
Tenho metal a furar-me lentamente os pulmões e vou morrendo todos os dias com memórias de um só dia. Quem me dera estar agora nos braços da mulher que amei - nos braços da única mulher que amei - e confessar-lhe o amor que nunca confessei. Quem me dera morrer-lhe nos braços ainda que lhe sujasse de sangue as roupas e me toldasse o olhar de emoção.
O tempo não volta e a vida já foi, passou-me paralela, vi-a a meu lado. Vi passar a vida sem medo de perde-la e fiz-me à batalha de peito para a frente. Tenho agora despojos de um só dia e saudades de muitas noites. Sou o resto dum homem e vivo a sombra dum amor. Se pudesse vivia o amor que desperdicei e arrancava da carne os pedaços de metal que a cravejam. Se pudesse...
1 comentário:
Muito, muito bom! Já não sei q diga, para além de q escreves cada vez melhor ;)
Enviar um comentário