digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Petróleo

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Quase inteiro de emoção, da tristeza da alegria à mais sincera tristeza. Se azul não é cor, substância doutro mundo, insujável e precioso, água de beber na sede, o negrume é pálido perante o negrum.
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É a isso que me refiro. Quando num silêncio quase mudo ou num ruído eruptivo vejo negro sob a pele ou transbordando. Se os fecho, vem o odor do indizível.
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Não sei se notaram, não quero saber e quase nada me interessa. Na alma o desprendimento próximo franciscano e na carne a vontade de o atingir.
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Neste momento, a cabeça balança pendendo, segura pelo pescoço de ráfia velha, antes pusesse a coragem conseguir pendurar-me íntegro, dizendo a oração de adormecer para acordar o tarde que consiga e onde a tristeza se sepultasse solidária.
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É assim quase inteiro de emoção. Poderia ser paixão feliz, mas paixão é chama triste.

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