digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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quinta-feira, julho 24, 2014

O decote

Pára de olhar para mim dessa forma, porque só penso nisso.
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Não oiço o que dizes, tenho os olhos presos.
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Intuí uma pergunta...
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– Hum, hum...
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Espero que não voltes a falar-me no assunto, pois não sei que.
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Ai!
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Pede que farei. Neste momento...
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– Sim, sim...
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Estão agarrados, os olhos...
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– Ah! Não, não...
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Que diz ela?
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– Hã?! Claro que te estava a ouvir.
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Vou pensar em História das Civilizações Pré-Clássicas... não! Nessa tive dez...
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Vou pensar em Epigrafia!... A memória da matéria e das aulas às oito horas da manhã de sábado é infalível.
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Ufa!

quarta-feira, junho 11, 2014

Movimento pendular e depois espiral

O que diria se te dissesse assim.
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O que não farias se te dissesse assim.
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O que te faria se me ouvisses dizer assim.
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Tem de ser como tem de ser...
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Tenho de te dizer o que queria dizer-te assim se te dizer assim.
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Ouvirás como se te dissesse assim.
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Depois há a queda pela espiral e com sorte caímos ao mesmo tempo depois de um cair sobre o outro e o outro o virar e virar e virar até criar a espiral.
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Depois faz-se teatro e dizem-se piadas para desanuviar.
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Quando tiveres um tempo mostro-te um pêndulo... de todos os brinquedos de cama é o mais sonhado e sempre esquecido.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Hora zero

Não quero saber o que andámos a fazer durante o dia. Já é noite e nesta casa ninguém consegue dormir. Todos temos alguma coisa a esconder. Juro desconhecer toda a verdade. Não sabia de ti até te ver e falar-te, e da tua vida nunca fui além daquele recanto antes que me mostrasses as intimidades. Por mim, não imaginavas toda a realidade. Sabemos que sabiamos muita coisa. Sabemos o quanto queremos esquecer e ocultar. O silêncio é a nossa cruz, a factura da cumplicidade ou da cobardia. Contudo não sabiamos tudo e nunca quisemos saber. Agora somos arrependidos do que não fizemos e prisioneiros do que dizemos não saber. É o momento zero do dia e nesta casa não se dorme. Já não sei quem és ou o que fizeste. Por favor não me olhes para as mãos, não sabia o que fazia, não sabia de tudo, vi-me obrigado a muita coisa, só te quis fazer feliz, tive de fazer pela vida, não fiz nada, tenho de passar por isto, não sei de ti nem do vizinho. Por favor, não faças perguntas. Não estou bem aqui, vou para lá, para aquele quarto onde estou outros, e espero compreensão e olhares disfarçados. Não faço perguntas.