digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sábado, outubro 10, 2015

Tiro

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Tiro no coração directo à cabeça. Nu no palco dum teatro barroco completo de fantasmas boquiabertos sardónicos incrédulos vingados. As pesadas flanelas de azul lindo, pleonasmo, de cena orlado de retorcidos dourados sem se fecharem nem pano de encarno-escuro escarlate de tensão e tragédia cair. Diante cair e não cair no fosso da orquestra que ausente tocava uma solene e melancólica sinfonia te Deum réquiem e desejava sinos de finados onde já não estivesse senão o corpo. Uma procissão de almas de negrume segurando tochas como estrela polar dando passos cinzentos-negros no silêncio molhado outonal e basaltos luzentes, num cantochão para o defunto nu no palco dum teatro barroco.

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