segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Tenho na cabeça

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Desistente, desistentável, sofredor e sofredável. Expulso-me e empurro-me, expulsam-me e empurram-me. Pago a sinceridade e a crueza, não sou frio. Antes fosse assentimental e assentimentado, tivesse o fio da lâmina do aço e não me alimentasse de ternura.
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Se a morte existisse e com ela pudesse jogar aos dados. Se o Diabo vivesse e a ele vender a alma. Se não tivesse assinado o contrato ou lido as cláusulas.
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Se pudesse desexistir, se Deus me desse a bênção de me descriado. Como seria feliz no instante em que.
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Não sei o que faço nem quero fazer parte. O corpo gosta da casa, mas a cabeça deseja partir. A cara gosta do vento e a alma soltar-se e nele se abandonar.
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Tanto faz quase tudo, quando tudo é nada e nada pode ser muito. Tanto faz, tanto faz, tanto faz e tanto faz aos milhares, mesma escuridão em onde.
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Melancolia num embrulho de lençóis amarrotados. Nem que fossem a mortalha, a morte não me interessa.

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