digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

terça-feira, março 31, 2009

São borrachas, senhor, são borrachas

O papa pronunciou-se contra o preservativo. Disse-o pouco antes de visitar África a braços com uma grave situação de sida. Burburinho no mundo e vieram umas tosses do lado da Praça de São Pedro, mas nada que desfizesse a bestialidade de Bento XVI. Por cá, o bispo de Viseu disse aceitar o preservativo nos doentes com sida. Menos mal. Ao menos para esses. Mas já se sabe que as declarações de Ilídio Leandro estão a ser estudadas no Vaticano. Só esta afirmação é já de banzar em pleno século XXI. Justiça seja feita, a Igreja Católica Apostólica Romana é coerente, o espírito da Santa Inquisição mantém-se vivo.
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Mas há uma explicação para a postura conservadora da Igreja Católica Apostólica Romana. Só apanha sida quem anda na vadiagem sexual ou a tomar drogas. Pecadores… Ora, sabendo que todo o sexo deve ser no seio do casamento e toda a cópula tem como finalidade a reprodução da espécie, tem toda a lógica a postura contra o preservativo.
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O problema é que a Igreja católica Apostólica Romana é contra o prazer e como combate o sexo não sabe do que fala. Para a Igreja Católica Apostólica Romana o sémen é vida, não são células do pai apenas. E os óvulos são vida, e não prolongamento biológico da mãe. Por isso, a Igreja Católica Apostólica Romana não era contra o aborto, mas contra a masturbação, o sexo não reprodutivo e o prazer.
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Quem é que é perverso, os amantes, o mundo ou os senhores da santa abstinência?
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Nota 1: Eu, cidadão de nome João Barbosa, sou contra o aborto por considerar tratar-se dum homicídio. Sémen é pai e óvulo é mãe, e óvulo fecundado é outra pessoa. Embora pareça, não é uma posição parecida com a da Igreja Católica Apostólica Romana, conforme expliquei acima.
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Nota 2: São batatas, senhor… o que está dentro dos preservativos.

segunda-feira, março 30, 2009

Celibato





















Sou o único monge duma ordem inexistente.
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Nota: Fiz promessa, e tudo... imaginem se fosse católico...

Bailado

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Sou bailarino de flamengo. O meu espectáculo sou eu e um queijo.
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Nota: É um erro comum confundir-se flamengo (relativo a Flandres) com flamenco (dança tradicional andaluza).
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domingo, março 29, 2009

O jantar de 28 de Março de 2009

A mesa era para ter sido posta para uma só pessoa, a Susana Borges, a quem devia um jantar sem o que para si é escusado: carne vermelha. Eu que não sabia, andei a «envenena-la» vezes sem conta. Fui-me lembrando de mais gente fixe e fazendo convites. Consegui ter cá o João Braz, que é um cromo difícil de apanhar e um garfo Michelin. Acrescentei a Isabel Colher, que trouxe atarrachada a pequena Catarina, e o Pedro Sol, que é um catita recém conhecido (gostei dele). Convidados ausentes só a Mafalda Santos e a Ana Suspiro... malandras!
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Menos importante, porque o principal é o convívio com os amigos, mas inevitavelmente pronunciável é o que veio para a mesa. À laia de couvert vieram peixinhos da horta e cascas de batata fritas, acompanhadas por espumante Soalheiro Bruto.
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A entrada fez-se com cogumelos portobello com pesto e queijo chévre gratinados. Entrou em cena o vinho da noite, o Projectos Chardonnay 2004. Houve ainda uma salada de rúcula selvagem, passas, pinhões e pevides de abóbora, temperada com azeite Esporão (DOP Moura), vinagre balsâmico Fini (Modena) e flor de sal.
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O prato principal constituiu-se de frango com mostarda no forno e batatas cozidas passadas na frigideira.
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Para a sobremesa vieram requeijão («Seia»), doce de abóbora e ameixa de Elvas. Terminou com um gelado de frutos silvestres. A acompanhá-las sentou-se à mesa Dow's Midnight.

