terça-feira, fevereiro 14, 2017

Chuinga

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Soprando, a chuinga faz-se balão. Mastiga-se e a saliva faz libertar o sabor químico concentrado que sabe a essência sintética de morango ou a o que se desejar e haja para comprar. Os miúdos vão à escola por alguma razão. Contudo, nada responde com verdade às elementaridades da vida, a essas e às seguintes depois das primordiais e metafísicas, velhas como o céu e o pau incendiado e a roda.
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Nasceu pobre. Não fez fortuna nem o tentou, quis ser rico por sorte. Viveu amargurado com as contas e os desejos, viu os dias passarem, a vida a gastar-se, perdendo amigos, ganhando tristezas, vencendo coisas pequenas, iludindo-se sem se convencer, mentiu e mentiu-se, envelheceu desvalido, babando-se e comendo papas por não ter dentes. Morreu só e não deixou nada.
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Em contrapartida, os cães não querem luxos e os gatos fazem o que lhes apetece. As árvores dão fruta e sombra. A Terra sustenta as necessidades.
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Aqui as pessoas desejam vidas sem vida e noutros lugares tentam sobreviver. As tardes gastam-se em supermercados ou a procurar água. A algibeira não facilita diversões incomuns e outros nem têm do que comer.
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Do lado ao outro existe uma esfera ou um cubo ou um cone ou uma pirâmide ou uma linha ou um ponto ou ar ou o elemento que se tiver ou inventar ou uma gaveta ou tudo ou nada e a cor ou os tons ou o branco ou o negro ou o infravermelho ou o ultravioleta ou o raio-x ou o nada e o som ou o silêncio ou a mudez ou a surdez ou a vontade de não ouvir ou o vácuo ou o nada e onde se está só ou a dois contando com o próprio a dobrar ou a dois ou a três ou outro número ou nada.
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Nesse lugar ou povoação ou universo ou estado fica a arte ou que se quiser, superando a vida, eternizando a memória, muito depois dos nomes serem pó, e isso não importa nada.
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Nada importa nada.

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