
A noite avança como um comboio rápido. Insensível a todos os receios e à luz das carruagens. Um gesto brusco, muito brusto e brutal, pela negritude. O ruído do metal rolante e a ausência do silvo.
Na noite, na carruagem de luz amarela, lê-se o jornal e fuma-se um charuto. A noite é um pano negro do outro lado da janela suja. Os olhos encontram-se no espelho da abertura e desiludem-se na intranquilidade da noite.
Fora do comboio há uma paisagem. No cimo há céu. Dentro do compartimento só pensamentos e a orquestração da ferrovia. De olhos bem fechados contemplam-se os dias anteriores e a eternidade.
Na evocação do passageiro, os anjos cercam o seu corpo jacente. Os olhos fundos são a passagem para o outro lado do universo. Não há como voltar para trás nem tempo para despedidas. O momento é de ficar ali mesmo: a cinza do charuto caindo sob o jornal. O olhar fica perpétuo.
1 comentário:
Os olhos são o espelho da alma, dizem!
Eu gosto de olhar nos olhos de quem fala comigo;)
Enviar um comentário