quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Barca Velha 2008 – uma obra de arte

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O que se pode dizer dum Barca Velha é proporcional ao que pode ficar por dizer. É certamente o vinho português, como um todo, mais documentado e comentado. Cada um fala por si e…
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O Barca Velha 2008 é o mais recente. Quanto a mim, está acima de irmãos. O tempo dirá. Aqui, o tempo é determinante. É que a declaração só acontece quando se perspectiva uma longevidade fora do comum, além da exigida ao um Ferreirinha Reserva Especial – também ele com vida prolongada.
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No total, foram declarados 18 Barca Velha – sendo que existe uma garrafa de 1955, ano de que não existe documentação, que não foi nem rejeitada nem confirmada pela Sogrape. A raridade, a longevidade e o momento em que os bebi, sendo que nem todos tive oportunidade de saborear, não me permitem colocar numa escala que os classifique por uma ordem. Portanto, quando escrevi que este está acima de irmãos fiz qualquer coisa de insustentável do ponto de vista da argumetação.
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Luís Sottomayor é quem assinou, por último, o encargo de declarar Barca Velha. Pelo que me disseram, é um trabalho colectivo, mas cuja sentença é tarefa solitária. Possivelmente, poder assinar um vinho destes deve pesar, mas também é um privilégio e prazer.
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O Barca Velha 2008 fez-se com touriga franca (50%), touriga nacional (30%), tinta roriz (10%) e tinto cão (10%). Foi-me servido no maior copo de vinho que alguma vez levei à boca, eram talvez 21h00. Contou o escanção que fora aberto às 13h00 e decantado, com algum vigor, por duas vezes. Pois, ao conhecê-lo mostrou-se ainda contido… levou tempo a ver-se.
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A complexidade deste vinho retrata-se também através da evolução temporal. Os descritores iniciais, mais próximos da fruta, avançaram para as especiarias e diferentes madeiras. Vale a pena continuar? Certamente, a lista seria fastidiosa e, sabe-se, que as bocas e narizes têm diferentes memórias e sensibilidades… e o Barca Velha bebe-se quando se pode e deve, seja agora ou daqui por 30 anos. Venham eles e venham mais.

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