Perguntou-me o meu filho inexistente de dez anos


- Papai, a Britney Spears é uma actriz porno?
- Não, filho. É uma cantora porno.
- O que é isso?
- Faz música porno.
- Não é actriz, é cantora…
- Sim. É kinky!
- Kinky? O que é kinky?
- Esquisita. Não tem interesse... só mesmo de borla. Demasiado má para ser verdade...
- Má?!
- Mazona!... Kinky...
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Nota: Tem pinta de actriz porno. Há actrizes-modelos porno com melhor aspecto, menos ordinaronas.

Doutora


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- A minha filha já é doutora.
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- Parabéns! Que estudou ela?
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- Isso já não sei. Não percebo nada do que ela diz.
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Perguntou-me o meu filho inexistente de treze anos:
- Papai, a Britney Spears é uma actriz porno?
- Não, filho. É uma cantora porno. Kinky!
- Kinky? Que é kinky?
- Quer dizer demasiado mau para ser verdade.

Para ela, aquela


Não lhe conheço voz nem rosto, mas era capaz de me apaixonar por ela se a conhecesse pessoalmente.
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Nota: Estou quase, quase, a dizer o nome dela, mas não o vou fazer. daqui por uns tempos já nem me lembro. E escusam de tentar os nomes das minhas ex-namoradas. Aviso já que não é nenhuma Rita, a menos que seja e eu não saiba.

Por ti, ia

Por ti ia a Londres ter uma Tate a Tate contigo…
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Nota: Sim, este quadro está na Tate Gallery.

Round round


O que as intelectuais têm em comum com as sopeiras é conseguirem dançar e divertir-se com coisas absolutamente pueris e divertidas, sem remorsos nem vergonhas.
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Nota: Dedico este texto a uma miúda que cá sei, mas que dentro algum tempo não me vou lembrar... mas não é sopeira.

Ganhar e perder




















Ganhar obriga a uma grande ansiedade, prolongamento de sofrimento. Perder logo tem o mérito de aliviar. Perder aos poucos é coisa de estúpidos.
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Nota 1: Portugal jogou ontem com a Suécia, precisava mesmo muito de ganhar e empatou, em casa. Não teria sido melhor escolher um vencedor para chefiar?!
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Nota 2: Na imagem está Carlos XI da Suécia.

Patético


- És mesmo pateta! Não te importas de fazer uma figura patética?!
- Não!
- Não?!
- Já a faço há tantos anos que seria patético deixar de a fazer.
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Nota: Ainda me lembro desta música nos Morangos com Açúcar... que estrondo! Que estória!

sábado, março 28, 2009

Como os palhaços.





















Sou como os palhaços! Alegre por fora e triste por dentro. Muito triste, muito alegre. Detesto palhaços. Detesto-me!
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Nota: Já aqui disse e agora repito: detesto palhaços e arlequins.

quinta-feira, março 26, 2009

Hei-de dar à costa

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A vida não sabe o que há-de fazer comigo. Não tenho viabilidade. Não sei se te quero voltar a ver. Que me deixes. Ou se me ames e vás buscar o meu corpo cadáver à volta do mar. Estarei sempre sem ti.
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Os nossos corpos amantes e abandonados

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Apesar de tudo tenho saudades tuas. Como se guardasse com agrado as dores que me deste. Há sempre este Sol tão forte, o estio, as searas loiras e as ervas babosas… E nós que não nos conhecemos no campo nem o desfrutámos… havíamos de ter estado lindos a fazer amor nas charnecas.
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Telepatia


Não sei o que te possa dizer. Nada sei de ti e tu descobriste-me ignorante e desejoso de te novamente saber. Percebi e adivinhei, porque em mim ainda há uma réstia de ti, um fio que vem da tua alma e se entrança na minha. Saber é saborear. O gosto da tua boca perdura e se fecho os olhos vejo-te como sempre. Não sei de ti, mas por ti, à noite, sei, que ainda me tens e eu tenho-te. Em sonhos. Acordado, os desejos não têm o mesmo sabor. Por ti não sei nada. Por ti sei. Saboreio-te quando me lembro.

