digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

sábado, outubro 17, 2009

O grande amor

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O grande amor é um lugar de passagem, que se devassa com tempo. Não menos frágil do que os outros, não mais durável. Só a sua memória tem sabor persistente e a sua falta é mais pungente.
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Nego todos os amores. Não peço que me devolvam os beijos e sei que as recordações duram um instante. As rosas e outras flores murcharam, lençóis suados estão lavados e as juras breves promessas para incumprir.
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Se deixei o coração entregue a cidade é porque as pedras e as vistas são insensíveis, mas justas, coerentes e sinceras.
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Não dou nada, porque não peço nada. Não para que não possa esperar nem exigir. Deixo as flores nos seus canteiros e todas as juras e metáforas dentro da boca.
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Sei que o fim nunca é o fim. Pronuncio-o com a mesma certeza do grande amor. Tenho esperança de não mais prometer nem viver. Que Deus me ajude e me dê o que peço.

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