O céu quando se põe alaranjado anuncia-se quente o tempo para o dia seguinte. Nesses momentos já não me apetece evaporar, porque a temperatura já vai baixando, mas os sonhos prosseguem e vão muito mais adiante e além dos dias seguintes.Sonho muitas vezes com chuvas e não é por isso que me levanto aflito da cama. Já não tenho sete anos! Se pudesse cruzava o Atlântico sem pressas a cavalo numa nuvem e tocava na Estátua da Liberdade com o dedo mindinho com desprezo. Tocava-lhe só por tocar, como quem não tem mais nada para fazer. Fazia o mesmo com a Torre Eiffel ou as Torres Petronas.
Se pudesse só voava. E quando digo voar, digo voar a cavalo numa nuvem e a sonhar. Sei que a vida não se faz só de sonhos e haveria instantes em que o conforto fofo daquela água vaporizada não me seria suficiente. Algumas vezes voaria num tapete voador. Voaria num tapete persa bordado com fios de seda e ouro. Mas mais das vezes só quereria uma núvem e uma brisa.
Quando a altura se tornasse fastidiosa haveria de tornar cá abaixo e tocar o chão com os dedos para sentir a textura da areia, da água e do sal. Não haveria de fazer mais nada que não sonhar. Isto seria o que faria se pudesse passar a vida a sonhar.
Nota: Este texto é dedicado à Alfacinha, porque ela é de signo Caranguejo (está por estas alturas a fazer anos e este texto serve de presente) e no seu blog disse andar à procura de nuvens.