A dormir





















Não sei se tenho sono ou se o sono me tem. Provavelmente, é a mesma coisa. Quando tenho sono não posso ter mais, e, muito menos, ter-te.

Cinco anos de duas gatas

















A Granita e a Lioz fazem hoje cinco anos. Vieram para cá depois dum susto-asneira muito grande. Hoje fazem felicidade diária. Gostava de saber arranhar a escrita e realidade como as minhas gatas arranham o que não devem. Eu tento fazer o que devo e elas não devem nada a ninguém. Devo-lhes muitas horas de risos e vários salvamentos de vida.

terça-feira, março 24, 2009

Três anos de Infotocopiável - Esta não será a última ceia - Ando aqui quase sozinho, comigo mesmo e mais uns quantos










São três, a conta que Deus fez, a que é de vez, a que se houve duas esta teve de ser. Houve uns tempos em que a coisa tremeu, que esteve para acabar, por vontade assassina do autor ou mera hipótese de desistência maior. São três anos e, com este, 1568 textos.
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O Infotocopiável começou por ser um caderninho para pôr imagens que considero bonitas e outras afinidades. Quis partilhar com os amigos e dei ao dedo para os pôr ao corrente. Depois, o sítio evoluiu para (quase) diário de textos, todos obrigatoriamente ilustrados. Todos os textos de autoria minha, sem plágios e com poucas e curtas citações conjunturais.
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Agradeço especialmente às musas inspiradoras: a realidade, a intimidade, a flor vermelha, a flor amarela, a flor verde, a flor lilás e a flor azul. Não posso deixar de referir ainda a quem me convenceu a ter um blogue (e que não me lembro quem foi, talvez o Turco), a quem me fez escrever e não apenas depositar textinhos e imagens, que achava interessantes mas sem fio condutor ou temática (a Calvin), e a quem me fez privilegiar a arte nas ilustrações que aplico (a Erva).
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Por aqui passaram com mais ou menos regularidade, proximidade e continuidade amigos, uns conhecidos, outros que se foram conhecendo, outros que só sei porque encaminham links e outros ainda que permanecem anónimos. Vou citar os que me lembro, à queima-roupa, espero não me esquecer de ninguém… se me esquecer, peço perdão, garanto que estão em espírito: a Carlinha, o Paulo Rosendo, o Nasser, a Gi, a Menina do Chá, a Soukha, a Alfacinha, a Moon Lover, a Ana Abrunhosa, a Taninos, a Tainha, a Lu, a Lídia Bulcão, a Mainstream Dancing Girl, a Ideias, a Ana Fonseca, a Tânia, o Grande, a Incógnita, o companheiro da Toupeira, o Leston Bandeira do Africandar e Romeiro, a malta da Doca dos Aflitos, o Mário Pedro, a Raquel Alão, a Mena, a Trinity, a Suntas, a Calvin e a Erva. Depois há aqueles que não são clientes do blogue, mas que estão ou estiveram aqui pendurados e que foram e são uma inspiração: a Beluga, o Fernando Gonçalves, o Valter Hugo Mãe + Stage Blood, as moças do Queridos Gatos, e o Eduardo Salavisa.
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Agradeço ainda a todos os irmãos brasileiros que diariamente aqui vêm à procura de sexo bísaro (bizarro), de vídeos de empalamento (não sabia que a prática se estendera até ao surgimento das imagens em movimento) e de desenhos do mapa-mundo para colorir. Há outras pesquisas reincidentes, mas estas acontecem todos os dias.
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Escrevo e ilustro não apenas para mim, mas também a quem me visita. Espero que este espaço (continue) a dar vontade de ler. Se não for interessante para quem escreve e para quem lê não servirá para nada. Somos poucos, mas somos os possíveis. Obrigado a todos.

segunda-feira, março 23, 2009

A inveja ou o desejo





















Um dia quero ser grande... ou pelo menos que alguém me leia.

