.
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Se falo... se não falo... se sou ou finjo ser.
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A vaidade injusta e o horizonte míope, que termina já ali. Ai gostam? Tomem lá, por amizade dizem que não é merda. Ou não percebem nada, por amor ou tontice.
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Sim, riu. Engraçadinho, não tenho piada para ter trabalho. Competência, disseram que sim, mas... mentiram ou não há mesmo nada.
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Gajo porreiro, bem-disposto, que não diz quase nada que se aproveite.
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Dizem os amigos que seja sério. Ao fim e ao cabo, que não seja eu.
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Puta de vida esta em que para ser tem de se ser quem não é.
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Pois que fique tudo para os outros.
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Deus acha que uma alma amarrotada, sonhos mortos, amizades eternas e prontas são suficientes.
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Para quê tudo isto? Porque tantas vezes me leram aqui intimidades que não eram, pois que as leiam agora e gozem ou chorem.
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Seja lá como for: Bardamerda para mim e para quem não me apoiar.
Se hoje não corto os pulsos, não abraço um comboio ou delicio-me com comprimidos é porque é Carnaval. Ninguém levaria a mal. Nos outros, ninguém levaria a sério.
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Quendera fosse a enterrar com o Entrudo, pelo menos não seria o único ridículo na festa.
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Que não me dêem trabalho e gozem ou desvalorizem. Terão razão! O mundo é chato e só os chatos o vêem redondo.

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