quinta-feira, setembro 17, 2015

Prisão-santuário

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O tal jardim que começa na casa muda e tem sombras de árvores espalhadas, donde uma vez por ano pendem frutos, de comer ou só de ver.
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Quando chove e o tempo é perfeito sob as copas molhando-se admirado com os pingos estatelando-se no chão curvando-se imperceptivelmente. Penso nos insectos, nos bichos de penas e nos bichos peludos. O cabelo quase todo molhado e não fosse querer e estaria desesperado.
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O muro é alto e cravado de vidros, vedado por densa floresta de cipreste alinhados como sebe. É a minha prisão e onde a cabeça não tem vergonha dos medos.
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O cinzento e o verde dos dias da melancolia e na agitação da luz, gatos e cães.
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Estiraço-me, desespero e solidão-me numa hora indiferente. À noite há pirilampos e grilos.
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Pela noite vêm frescos e húmidos, quase invisíveis e assim nas horas. A Terra roda.

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