O tempo e a arte














Os dias avaliam-se e distinguem-se pelo conteúdo, aí está a sua memória futura. Não são memoráveis pela virtude da sua posição na escala da caminhada das semanas e anos. Hoje é dia de véspera. Se todos os dias são vésperas, não seria mais lógico deixar de os classificar como tal. A arte não tem dias, é uma semi-recta, como o homem, com um princípio e sem fim.
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Nota: A ilustração é uma alegoria ao tempo e à arte.

domingo, março 22, 2009

Dentro de mim

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Tenho um tenente ou um coronel SS a viver dentro de mim. Quando ele fala ou quer agir, há em mim, além da violência e frieza, uma vertigem suicidária. Porque a loucura das pessoas saudáveis pode coexistir na mesma pessoa com a loucura dos loucos. Não foram só desvairados que fizeram a guerra, também moderados se tomaram de furores. Em mim há muita gente, muitas vidas, uma vida que prefiro esquecer, uma morte que não me quero lembrar, uma vida que me recuso a viver e uma morte que seria melhor não antecipar. Ponho-me a pensar na vida, e sempre que o faço penso também na morte. Não posso pensar tanto, mas a vida só me dá de pensar. Vou acalmar o alemão e dar-lhe de beber, já volto.
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Eu e elas

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Vivo amante preso das minhas namoradas, do passado e imaginárias. Não tenho vida, tenho-as a elas.
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A dois dias

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São estas coisas que me põe a pensar, não a ficar mais velho... ou a sentir como tal. Ainda não chegou, mas já faço contas. Tenho alguma ansiedade. Nesse dia vivia algumas esperanças, hoje vejo que continuo a viver em ruínas. Por essa altura tive uma conversa de saciar, hoje tenho um silêncio de quase morte. Dentro de dois dias vejo o que vou aqui escrever para celebrar o dia.
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Nota: Este quadro chama-se «Momento de ansiedade».
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sábado, março 21, 2009

Separação

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Não me recordo se manhã ou tarde, mas sei que me levou noites e madrugadas de pensamentos de dor. Eu com a cabeça cheia ouvia-te dizer o que calculava e não queria. Escutava-te no inacreditável fim. No teu colo pousei a cabeça e molhei-te com as primeiras lágrimas dos desgostos.
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Essas águas passaram, mas não passaram as dores dessas noites nem a incompreensão do fim. Tínhamos tudo para sermos até ao fim. Ao fim desta carne, porque em alma estaremos, cada um por si, unidos.
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Houve quem esperasse por nós. Desilusões vagamente violentas. Desilusões se sal no sangue, que me feriram e te pouparam. Porque só eu as pude ver e ouvir.
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Desde então, desde essa manhã ou tarde, de dores de noite e madrugada, que só tenho o sangue a revoltar-se nas veias e as lágrimas no pensamento. Certamente um dia faremos contas, mas, digo-te já, que te perdoo.
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Fora de mim

Vou ali e já venho. Espero estar cá quando chegar.
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Nota: O abençoado Gil de Assis levita frente ao papa Gregório IX.

quarta-feira, março 18, 2009

Abstinência sem preservativo





















Como pode o chefe duma organização que pratica a perversão sexual da abstinência vir criticar o sexo com preservativo?!... Bem, talvez por isso!...
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Nota: O que gosto neste quadro é ser absolutamente contemporâneo. É uma prova de que as novas correntes artísticas no Vaticano estão de acordo com a modernidade das intelectuais e filosóficas. É que a artista é oficial.

