digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

domingo, novembro 08, 2009

Casa de luz tão triste



Casa de luz tão triste. Chuva tão triste lá fora. Corações cinzentos. Duas solidões. A memória dum tempo que se não viveu. Há muitos anos, há muitos anos. Cinquenta anos de vida cinzenta, de nuvens escuras e fotografias sem vento.
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Casa de luz tão triste. Duas vidas numa mesma cidade. Lago de lágrimas contidas na fonte, o coração encharcado. Pensamento em repetição circular. Mãos de desejo. Mãos esquivas.
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Chuva tão triste lá fora. Quarto tão pesado. Luz tão escura. Frio húmido. Solidão tão seca. Memória fúnebre. Amor tão vivo. Amor desolado. Adormecer para enganar a dor. Acordar para matar a ânsia.
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Casa de chuva. Ar pesado. Luz fúnebre. Quarto sem retorno. Passos sem volta. Memória sem avanço. Armazém de tristeza.
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Janela sem vista. Luz tão mole. Coração de subcave. Vida de subcave. Luz de subcave. Amor sepultado vivo. Cadáver sem odor. Desfalecimento interrompido. Amor suicidado.

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