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Não conhecerás a vida do silêncio.
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Nem distinguirás os dias da morte olhando para.
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Digo-te, porque pareces ser uma criança inteligente:
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– As coisas partem-se. A princípio custa um bocadinho
perder.
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O jarro de vidro, lindo de esbelto, partiu-se porque uma
gata.
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O livro perdeu estória ao molhar-se no banho.
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Sobrevivi, lembro-me e já não me encanto.
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A ti, que pareces ser o que queres parecer ser… digo-te:
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– O fumo mostra.
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Tu, que és de conhecimento de qualquer partícula do muito ou
do pouco e até da esperança de não saber…
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Digo-te com o atrevimento de quem pensa pouco no que diz:
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– O Sol, a luz e o dia vencem e perdem.
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Mas se tiver de ser, perdem e perdem como o eclipse, o reflexo
lunar, o lusco-fusco, a penumbra, a sombra, a noite e o passado.
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O medo esconde-se na luz e escondemo-nos na noite.
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Como o temor divino do trovão e o espanto da luz calada do Demónio.
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Sem pensar não chegarás ao silêncio mas as tuas perguntas
não se ouvem.
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Diz-me o que é o silêncio.
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Não to posso mostrar porque apenas na soberba da modéstia
exagerada.
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Fico assim parecendo-te vago ou estúpido.
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Modestamente estúpido.
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