Atraso





















Para a mulher, a palavra atraso só tem importância quando relacionada com aquele período do mês. Tirando isso, eles que esperem.
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Nota 1: A pior que já ouvi foi a do «Benfica joga em casa».
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Nota 2: Já tive a minha dose de esperas… hoje espero pouco… muito pouco.
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Nota 3: Este tipo está com ar de quem está ali há horas, que já está por tudo. Mas, se calhar, não...

Estou atrasado





















Cedo comecei a chegar tarde.

terça-feira, março 17, 2009

As minhas namoradas

Tenho um amor platónico por uma puta e uma relação carnal com uma virgem.
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Nota: Apesar de conhecer vários fotógrafos e ter muitas fotos em arquivo, não conheço tudo. Assumo que não sei quem tirou esta fotografia. Já a rapariga chama-se Sandy. É gira, não é?! Ordinareca... perversa... malandra...

Estrabismo

Tenho um amor platónico por uma puta e uma relação carnal com uma virgem.
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Nota: Apesar de conhecer vários fotógrafos e ter muitas fotos em arquivo, não conheço tudo. Assumo que não sei quem tirou esta fotografia. Já a rapariga chama-se Sandy. É gira, não é?!

Espaço













O meu coração não é um lugar vazio. É um espaço ausente.

Os amores

A dada altura já não se acredita no grande amor da vida. Porque se quebrou. Porque já passou. Porque se sabe que todos os próximos serão menores. A dada altura já se quer só um amor. Para ter um reflexo do que já se teve. Ou então, já só se deseja o que se teve. Porque foi bom. Porque dele só restam as boas lembranças. Sem esperanças. Sem boas esperanças. Mais tarde, sabe-se, já só se quer um amor qualquer. Para ouvir ressonar. Para ouvir qualquer coisa. Para combater a solidão. Não quero nada disso para mim. Por isso, desamo-me, por fugir tanto à normalidade. Os outros que fiquem na regra.

segunda-feira, março 16, 2009

É isto





















Dói-me a cabeça e está calor. Penso que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem tampouco ser Primavera, ainda que o calendário diga que ainda não. Mais provável será este peso a mais. Quem me garante que o meu cérebro não engordou e agora se esmaga contra o crânio?
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Está muito calor e hoje passei quase todas as horas a dormir. Como se não tivesse dormido na noite anterior, no adia anterior, na noite precedente e por aí fora. Dói-me a vida e as dores na vida fazem dormir. Enquanto se dorme não se está no corpo.
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São vinte e uma horas e devo ter estado acordado cinco horas. Não mais. Penso que ando a viajar demasiado para fora do corpo. Não sei se não significa que um dia destes faça a mala e volte para esse país de paredes meias. Já do outro lado e sem corpos tangíveis.
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Dói-me a cabeça, deve ser do peso a mais. Só devíamos estar gordos após as refeições. Como as jibóias. Estou novamente com sono. Como acabei de comer, devo estar mais gordo. Gostava de adormecer e acordar depois da Primavera. O calor da Primavera é muito aborrecido.

domingo, março 15, 2009

Devolvam-me





















Não sei o que faço aqui. Este não sou eu. O que posso fazer para voltar? Juro! Não me chamo João. Hoje acordei assim. Não sei nem como nem porquê. Quero o meu corpo e a minha vida de volta. já vos disse, sou um príncipe da Dinamarca.
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Nota: Retrato de Valdemar Cristiano da Dinamarca.

Oh vida...

Vida! Vem cá já! Quero dizer-te umas verdades. E não me apareças à frente para que não tenha de te descompor. Ouviste?! Não me vires as costas! Sai-me da frente!

Por acaso, alguém tem... ?

Alguém tem aí uma pistola e uma bala que me empreste? Não demoro muito e devolvo na próxima vida.

Fúria infantil

Sim, estou em fúria. Desvairado, em fúria. Mordo-me e saboreio o meu sangue. Alguém faz o favor de me tirar da minha frente?!

Ir ao fundo

Para não nadar na realidade poderei mergulhar além dela?

