digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Hans Thoma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura de Hans Thoma. Mostrar todas as mensagens

sábado, fevereiro 06, 2016

Entregaria a alma num instante infinito

.
Dava tudo para te ver nua. Agora e já e em instante infinito. Quem dá tudo não dá nada, mas daria a alma.
.
Já que entregaria a alma, me fosse concedido o perdão por tocar-te no mamilo e saber da rijeza. Encadeado pela auréola, pequena ou espalhada. Colhendo os seios com a delicadeza certa e me saciasse.
.
Já que entregaria a alma, me fosse concedido o perdão por te beijar da boca ao ventre. Enlouquecido e enleado nos cabelos tocados para que não se julgassem abandonados. Colhendo da barriga a suavidade das almofadas escandinavas.
.
Já que entregaria a alma, me fosse concedido o perdão por te beijar todos os lábios. Desvairado por me teres também em sabor. Colhendo a droga benigna dos corpos quentes.
.
Já que entregaria a alma, me te fosse obrigado a tudo e tu a mim. Colhendo tudo como se houvesse nada. Agora e já e em instante infinito.

sexta-feira, novembro 06, 2015

Da história à certeza

.
Não fiz contas apesar da contabilidade. Em três ou quatro papéis escrevi amor e engano, a parceira e o feito e quantas vezes. Qualquer coisa o rasgou, jamais mataria a história do meu prazer nem dispensaria o avivar da memória, capaz de me erguer para repetir com uma pessoa distante.
.
Não me lembro e algumas certezas podem ser mentira mas não será por isso que deixarei de me levantar e de encontrarmos o zénite. Agradeço a bênção do passado e a recordação que a lembrança concedeu. Cedo ou tarde adormeço e como um fantasma foge.