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Às vezes pergunto-me pela minha cruz, não sei dela. Depois, penso e penso e penso e descubro-a nas pequenas coisas. Reconheço-me mais vezes repousado no Calvário do que a carregá-la.
Às vezes nada me faz sentido e não vejo nem cruz nem Calvário nem caminho nem mundo nem nada onde pôr os pés. Só não largo a cruz, porque não a vejo nem sei como a largar. Como perder o que não se sabe que se tem? Às vezes nem a falta de sentido faz sentido.
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