Pátria lusófona





















Os lusófonos têm pelos portugueses uma consideração que estes não merecem. É como alguém agradecer a cultura a uma professora que lhe ensinou a dar erros ortográficos.
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Nota 1: Mário Soares é alguém a quem se deve a democracia, mas quanto ao resto é melhor estar calado. Nunca se faz tudo bem.
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Nota 2: O bochechas serve apenas de ilustração ao Portugal democrático, porque rompeu com o império colonial e aproximou a Europa.

Lusofonia à mesa





















Lusofonia é só um motivo de conversa para fazer negócio. É como uma reunião de Silvas. Todos sabem que não são parentes, mas em que a possibilidade dum antepassado em comum possibilita horas de conversa.
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Nota: O retrato de Francisco de Almeida vem na sequência de imagens anteriores e continua, neste contexto, a ser uma provocação.

Lusofonia



















Lusofonia é aquele momento em que o padrasto se encontra com os enteados.
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Nota 1: Só falam a mesma língua. Nenhum tem o seu nariz.
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Nota 2: Sim, estou-me nas tintas para a lusofonia. Sinto-me mais próximo dum sueco do que dum nordestino.
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Nota 3: Lusofonia é mentira e demagogia em verso.
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Nota 4: Afonso de Albuquerque, neste contexto, é só uma provocação para tentar ter comentários.

Luso e tuga





















O problema não é ser português. O problema é viver entre portugueses. O problema de viver no estrangeiro é a mania genética dos portugueses se agruparem.
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Nota 1: Se fosse pela língua, além dos portugueses teríamos de levar com os brasileiros, angolanos e cabo-verdianos... por esta ordem. Tanto faz, não têm nada a ver connosco.
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Nota 2: A lusofonia é apenas algo que sai da boca para fora. Aqui para dentro, não entra.
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Nota 3: O Vasco da Gama do retrato é apenas um símbolo da diáspora portuguesa e do início da globalização.

sábado, março 14, 2009

Mentira!

- Já te enganaram?
- Já!
- Como descobriste?
- Sempre por acaso.
- Que te fizeram elas? Quais as asneiras?
- Delas não sei. Se me enganaram não sei.
- Então?
- Houve mitos. Coisas simples.
- Tais como?
- A Santa Isabel?
- A Santa Isabel?
- Sim. Há outra igualzinha, mas em vez de ser de Portugal, ou de Aragão, é da Hungria. Com as mesmas estórias e milagres.
- Bolas! Não sabia!
- Vês, como também foste enganado...
- E mais?
- Quando me disseram que saudade era algo unicamente português...
- Sim, essa é muito estúpida. É preciso ser-se muito estúpido para acreditar nessa...
- Pois! mas durante um tempo acreditei. Depois pensei... pensei melhor, li, vi coisas e o mundo, conheci pessoas e percebi que era um enorme disparate.
- Houve mais?
- Sim. Quando acreditava que havia vinhos verdes e maduros.
- E não há?
- Não! Vinho Verde é uma região. Todos os vinhos são maduros.
- Bom! Mas pelo menos temos uma canção que nos espelha a identidade popular, o vinho, a saudade e a pátria...
- Qual?
- O verde vinho, do Paulo Alexandre.
- Mas essa nem é uma canção portuguesa...
- Como não?!
- Também me enganaram... é da estranja...
- Ai sim?!
- Sim! Ouve lá...
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Nota: No original é «vinho grego»... lol!

