digo e o oposto, constantemente volúvel, às vezes verdade. juro pela minha alma, mais do que vinho amo a água e só me desenseda e lava, a cara, o corpo e a vergonha de ser quem não quero. os sonhos antigos são sonhos e antigos e os novos de esperar, é esta a vida a mim agarrada, se esperança existe.

Mostrar mensagens com a etiqueta Fotograma do filme «Nosferatu» de Friedrich Wilhelm Murnau. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fotograma do filme «Nosferatu» de Friedrich Wilhelm Murnau. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 24, 2007

Acontece no sono

Acontece em qualquer sono não ter sono. Acontece acordar a meio da noite suado, com medo de si mesmo, ou não acordar, com medo de se estar acordado, ou com medo de não mais acordar e, contudo, estar consciente. Acontece sonhar que se está a sonhar e, porém, não se acorda nem acaba o pesadelo. Acontece toda a infância fora de época e nada se pode fazer, e assiste-se impotente a todos os constrangimentos passados e vividos por mais uma vez. Acontece que não nos compreendem e nos falam com voz condescendente, enquanto nos dizem que não é nada e dias mais felizes virão, que tudo não passa de invenções da cabeça. Acontece acordar aflito para urinar e em que não se consegue levantar, e apenas se pode mexer os olhos, por aterrado. Acontece tudo, menos aquilo que se queria que acontecesse. Acontece, porra! Acontece. Acontece em qualquer sono não ter sono e, em algumas respirações, parar de respirar: sonha-se em mergulho profundo.

domingo, abril 22, 2007

A risada

Tenho vontade de voltar a fazer todos os poemas que não devia ter escrito e dos entragar novamente às mulheres erradas. Ainda que voltasse a ter pesadelos, voltaria a enamorar-me perdidamente por quem não me quis beijar e me rebentou o coração com granadas. Tenho vontade de surgir medonho nos pesadelos de alguém e de roubar horas de sono. Deixar-lhes latidos sinistros e vir-me embora às gargalhadas. Se pudesse voltava de novo a viver e seria novamente adolescente.

domingo, janeiro 14, 2007

Sonâmbulo

Qual é a minha responsabilidade no meu sonambulismo?
Sei sempre os passos que dou vivo. Sei sempre os passos que dou morto. Não sei os passos que dou a dormir.
O meu corpo ganha vida. Tem vontade além da minha vontade e crença. O que posso fazer?
Tremem-me as mãos quando falo disto e envergonho-me do que não me lembro. Será que sou eu no tempo em que não me lembro? Não sei os passos que dou a dormir.

sábado, maio 13, 2006

Sim, sou um drácula

Sou um vadio! Não tenho coração e o que tenho não tem ninguém. Julgo que nem bate. Vivo sozinho e para mim. Os outros servem-me, porque alimentam-me. Não há diferença entre mim e um vampiro! As pessoas servem-me e delas tiro proveito e pouco me importa o que pensam ou sentem. Sinto-me bem quando as tenho e manipulo. Tiro-lhes vida... tiro-lhes tempo e atenção, que é a mesma coisa... ou é uma forma mais moderna e polida de lhes tirar vida ou sangue. Sim, sou um vampiro! E pouco me importa que me achem simpático. Apenas uso a simpatia como um isco para caçar a atenção com que me alimento. Tudo o resto pouco me importa. Sou um poço de egoismo e de egocentrismo. Sou um drácula educado, mas não deixo de ser um drácula.