O vago sorriso das árvores e a sua sombra quieta, vislumbres
do Paraíso. Ainda que passem carros e estrondem suas vozes, nada apaga a
lembrança melancólica dos dias de Verão passados a sós.
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À noite, vagalumes imaginários confundem-se no céu da
cidade. Suspiros da memória dos amores adolescentes... apenas dos
descorrespondidos. Amores frágeis, sem confissões nem beijos. Horas de sexo
imaginário.
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A noite torna-nos adultos, quando não nos deitamos. Meninos,
quando embalados no sono, sorrindo como sorriem as mães.
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O silêncio das casas, os passos perdidos, a inquietude. Gatos-afectos.
Gatos-esperança. Gatos-mata-angústia. O que acontece de noite.
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O sorriso dos velhos, linha quebradiça que separa a vida da
morte. Sorriso tímidos, duma alegria baça, ternura por qualquer coisa que quem
não é velho não sabe entender.
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Luz tímida e ar. Ar e não vento, porque o vento tem temperamento
onde o outro tem alma. Tempo de passar, tédio alheado, enquanto cenas da vida
se sucedem, para depressa se esquecerem. Passa a vida e resta a esperança de
reencontrar quem se perdeu.
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O Verão está a chegar e com ele a opressiva luz da
felicidade. A noite quebradiça da solidão é cruel no Verão. No Inverno
aconchega-nos sofrida, comiserando-se com as feridas e embebedando a tristeza.
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Melancolia, a noite triste que é memória. A noite dos
astronautas.
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Vaga luz, a esperança não tem rosto. Riscos de rasto, luz
dispersa para contentar a noite. Vagalumes.
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Nota: sim, sei que é vaga-lume.
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