Da Adega Cooperativa de Felgueiras

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- Sentes-te português?
- Sinto.
- Porquê? Por que te sentes português?
- É algo que vem de dentro... um suor da alma.
- Sentes-te uma pessoa do mundo?
- Não! Sinto-me mesmo português.
- Então, e a diáspora?
- Qual? A imperial ou a emigrante?
- Uma delas...
- Nenhuma.
- Nenhuma?
- Nenhuma.
- Não sentes o apelo do mundo?
- Não. Sinto o fado.
- Sentes orgulho em ser português?
- Nem por isso.
- Não sentes?
- Digo mal disto tudo, mas quando me pisam os calos à pátria fico muito orgulhoso... se tivesse espada aviáva-os a fio.
- Quando te sentiste mais orgulhoso de Portugal?
- Na tourada à portuguesa.
- E vergonha, já tiveste?
- Já!
- Quando? Onde?
- No estrangeiro.
- Porquê?
- Por causa dos emigras.
- Então?
- Por causa do Vinho Verde da Adega Cooperativa de Felgueiras.
- Porquê?
- Porque havia estrangeiros a bebê-lo.
- Então?
- É como andar de pijama. Em casa pode-se, junto da família chegada também, mas nunca se sai para a rua de pijama nem se está de trajes íntimos junto de estranhos.
- ...
- As vergonhas escondem-se!
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Piada brasileira:
- Por que todos os portugueses têm bigode?
- Para se lembrarem das mães.
Se os zucas soubessem dos que estão para cá a mandar estavam caladinhos.
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Nota 1: A pintura retrata emigrantes italianos, mas para o caso vai dar ao mesmo. Povo é povo. Rústico é rústico. Vidas difíceis são vidas difíceis.
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Nota 2: Foi o pior vinho que já bebi na vida. Das adegas cooperativas espera-se sempre o pior, mas esta bateu todos os recordes. Aquilo não era vinho, era decapante.
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Angelitude

Se os anjos têm seis membros é porque são insectos. Há algo de estranho na santidade.

Destinos cruzados e desencontrados

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Não tenho culpa que tenha feito asneiras e agora sofra o castigo de estar voltado para o canto escuro. Se te sinto a falta, a culpa não é tua. Mas, se não me sais do coração, não te tiro da alma. Por ti ainda saio do corpo. Por não te ter posto no corpo novos corpos. Depois de desta sairmos haveremos de voltar, depois de tantas culpas, teremos de pagar, aos outros, o amor que lhes prometemos.
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Do bem

De todo o bem que te faço espero troco. Todo o mal que me fazes facturo ao coração.

sexta-feira, março 13, 2009

Ida, vinda e volta

Peço-te que voltes, para que não tenha de partir.
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Nota 1: Partir para outra, partir daqui, partir esta merda toda, partir de vez.
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Nota 2: Por ti, vou de peregrinação a ti.

Nascimento, vida e morte - Páscoas

Se sabes do nascimento, sabes da morte. Sabes um dia e não sabes o outro. Porque tens o Natal e uma morte que morre todos os anos, para nascer no seguinte num dia diferente. Se dizes saber da vida, devias saber da morte. Devias saber que a morte não existe, que os corpos não ressuscitam.

Tempo de paixão





















Tenho pedaços de má circulação. Tenho pedaços que nunca circularão, além do meu corpo finito. Nem mesmo pelo meu amor por ti. Mesmo quando me beijas o corpo infinito. Infinitamente transcendente, tanto amor. Porque há coisas que são só minhas e de mim não vão, mesmo quando saem para fora de mim. Por fora de mim não é fora de mim. E tu, se me amas, compreendes que nunca irei além de mim, porque, quando o fui, caí pesado e dorido em mim. Fico-me, aqui e já, à espera que nunca te aproximes de mim. Não vá eu ir além e a minha carne ficar fora de mim.

Solitária

A minha amiga já não está só. Está solitária!
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Nota 1: Não é rebuscada nem surreal, é apenas para quem percebe. Sim, porque apesar de não ser um confessionário ou espelho da minha vida, o blogue também tem inconfidências. É para quem pode.
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Nota 2: Este texto é dedicado à IC.

Solitária

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A minha amiga já não está só. Está solitária!
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Nota: Não é rebuscada nem surreal, é apenas para quem percebe. Sim, porque apesar de não ser um confessionário ou espelho da minha vida, o blogue também tem inconfidências. É para quem pode.

Sabias que?





















Já reparaste que sou o único comuna que vota no CDS?!