digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

quarta-feira, agosto 12, 2026

Para eclipsar o tédio 11

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Eclipse? Não vou ver. Vi um noutra encarnação e fiquei cego.

 

Para eclipsar o tédio 10

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Em Lisbon, no Dacota do Norte.

 

Para eclipsar o tédio 9


 

Para eclipsar o tédio 8

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Nota: Desenas de tentativas, mas desisti. É o resultado menos mau.

 

Para eclipsar o tédio 7

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É sempre a mesma coisa!... Demoras uma data de tempo para te despachares. A nave só dá cinco vezes a velocidade da luz!... Não dá mais! Acho que vamos chegar tarde para ver o eclipse solar.
 

Para eclipsar o tédio 6


 

Para eclipsar o tédio 5


 

Para eclipsar o tédio 4

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Um eclipse! Uau! Que excitação!

 

Para eclipsar o tédio 3

 

Para eclipsar o tédio 2


 

Para eclipsar o tédio 1

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No nosso planeta não há nada disto!...

terça-feira, agosto 11, 2026

Eclipse-de-quarta-feira

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Aconteceu no modo de pensamento em dois lugares. Em sítios diferentes por impossibilidade de acontecer um encontro. Foi assim:

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– Amanhã há eclipse solar.

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– Sim.

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– Conseguiste arranjar óculos?

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– Não.

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– Vi-me aflito para conseguir.

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– …

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– Procuraste nas farmácias e nas ópticas?

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– Não.

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– Onde procuraste? Não deves olhar directamente.

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– Não procurei e não tenciono olhar, nem directa nem indirectamente.

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– A sério?!

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– A sério.

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– Não tens curiosidade?

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– Nenhuma.

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– Nenhuma?

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– Não. E então?... Não quero saber de eclipses nem Lua-vermelha nem super-Lua…

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– Mas é um acontecimento raro. Um acontecimento equivalente só acontecerá no ano 2200… ou algo assim.

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– Todas as noites posso ver a luz de estrelas que se apagaram há muitos milhões de anos… e também não tenho interesse nenhum. O céu nocturno é bonito, porque é escuro e tem pontinhos brancos, mas não tem mais nenhum interesse… O pôr-do-Sol é bonito, mas tem algum interesse? As auroras bureais são bonitas, mas têm mais algum interesse?

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– O quê?! Estás a comparar um eclipse com coisas que acontecem todos os dias? Não tem nada a ver.

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– Pois não. Ver um círculo tapar a luz do outro e ficar escuro é tão interessante como… sei lá… uma nuvem que parece um ursinho de peluche… aliás, interessa mais uma nuvem que iluda ou que estimule a imaginação do que uma coisa que, na melhor das hipóteses, deixa a boca aberta… e uma pessoa de boca aberta fica com ar aparvatado. Uau! Um eclipse!... Enapá! Que interessante! E bocejo.

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– É uma coisa única! Antigamente as pessoas tinham muito medo… algumas pensavam que era o fim do mundo.

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– Se fosse o fim do mundo talvez fosse interessante… mesmo assim, não. Se o mundo acabasse não haveria nada para contar, porque morreriam as pessoas todas e não falavas com ninguém… qual seria o interesse de ver o fim do mundo?

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– Não acredito!... Como é possível não teres interesse numa coisa tão rara.

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– Tão rara? Estás a falar do fim do mundo ou do eclipse?

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– …

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– O Bugatti Royale é uma coisa menos rara e sei que nunca verei nenhum. Ou seja, é mais fácil ver um eclipse do que um Bugatti Royale.

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– O quê?!

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– Para ver o eclipse posso pôr uns óculos e olhar para o ar. Ou nem pôr óculos nenhuns e estragar a vista. Para ver um Bugatti Royale nem sei onde o procurar. E se soubesse seria preciso poder ir vê-lo e poderá ser longe. Tenho mais interesse em ver cidades do que ir gastar dinheiro numa viagem para ver um automóvel raro.

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– …

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– …

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– Se vires o eclipse, podes contar aos netos.

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– Ah! O avô viu a Lua tapar o Sol. Ficou tudo escuro durante uns segundos. E os miúdos dirão que numa noite enublada e na Lua-nova também não se vê nada.

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– Hã?!

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– Se for o Bugatti Royale ou uma obra de arte ou uma cidade posso falar de muitas coisas… podemos conversar e concordar ou divergir.

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– Hã?! Nem acredito!

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– Então não acredites.

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– …

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– Depois do eclipse vais conversar sobre o assunto e dizes o quê? Ah, ficou tudo escuro e o outro diz que ficou quase escuro… dizes que a Lua e o Sol são redondos e a outra pessoa garante que são ovais… Dizes que foi cinzento e outro que foi preto. Que conversa fantástica!... que bocejo!...

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– Nem acredito no que dizes. Estás a brincar, não estás? Queres meter-te comigo… és sempre o mesmo.

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– Não me chateies mais com essa maravilha que não atrasa nem adianta.

sábado, maio 02, 2026

segunda-feira, abril 27, 2026

Irresistível como uma inglesa a falar francês

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Chegava – às vezes olazava o pai e noutras ele dormia. Bife na frigideira, bastava aquecer, e bata frita mortiça e saborosa. Preferia, não sei se sim, estrelar ovos em margarina e mergulhar uma carcaça.

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O prato num toalhete, copo de água à direita e a câmara dois em frente. Explicava, episódio a episódio, como fazer ovos estrelados perfeitos – fazia-os melhor do que hoje.

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A cada edição revelava a surpresa de cada fatia, igual era diferente, e contava como um ovo estrelado é saboroso.

