digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Fogo-preso


Tens aí um beijo preste a cair e não me pedes para o apanhar. Prestes a despenhar-se e eu sem o poder salvar.
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Tiro-te a roupa como quem dá um beijo. Mãos quentes em pele fria de corpo em brasa. O peito erguido, a colina do ventre, o vale das pernas e o cofre do tesouro, onde aromas férreos, de caramelo e sal, sobressaltam como uma fonte.
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Sim, as mãos. Que pegam e quase saciam. A boca que fica perto do clímax. As mãos que se dão nas mãos, o ventre com ventre. O homem dentro da mulher.
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Sonho com a tua almofada e com silêncios de palavras de arrependimento e fúria de cair novamente no abismo do prazer.
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Não partilho a cama, partilho o corpo. Quero-me em ti e que me dês a tua humidade. Dou-te calor e dás-me sussurros.
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Quero-te já. Com mãos, boca e revelação. Dentro de ti. Adormecer, ir e voltar.

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