digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

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sexta-feira, outubro 16, 2015

As luzes

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Se pudesse mataria um fantasma, mesmo ciente da vergonha que persegue com remorsos e medo. Se conseguisse, não voltaria depois da morte, morrendo depois dela.
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Longe é uma morte passageira, desencarnar um carrossel. Sou de desesperança, de desexistir em vez de regressar.

quarta-feira, outubro 14, 2015

Orienta-me uns trocos

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Se esquecido ou lembrado. Por demais ou dúvida. As promessas falham e perco antes do início. Riscam ou nem. É complicado, disse ela. É meu amigo, disse ele. Não têm cadeira ou mesa ou computador ou telefone. Não têm trabalho e outros. Se valho: consciência-ilusão-engano como em gravidade zero. Dói e não só, isso-por-isso-outras-dores-e-aquela-dor-e-porque-até-os-próprios. Até amigos e não-me-duvido: Consciência-ilusão-engano como em gravidade em Júpiter. Não é tudo, é quase além e demasia. Escuro como o espaço, a gaiola e o canto absoluto.
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Nota: Quem souber quem é o autor desta fotografia, por favor informe-me, de modo a poder atribui a autoria.



sábado, março 14, 2009

Da Adega Cooperativa de Felgueiras

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- Sentes-te português?
- Sinto.
- Porquê? Por que te sentes português?
- É algo que vem de dentro... um suor da alma.
- Sentes-te uma pessoa do mundo?
- Não! Sinto-me mesmo português.
- Então, e a diáspora?
- Qual? A imperial ou a emigrante?
- Uma delas...
- Nenhuma.
- Nenhuma?
- Nenhuma.
- Não sentes o apelo do mundo?
- Não. Sinto o fado.
- Sentes orgulho em ser português?
- Nem por isso.
- Não sentes?
- Digo mal disto tudo, mas quando me pisam os calos à pátria fico muito orgulhoso... se tivesse espada aviáva-os a fio.
- Quando te sentiste mais orgulhoso de Portugal?
- Na tourada à portuguesa.
- E vergonha, já tiveste?
- Já!
- Quando? Onde?
- No estrangeiro.
- Porquê?
- Por causa dos emigras.
- Então?
- Por causa do Vinho Verde da Adega Cooperativa de Felgueiras.
- Porquê?
- Porque havia estrangeiros a bebê-lo.
- Então?
- É como andar de pijama. Em casa pode-se, junto da família chegada também, mas nunca se sai para a rua de pijama nem se está de trajes íntimos junto de estranhos.
- ...
- As vergonhas escondem-se!
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Piada brasileira:
- Por que todos os portugueses têm bigode?
- Para se lembrarem das mães.
Se os zucas soubessem dos que estão para cá a mandar estavam caladinhos.
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Nota 1: A pintura retrata emigrantes italianos, mas para o caso vai dar ao mesmo. Povo é povo. Rústico é rústico. Vidas difíceis são vidas difíceis.
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Nota 2: Foi o pior vinho que já bebi na vida. Das adegas cooperativas espera-se sempre o pior, mas esta bateu todos os recordes. Aquilo não era vinho, era decapante.
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Destinos cruzados e desencontrados

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Não tenho culpa que tenha feito asneiras e agora sofra o castigo de estar voltado para o canto escuro. Se te sinto a falta, a culpa não é tua. Mas, se não me sais do coração, não te tiro da alma. Por ti ainda saio do corpo. Por não te ter posto no corpo novos corpos. Depois de desta sairmos haveremos de voltar, depois de tantas culpas, teremos de pagar, aos outros, o amor que lhes prometemos.
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