Tenho de te levar à outra banda. Parto contigo, da amurada
beijo-te como se estivesses no cais. Pingos de sal saltinham como golfinhos. O sulco
de espuma ata as margens de Lisboa e nós agarrados como se tivéssemos frio
olhamos o alinhavar, de olhos atados um no outro. Saltam os corações como os
golfinhos. Os cabelos fazem cócegas ao vento e o sal cola-nos os lábios à boca.
Todo o azul-branco de Lisboa riscado pelo laranja pequenino. Nós sarfando
distraídos esquecemo-nos de acenar à cidade. O Sol põe-se e a muralha conta o
passado, na nostalgia da história encontram-se as mãos, perdemo-nos de amor em
beijos. Já noite regressaremos, cansados da viagem breve. Lisboa chegará em
poucos minutos, tempo bastante para nos apaixonarmos. Chegados iremos para casa
fazer amor.
digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.
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sexta-feira, agosto 24, 2012
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