Dicionário: Rezar-alcoolizado

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Constatar a beleza caduca.

domingo, abril 26, 2026

Jantar romântico para um homem só – revisitação

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A minha memória já foi muito, mas porém. Do que escrevi, sei pouco. Jantar só é só tortura, a comida apenas alimento e nem há vinho convidado. Um dia.

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Lembro-me dele, tal viesse alguém sentar-se comigo. Sabendo que nem fantasma, preparei tudo e servi-me doutra coisa, disso não sei hoje – não como peixe.

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Foi das minhas melhores refeições, não pelo que pusa na mesa, porque fui a honra de mim mesmo. Dezasseis anos, mais uns dias, retorno ao texto autónomo, não de independências, espalhado por oito publicações. Aliás, regresso ao consolo desse jantar.

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Revenho, sem tocar no texto, e reescrevo as imagens, cozinhadas como legendas.

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1 – A mesa

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Eu que gosto mais dos alemães sentei-me a ouvir Verdi.
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No prato bacalhau à Braz acabado de fazer, com parcelas mínimas queimadas, que fazer um jantar sozinho é obra para muita gente.
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Sala morna, porta fechada e cortinas corridas. Atrás da música não se ouve a chuva. As gatas entram e saem quando querem, nada exigem.
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Oito velas acesas na casa, nem mais luz. Um vinho branco com vida e frescura certa. Pimenta preta na mesa.
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Incenso de sândalo, para temperar aromas de prato. Gesto de fumo, oriental, o exotismo obrigatório num jantar de amor.
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Toalha vermelha com limitados quadrados a branco. Guardanapo às riscas, azuis e brancas. A memória dum passado, recordações de mesa.
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Depois do jantar, um jogo de cartas, paciências. Baralho novo. À primeira perco. À segunda a mediocridade. É sorte ao amor que aí vem.
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Há amores que não valem este jantar.

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2 – Quase luz

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A quase luz não é quase escuridão. Uma vela que se apaga é uma falta notada na música orgânica de toda a claridade possível.

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3 – Sem choro

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Se chorasse tudo duma vez, os meus olhos morreriam de sede. Olhos com sede não deixariam ver o que vai na alma. A alma ardente sem água lançaria fogo ao coração. Coração queimado e sem água que o apagasse. Amor sem luz.

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4 – Vela

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Que esta luz não se apague, ainda que a música se vá. Porque uma música pode repetir-se, mas uma vela apagada nunca mais volta a ter vida.

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5 – Medo

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O que será a luz do medo? Uma evocação medieval, um arrepio como os outros. Luz nítida para a escuridão. Não será luz negra, mas luz para a escuridão, como a da esperança e da fé.

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6 – Sombra

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Há sempre sombra atrás da luz. Só a da fé não esconde. Por aqui, todos bem. Espera-se um outro dia. Depois do próximo, o próximo. Sente-se a macieza das mãos. As noites frias já o foram mais. Não se fala do tempo. Todos esperam que o telefone toque, mas não agora, não hoje. Que haja alguém que se preocupe.

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7 – O claustro

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Dentro destas quatro paredes evocam-se fantasmas, idos há muito. Lembranças de claustros e granito, outros corações desfeitos. O toque dos sinos, as trompas e a percussão solene a anunciar um cortejo. Sobre mim se levantam um cantar meu.
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Um caminho de flores, o chão coberto. No carreiro do bosque, taciturno. A dança dos espectros, o canto chão, o canto dos anjos, um canto de laudas.
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Por mim, não há manhã. Por mim, só esta escuridão monacal. , esta luz trémula. O medo da nudez.
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Romperei a noite numa oração, com o frio do aço temperado. Solidão fria de Inverno.
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Quando as luzes se apagarem será outra noite. Ainda tempo da oração perdida nos tragos de vinho. Que esta luz nunca se acabe e que jamais seja manhã.

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8 – A cama

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Quando finalmente me levanto para ir comigo para o quarto, vou demasiado ébrio para fazer amor comigo. Uma noite de emoções bastantes. O sono justo de quem não quer acordar de manhã ao lado de si mesmo.

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https://infotocopiavel.blogspot.com/2010/02/jantar-romantico-para-um-homem-so-mesa.html

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Dicionário: Fastio-equívoco

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Fazer serenamente o que supostamente não se gosta de fazer.

sexta-feira, abril 24, 2026

Paraquedinhas todos os dias

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Paraquedas com os seus primeiros donos.

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Vinte e um anos e por ela rio todos os dias.

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Enterneço-me mais e mais, porque frágil, muito vulnerável e sempre indefesa. Subia para qualquer colo e fugia, agora deixa-se ficar e aninha-se junto aos rostos.

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Podia escrever um texto enorme só com emojis de < e 3.

Dicionário: Jogar-mal-o-poker

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Escrita anónima de intelectual crendo na invisibilidade.

quinta-feira, abril 23, 2026

Isso da saudade

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Desconhecia, digo desconheço. Perguntei e disseram-me que a nostalgia é sentir saudade pungentemente.

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– Saudade é o quê?

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– Sentir a perda.

 

– Isso, afinal não é nada. Por quê tanto barulho por pouquíssimo.

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Explicaram-me e não entendi. Esclareceram-me melhor e continuei sem perceber. Outra vez, sempre o mesmo.

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Então compreendi. Como se fosse a dor de dentes ensinada a um pássaro.

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– Que coisa, essa.

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Qualquer coisa, entende-se o que não se entende, mas não se vive esse viver.

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Percebo melhor os dias inúteis e as vidas sem vida.

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Olhar o céu e vê-lo, manter os olhos abertos conseguindo estrelas no seu caminho, como a criança contra o sono.

Dicionário: Esconderijo-solitário

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Local triste para suportar a solidão melancólica.